

Dia 12/01/2010
Bombeiro de 3ªClasse Ricardo
No Quartel,
Nessa mesma manhã estava a arrumar as viaturas no parque pois no dia anterior houve uma festa de carnaval para os idosos das várias localidades, e então vai o meu colega motorista e diz ainda hoje deviam sair todos os carros na brincadeira e a gente disse “só queres é trabalhar” e aquilo ficou por ali. No fim dos carros no devido lugar fomos tratar dos afazeres de cada um.
Pois toca o telefone e como já é habito tocar tantas vezes a gente não liga, a nosso obrigação é estar de ouvido bem aberto para ouvir no inter-comunicador o que é. Logo passado segundos ouvimos “INCÊNDIO URBANO” ficamos logo como normal com o coração a bater, vamos de seguida a correr para os balneários e diz o motorista “era a brincar”. O primeiro que se farda vai a central buscar os rádios e os dados da ocorrência e quem foi lá buscar fui eu.
Ao Chego à central diz-me o operador a “O.D. Pneus” está arder toda. Nem queria acreditar fui a correr aos balneários e gritei a “O.D. Pneus está arder” , e então vamos a correr para a viatura.Já a mesma a trabalhar arrancamos e só queríamos era colocar os Aricas e a pensar que não dava tempo de lá chegar com ele já montado .
Já no caminho,
Quando damos a volta a rotunda da “ Pizzaria” nem queria acreditar o tamanho das chamas e como aquilo estava a arder.
Ao chegar ao local,
ainda parecia pior a altura das chamas, até parecia que a força da chama abanava as árvores, ao mesmo tempo já se via as pessoas a chorar.Daí em seguida até parecia que ganhamos mais força sigo eu com uma agulheta e um lance de mangueiras para a frente e já o calor se sentia de longe, começamos logo a trabalhar parecia que a água não fazia nada. Pedi eu ainda mais pressão foi meu colega atrás pedir mais pressão e ali ficamos ao portão a proteger as exposições haver senão ardia mais. Nem demos como o tempo passava e já se foram 3000 litros de água ,acabou a água voltamos atrás a ver o que se passava e realmente acabou. Andava nosso motorista a procura de uma boca-de-incêndio ou marco de água e nada.
Passado uns minutos chegou um tanque fomos logo a correr para a frente do fogo novamente aqui com bastante água fui para dentro de um compartimento onde eram pneus novos, atacar o fogo com espuma. Aqui neste intervalo de tempo ainda éramos só 4 Bombeiros o chefe fazia reconhecimento o motorista eu e outro Bombeiro.
Naquele intervalo
tempo de vir espuma e não vir meu colega é que tinha que o fazer indo lá atrás meter o espumífero num aparelho e ai fiquei eu sozinho e cada vez ardia mais, cada vez mais calor. Veio espuma só pensei em avançar e avancei porque do outro lado já havia bombeiros à porta mas não conseguiam entrar então mandei eu para lá a espuma e só ouvia o Chefe dizer “boa, boa, boa”. Ganhei ainda mais força.
Nesse mesmo tempo já estava a querer ceder.
Dentro desse espaço do meu lado direito caíu uns ferros eu com medo corro para trás mas eram tantos pneus no meio que eu caio, só pensei e ainda não me esqueci desta frase “ queres ver que vou ficar aqui”, disse eu mesmo para mim. Levanto-me e volto atrás e aparece o meu colega a chamar-me para recuar e recuei. Já aqui o meu aparelho respiratório fazia o aviso sonoro que a garrafa já estava no fim, vim a correr e o motorista viu logo que eu precisava de um novo, retirou logo da viatura abriu e eu meti-o logo às costas e fui a correr para o portão onde estava o meu colega e ali ficámos os dois.
Passado um tempojá havia mais bombeiros e então recuamos para trás para descansar.
Já à tarde
no fim do incêndio dominado e em fase rescaldo fui ao local onde andei e vi realmente o perigo que era ser bombeiro.
“ Bombeiro não pensa reage logo” é o que eu penso, e muitas pessoas não dão esse valor aos bombeiros.
“Somos Bombeiros de Alcobaça Somos Diferentes”.
Ricardo Santos Barros

Este extraordinário testemunho pessoal de um dos primeiros quatro bombeiros que atacou este violento incêndio resultou de uma troca de mails sobre fotografias que eu tinha tirado no local.O Ricardo contactou-me para eu lhe mandar algumas fotos.Obviamente que lhe respondi afirmativamente e depois desafiei-o para escrever sobre a sua experiência pessoal. Aqui está a sua excelente "crónica".
A sua publicação neste local é a minha humilde homenagem aos nossos bombeiros.
Homenagem que prolongo às suas famílias, que sofrem a bom sofrer quando a sirene toca.
JERO