sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
M- 454 «FECHEM A PORTA QUE ESTÁ FRIO»
domingo, 2 de junho de 2013
M -448 JOSÉ ARRUDA UM SER HUMANO ESPECIAL
domingo, 19 de agosto de 2012
M - 430 GENTE NOVA
quarta-feira, 4 de julho de 2012
M - 425 MEMÓRIAS DA ADOLESCÊNCIA
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
M 382 - AS ÁRVORES NEM SEMPRE MORREM DE PÉ...
Este velho carvalho foi deitado abaixo no Outono de 2011.
Depois de um longo e ardente Verão ,que entrou por Outubro adentro, as primeiras chuvas e ventanias que prenunciaram o próximo Inverno derrubaram o velho carvalho do “Casal Maria Dias”, nas proximidades de Turquel.
Este velho e imponente carvalho foi notícia em O ALCOA, no seu nº. 2060, de 12 de Junho de 2003, numa rubrica titulada “Clube de Caminheiros de Alcobaça”, que promovia o exercício físico e o conhecimento das belezas da região de Alcobaça.
Era também então referido o “Roteiro Cultural da Região de Alcobaça”, que exactamente num dos seus “capítulos” valorizava a paisagem e os passeios a pé.
No artigo do quinzenário de Alcobaça referia-se que esta espécie de carvalho chega a atingir 2.000 anos de existência e que a monumental espécie florestal da “Casal Maria Dias” remontaria aos tempos da batalha de Aljubarrota, o que significaria ter a provecta idade de 600 anos…
Era uma árvore frondosa com uma copa de cerca de 20 metros de diâmetro e que na sua base tinha um diâmetro que só quatro adultos de mãos dados poderiam abraçar.
Derrubado pelas intempéries deste Outono, que começa a ser agreste, o velho carvalho jaz agora ao nível do solo…a caminho do fim.
Vai no entanto ficar na nossa memória…
E aqui é difícil não recordar a maravilhosa representação de PALMIRA BASTOS na peça de teatro “As árvores morrem de pé”.
Nunca mais esqueci a cena magistral que fazia a plateia levantar-se num aplauso tremendo, capaz de fazer vir abaixo o teatro Monumental.
Aquela estatura meã e aparentemente frágil de Palmira Bastos, batendo vigorosamente com a bengala e sentenciando de forma loquaz: “Morta por dentro, mas de pé. De pé, como as árvores!”.
Aconteceu em 1966 e foi transmitido para milhões de telespectadores pela RTP.
Na vida real o que pode ficar de pé,vivo, com maior ou menor destaque, é o que ficar editado, registado ...para memória futura!
Do carvalho, de que teriam brotado os primeiros ramos e folhas quando por ali perto passaram os exércitos que se defrontaram com violência inaudita na cumeeira de Aljubarrota, irão restar por algum tempo folhas e ramos , que vão secar lentamente no Outono…das nossas vidas.
Mas a sua memória...aqui fica.
JERO
Fotos de Sara Susano em 2011 e de JERO em 2003.
terça-feira, 11 de maio de 2010
M 248 - RECORDAR É VIVER...
Nem sempre o que parece é !
Nesta história de vida, que nos propomos dar à estampa ,o Loureiro, o Oliveira não são árvores mas apelidos de dois ex-militares que se conheceram na Guiné na década de 60.
Também nesta história os “passados” nada têm a ver com os frutos secos, que se costumam comer a partir do final do Outono, mas com “tempos” diferentes de vida…
Aqui os passados reportam-se a tempos recentes e distantes que circunstâncias diferentes da vida fizeram cruzar…
Em passado recente , mais propriamente no passado dia 9 de Maio, o Loureiro e o Oliveira encontraram-se em Mafra, na E.P.I. (Escola Prática de Infantaria) num convívio de ex-militares da sua Companhia da Guiné.
Cabe aqui esclarecer, para os menos conhecedores do “meio”, que estes convívios são muito frequentes de norte a sul do País e a maioria deles ocorre durante o mês de Maio.
O Loureiro e o Oliveira estiveram assim no 44º. Convívio da C.Caç. 675, que foi a “família” de 170 jovens militares no período de 1964 a 1966.
Em relação à viagem de regresso - de Bissau a Lisboa em 3 de Maio de 1966- já lá vão portanto 44 anos…
Regressando a esse passado distante é tempo de dizer que o Loureiro é natural da Marinha Grande. O responsável por estas linhas – o tal Oliveira do título – é de Alcobaça.
