A cultura do arroz nos campos de Alcobaça
A cultura do arroz aporta a Portugal, provavelmente, pela mão dos árabes. Frei Francisco Brandão refere que no reinado de D. Dinis ainda se semeava o arroz. A interrupção desta cultura confinada a áreas palustres ter-se-á devido a uma inaptidão do mundo rural para lidar com o regadio, assim como às incessantes flagelações da população com a malária. Na sua “Memória Histórica sobre a Agricultura Portuguesa…”, José Veríssimo Silva testemunha o longo esquecimento dos arrozais na lavoura nacional. A redescoberta e desenvolvimento da cultura do arroz têm lugar no consulado Pombalino. Para estancar o fluxo das importações provenientes da Califórnia, o governo, sob o impulso do Secretário de Estado dos Negócios e Marinha Martinho Mello e Castro, manda realizar sementeiras no Brasil na segunda metade do século XVIII, o que vai contribuir para atenuar a dependência da metrópole.
Na comarca de Alcobaça, como aliás na generalidade do país, a cultura do arroz só se implantou tardiamente. Frei Manuel de Figueiredo, na resposta ao inquérito agrícola da Academia Real de Ciências de Lisboa (1787), confirma a ausência deste cereal do calendário agrícola. Os monges ensaiaram esta cultura nas terras de campo de Alfeizerão e na Granja do Valado (década de 20 do século XIX). Mas, ao que parece, estas experiências foram travadas pelo martírio das sezões. A cultura do arroz com carácter de permanência só se estabelece a partir da viragem para a segunda metade do século XIX. A primeira sementeira teve lugar, no ano de 1848, na Quinta da Ordem (concelho de S. Martinho do Porto). Nas terras de campo em que a circulação das águas apresenta um traçado capilar graças à deriva facilitada pelos enguieiros, o arrozal alastrou como uma nódoa, desalojando, parcialmente, o milho e as culturas hortícolas. Na década de 50 do século XIX, semeava-se o arroz em Alfeizerão, Salir, S. Martinho, Valado dos Frades e Maiorga.
O arroz chega mesmo a ser encarado como uma bênção dos céus que vem compensar os homens da lavoura dos prejuízos causados pelo oídio nas vinhas. Cultivava-se o arroz carolino (Oryza Mutica L.) e o galego ou da terra (de pragana). A cultura do carolino era considerada mais remuneradora pelos agricultores. A produção média do concelho não ultrapassava a relação de um alqueire para trinta e dois, embora algumas explorações alcançassem resultados de quarenta alqueires.
A falta de condições culturais leva à proibição dos arrozais no concelho de Alcobaça por decreto de 1870, interditando-se a cultura no distrito de Leiria por decreto de 4 de Maio de 1871.
António Valério Maduro
Amigo Maduro.
ResponderEliminarGostaria de te enviar uma ou mais fotos da cultura do arroz que nos idos de 60 se cultivou no Valado.
Precisamente na área das zonas alagadas junto da Ponte da Barca, tendo-se recorrido a trabalhadores da região do baixo Mondego e que depois se fixaram por cá.
Convido-te a visitares o meu blog sobre o Valado
e percorreres a etiqueta Mundo Rural onde encontrarás 2 ou 3 imagens muito sugestivas e únicas.
Blog http://valadofrades.blogspot.com/
Um abraço.
Hélio Matias