Personalizando…
o facto de sermos vizinhos na vida civil facilitou a nossa proximidade “militar”numa relação que, a correr bem, ia durar pelo menos dois anos.
O Loureiro - Leonel João Gil Loureiro de seu nome completo – era o Furriel das Transmissões. O facto de na sua missão ser obrigado a sigilo, por lidar com informações e documentos confidenciais, explica (de algum modo) o seu comportamento reservado para com a maioria dos camaradas. Independente disso era de facto um tipo “fechado”, mas com quem sempre tive um bom relacionamento. Não muito íntimo mas um relacionamento leal e amigo, que norteou a nossa vivência num aquartelamento de dimensões reduzidas.
Foi pois com surpresa que descobri em 9 de Maio de 2010 um Loureiro que falou de si e da sua vida – sem parar – mais de uma hora.
E aconteceu por motivos imprevistos .Avaria do carro do Loureiro que obrigou a uma viagem a dois.
Obviamente que, logo que soube que o Loureiro estava “apeado”, lhe ofereci uma boleia até aos nossos sítios, pois continuamos a viver nas terras onde nascemos – Alcobaça e Marinha Grande, separadas por 30 kms. -.
E foi nessa viagem de retorno às origens que conheci um “novo”Loureiro.
Bem mais velho que o dos tempos da Guiné mas “novo”… porque já não se mostrava “fechado”.
Quarenta e tal anos depois de Binta estava sentado no meu carro ,ao meu lado, um Loureiro que falava “pelos cotovelos”…
O Loureiro falou, falou…e durante 100 Kms. quase que não abri a boca.
Fiquei a saber que o Loureiro teve desde jovem uma vida dura. Nascido na Marinha Grande passou, como muita gente do seu tempo, pelas “artes do fogo”, trabalhando na indústria vidreira...
Viveu portanto ,desde cedo, à entrada do “inferno”…pois quem se iniciava na indústria passava longas horas nas proximidades dos fornos, que cozem a altas temperaturas.
Estudou durante a noite num curso de comércio. Conseguiu arranjar um emprego melhor mas nunca teve uma vida desafogada.
Em termos familiares passou por grandes traumas.
Seu pai, vítima de doença prolongada, pôs fim à vida. E sua mãe faleceu meses depois quando o Loureiro já cumpria serviço militar na Guiné.
Nesta fase do seu regresso ao passado o Loureiro confessa o desgosto por não se ter despedido da sua mãe.
Não o fez simplesmente …porque não foi capaz.
Sabia que lhe ia dar um grande desgosto e… encarregou uma tia ,com quem tinha uma relação muito próxima, de informar a mãe que ia para a guerra do Ultramar .
E só escreveu à mãe…quando já estava na Guiné !
E foi em Binta, no Norte da Guiné, que veio a receber a dolorosa notícia da morte da sua mãe.
O Furriel Loureiro refugiou-se no seu trabalho de transmissões e aguentou o desgosto sozinho.
Como amigo, e também como enfermeiro, não me lembra de um único queixume do Loureiro. Era rijo o homem da Marinha Grande…
Cumpriu os seus dois anos de Guiné e, quando regressou, apressou-se a cumprir o doloroso dever de visitar a campa de sua mãe. Na Marinha Grande, na terra onde tinha visto pela última vez viva a sua mãe. Mãe de que não se tinha despedido…
Depois…começou “as lutas” da vida civil.
Novo emprego, casamento, pequeno empresário, filhos, divórcio…Altos e baixos numa vida de luta…
Voltava “à guerra” uma vez por ano nos convívios da sua Companhia da Guiné.
E os anos iam passando.
Em 1989 morre uma sua irmã. Em relação à morte da sua mãe tinham passado 24 anos.
O Loureiro sentiu de novo na pele o desgosto da perda de mais um familiar. No dia do velório da sua irmã resolveu a certa altura ir ao cemitério para ver como estavam a correr as coisas.
Chegou junto do coveiro que estava a abrir a cova para a sepultura da sua irmã.
O coveiro interrompeu o seu trabalho e disse ao Loureiro que havia um problema.
-Olhe que se calhar vamos ter que atrasar o funeral. Acabei de encontrar o caixão da sua mãe que está “inteiro”.Não vai caber aqui outro caixão.
O Loureiro ficou sem palavras e sem saber o que fazer.
Ali estava, à vista, o caixão de sua mãe… de que ele não se tinha despedido…
Passou-lhe uma coisa pela cabeça e pediu ao coveiro para abrir a tampa do caixão.
Foram momentos em que quase não respirou.
Retirada a tampa do caixão viu o corpo da sua mãe. Inteiro. Mirrado mas sem sinais de decomposição.
Até tirei as mãos do volante e …disse finalmente alguma coisa.
Eh pá ,que coragem tivestes !
O Loureiro continua e descreve o momento com tranquilidade.
- Parecia que tinha estado ali todos aqueles anos à minha espera. Consegui finalmente despedir-me da minha mãe e… senti uma paz imensa…
Questionei o meu amigo e companheiro da C.Caç. 675:
- Vês alguma coisa de místico, de sobrenatural no facto do corpo da tua mãe estar intacto?
- Eh pá não pensei nisso. Não sei explicar. Naquele dia senti que tinha que ir ao cemitério antes do funeral. E vi a minha mãe. E ganhei uma paz que não tinha…
Pensei cá com os meus botões :
- Para um tipo calado, fechado que nem uma ostra, naqueles cento e poucos quilómetros que tínhamos percorrido juntos, o Loureiro tinha falado mais que em dois anos de Guiné!
Quarenta e tal anos …conheci um novo Loureiro.
Despedimo-nos com um grande abraço e com uma fotografia. Para mais tarde recordar…
A história está a chegar ao fim.
Apesar de algumas referências à morte acho que é uma extraordinária história de vida…
Quanto ao futuro…costuma dizer-se que a Deus pertence.
No dia do convívio da C.Caç. 675 ouvi dizer (e fixei…) que só tem futuro quem honra o passado…
Acho que o Loureiro o fez.
Em nome do passado – e para efeitos futuros – aqui fica o meu testemunho.
JERO

terça-feira, 2 de março de 2010
M203-EM TERRAS COM NOME DE SANTO...

Em terras com nome de Santo…passado, presente e …futuro!
Um velho amigo dos tempos da vida militar – um amigo a que quero como a um irmão – está a viver temporariamente na região de Benavente. O meu amigo dos tempos da guerra (Guiné 1964-66) está numa fase complicada da vida. De costas para a família – ou a família de costas para ele – vive muito só. Tem o seu orgulho e não dá parte de fraco. Pelo sim pelo não dois ou três amigos mais chegados andam com olho nele.
Um dia destes visitei-o. Falámos da vida e da morte… O meu amigo contou-me que tinha oferecido o seu corpo a uma Faculdade de Medicina. Olhei-o, sem palavras, e ele explicou-me.
«Quando morrer…não quero nenhum sacana no meu velório a dizer que eu era um gajo porreiro e tal e tal…Que os pariu… Quando eu morrer vou para cima de uma “cama de pedra” na Universidade…para me estudarem…O médico com quem falei começou a tentar animar-me e a levantar algumas dificuldades mas…eu consegui convencê-lo. Disse-lhe que não ia ao médico há mais de vinte anos e que seria portanto um bom caso para estudo. Mas já agora punha umas condições. Só médicas, de preferência jeitosas, é que me podiam mexer no “cabedal”…Esta condição foi aceite e…está tudo tratado.»
Perante esta conversa ,que não deixou de me surpreender, partimos para outras. Recordações de bons velhos tempos tiraram algum dramatismo à inesperada “confissão” do meu amigo.
Fomos dar uma volta pela região, e com o “desenrascanso” a que sempre me habituou o meu amigo dos tempos da Guiné, levou-me a conhecer um “condomínio fechado” da região de Santo Estêvão.. Se era “fechado” mas estava “aberto” podíamos entrar…E entrámos !
Explicou-me o meu amigo que Santo Estêvão, que fica apenas a 50 quilómetros de Lisboa, tem vindo a registar um grande desenvolvimento , o que tem a ver com o loteamento de diversas herdades existentes na zona. Os lotes têm vindo a ser adquiridos maioritariamente por pessoas de fora da região - em especial da região de Lisboa -, para construção de segunda habitação. Entre os “clientes” fala-se de figuras públicas, nomeadamente ligadas ao mundo do futebol. Cristiano Ronaldo é um dos que tem uma vivenda em construção na região. O local é lindíssimo e não me admirava nada que a tendência de “segunda habitação” passasse, dentro de algum tempo, a ser a de habitação permanente.
Passámos por um Campo de Golf – o Santo Estêvão Golf – que viemos depois a saber que tem um lago enorme(14 hectares) implantado num espaço de lazer de cerca de 450 hectares .
Este empreendimento está inserido numa parte da Herdade de Monte dos Condes, chamada Aroeira.
Andámos mais uma centenas de metros e perguntámos a um agricultor que ruínas eram aquelas .«Ah isso é do tempo dos Reis.É muito antigo!«.Fomos à Junta de Freguesia. Mostrámos as fotografias da nossa máquina digital e a atenciosa funcionária não sabia o que era. Fomos à Câmara de Benavente e aqui sim disseram-nos alguma coisa. O que tanto nos tinha surpreendido era um “ovil”.
- E o que era um ovil?
Era um estábulo para ovelhas. No caso - o da Herdade da Aroeira de Manuel Luís Anastácio - teria tido cerca de 2.000 ovelhas. As ovelhas eram guardadas dia e noite por 4 ou 5 “ganhões”…
Para saber mais sobre o assunto teria que encontrar o livro “Santo Estêvão de Benavente – Passado, presente e futuro…”
Não foi fácil mas…como somos teimosos…demos com o livro e(e uns bons 15 dias depois…) fizemos a sua aquisição à Junta de Freguesia de Santo Estêvão ,com a ajuda dos serviços competentes da Câmara Municipal de Benavente.
Já agora vale a pena referir que Santo Estêvão é uma freguesia do concelho de Benavente, com 62,42 km² de área e 1 381 habitantes (2001), com uma densidade de 22,1 habitantes/km²..
Mas voltando ao ovil da Herdade da Aroeira…
Afinal não era dos tempos dos Reis…
«…No início dos anos 40 o dono da herdade, Manuel Luís Anastácio, mandou construir de raiz, um ovil, com capacidade para abrigar 1.000 a 2.000 ovelhas. Respeitou a arquitectura regional tendo em conta a defesa do ambiente .Era um projecto preparado ecologicamente , à frente no seu tempo, para permitir uma ventilação natural permanente do estábulo e ainda a recolha, por gravidade, dos dejectos líquidos do gado. Estes seriam aproveitados posteriormente, para enriquecimento dos terrenos circundantes.»[1]
Parece que existe a vontade de fazer obras de recuperação deste extraordinário conjunto. Esperemos que sim…antes que o tempo dê cabo do que resta…
A tarde chegava ao fim … O ovil da Aroeira tinha tido o mérito de nos ter feito esquecer, por algum tempo,alguns problemas da vida…
Foi nesse dia de contrastes um "tempo" de quietude…

Mas pode ser que a paz ainda chegue para os lados do meu “amigo da guerra”…Vamos esperar que sim…
Se isso acontecer teremos que voltar ao ovil da Aroeira para beber um “copo” .À reveria da paz, em honra da vida.
Nessa parte… esta nossa “estória” fica pendente…A aguardar melhores dias…
Que,em nome do passado, Santo Estêvão nos ajude…no presente e no futuro!
JERO
[1] “ (pg.278 do livro “Santo Estêvão de Benavente – Passado, presente e futuro…, da autoria de Maria Conceição Quintas e Vera Dimas.”
sábado, 13 de fevereiro de 2010
M189-CONTRASTES DA VIDA
Estas fotografias foram tiradas com dois minutos de diferença!
Pouco passava das 10 da manhã do passado dia 12 de Fevereiro.O rescaldo prologou-se até às 18 horas, altura em que o fogo foi dado como extinto. Só mesmo os bombeiros é que se vão lembrar deste longo dia 12, que deu início do Carnaval de 2010. Os bombeiros e os proprietário da oficina de pneus.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
M184-NÓS POR CÁ

Abrigo de paragem de autocarro colocado no meio de uma estrada
Um abrigo de paragem de autocarro, novinho em folha, foi colocado, pela nossa autarquia, recentemente na localidade de Orjo, em Turquel e ainda bem pois era muito necessitado e vêm em benefício da nossa população.
Mas será que no meio de um entroncamento de estradas é o local mais indicado para o colocar?
Fica a dúvida...
Mas que é no mínimo estranho lá isso é! Merece ir para o livro das curiosidades e atracções deste nosso belo país à beira-mar plantado!
Acácio Ribeiro
Correspondente de O ALCOA
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NÓS POR CÁ...também não nos ficamos...
Passámos hoje de manhã(a caminho de Rio Maior) pelo "abrigo" da fotografia e pasmámos.
O que sabíamos por intermédio do Acácio Ribeiro excedeu as nossas piores expectativas...
Se houver um pequeno erro de condução aquele "abrigo"pode ser desastroso!
Sinceramente achamos que vale a pena rever (e mudar de sítio) aquele "melhoramento"...
JERO

