segunda-feira, 9 de novembro de 2009

M103-ERA UMA VEZ UMA FADA


Era uma vez…
Uma fada linda e delicada como porcelana da China
As roupas que vestia eram cosidas com fios de oiro e prata, vindos do interior de África.
Os seus cabelos eram penteados com pentes de marfim, vindos da Índia.
E os sapatinhos vermelhos, eram feitos de manteiga da Holanda.
Esta fada era tão delicada que quando o vento soprava forte..VUUU…VUUU…VUUU
dava cambalhotas e pinos sem parar.
Quando a fadinha decidia bricar na rua, todos ficavam inquietos.
-Ai! se o vento forte a leva…
-Ui! se os seus pés delicados pisam o chão…
Ih! se o seu vestido se amarrota…
Era divertido a valer, ver como todo o reino das fadas mimava a fadinha delicada.
As papoilas esticavam-se para que os sapatinhos de manteiga não tocassem o chão.
O sol aproveitava para pôr a conversa em dia com ovento, não fosse ele lembrar-se de soprar.
As borboletas com as suas maozinhas de pó de perlimpimpim iam ajeitando o vestido, não
fosse ele ficar amarrotado.
Esta azafama só parava quando a fadinha , já de noite, bem escurinho, regressava a casa.
Nessa altura todos suspiravam..ufa, ufa , agora já podemos descansar.
Mas esperem … que o lufa-lufa ainda não acabou.
A fadinha estava no quarto, a vestir a camisa de dormir, quando pelo canto do olho
viu a lua tão grande e gorda , que não resistiu…
Abriu a janela e assobiou para a lua… uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Que confusão se criou naquela noite.
Afinal, como é que um ser tão delicado como a porcelana, pode ter um assobio tão forte e alto que até arrepiou a lua?
escrito por Vanda Furtado Marques
ilustração de Rebeca Dautremer

M102-POESIA DE VEZ EM QUANDO





JANELAS DE LISBOA
Tenho quarenta janelas nas paredes do meu quarto.
Sem vidros nem bambinelas
posso ver através delas

o mundo em que me reparto.

Por uma entra a luz do Sol,
por outra a luz do luar,

por outra a luz das estrelas

que andam no céu a rolar.

Por esta entra a Via Láctea
como um vapor de algodão,

por aquela a luz dos homens,

pela outra a escuridão.

Pela maior entra o espanto,

pela menor a certeza,
pela da frente a beleza

que inunda de canto a canto.
Pela quadrada entra a esperança
de quatro lados iguais,

quatro arestas,
quatro vértices,
quatro pontos cardeais.
Pela redonda entra o sonho,

que as vigias são redondas,

e o sonho afaga e embala

à semelhança das ondas.
Por além entra a tristeza,

por aquela entra a saudade,

e o desejo, e a humildade,

e o silêncio, e a surpresa,

e o amor dos homens,
e o tédio,e o medo, e a melancolia,
e essa fome sem remédio

a que se chama poesia,
e a inocência, e a bondade,
e a dor própria, e a dor alheia,

e a paixão que se incendeia,
e a viuvez, e a piedade,

e o grande pássaro branco,

e o grande pássaro negro

que se olham obliquamente,
arrepiados de medo,

todos os risos e choros,
todas as fomes e sedes,

tudo alonga a sua sombra

nas minhas quatro paredes.
Oh janelas do meu quarto,

quem vos pudesse rasgar !

Com tanta janela aberta

Falta-me a luz e o ar.

Poema:António Gedeão

M101-MURO DE BERLIM 20 ANOS DEPOIS


Merkel, Gorbachov e Walesa atravessam o "checkpoint" simbólico do Muro de Berlim
A chanceler alemã Angela Merkel, o ex-presidente soviético Mikhail Gorbachov e o ex-líder sindical polaco Lech Walesa atravessaram juntos o "checkpoint" simbólico do Muro de Berlim, aberto pela primeira vez há 20 anos.
Sob uma chuva persistente, Angela Merkel atravessou sorridente, ao lado dos seus convidados e centenas de pessoas, a ponte de Bornholmer Strasse, uma das primeiras passagens fronteiriças abertas em 1989.

Merkel deu início esta manhã às cerimónias de comemoração do 20º aniversário da queda do Muro de Berlim comparecendo na igreja de Gethsemani, em Berlim Oriental, um dos redutos da dissidência e das manifestações que a 9 de Novembro de 1989 obrigaram a Alemanha comunista, a desaparecida República Democrática da Alemanha (RDA), a abrir as suas fronteiras.

Os dirigentes dos países europeus participam nas cerimónias, ao lado dos representantes das quatro potências - Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha e França - que ocuparam a Alemanha após a rendição nazi em 1945 e até a reunificação em 1990.

Os chefes de Estado e Governo devem comparecer esta noite na principal cerimónia, nas Portas de Brandeburgo, símbolo de Berlim, por onde passava o "muro da vergonha", construído em 1961 pela RDA para impedir a passagem dos seus cidadãos para o Ocidente. Uma noite que promete recuperar as emoções vividas, muma altura em que a expectativa é de que 100.000 pessoas assistam o evento.

SAPO/AFP
09 de Novembro de 2009

sábado, 7 de novembro de 2009

M100-ESTES LUSITANOS SÃO LOUCOS


ESTES LUSITANOS SÃO (ESTÃO) LOUCOS

Sábado, dia 7 de Novembro.
São 23.25 .
Tenho estado a ler o “Expresso”, depois de ver na SIC o programa de Mário Crespo que, entre vários comentadores, teve a presença do antigo Ministro das Finanças, Medina Carreira.
O que se diz e o que escreve da situação do nosso País é verdadeiramente assustador.
O endividamento externo é de 60 milhões euros/dia. Cada hora que passa o encargo aumenta em 2,5 milhões de euros .Em moeda antiga 500.000 contos!!!
Por hora.
O Estado tem actualmente o encargo de 3.400.000 de pensionistas.
Isto quer dizer que, quando passeamos na rua, e cruzamos com três pessoas (incluindo crianças) uma pessoa – em cada três - está a cargo do Estado.
No “Expresso”, no seu habitual artigo de opinião, Miguel Sousa Tavares, refere que em 2008 a dívida do Estado português representava 66% do PIB e que passou este ano para 77,4%.Em 2010 passará para 84,6% e em 2011 aumentará para uns inacreditáveis 91%!!!
Em relação ao argumento do risco sistémico que o Governo utilizou para justificar a nacionalização dos prejuízos do BPN, que já vai em três mil milhões e meio de euros, conclui MST que, se o risco era como diziam, então toda a banca funcionava com um esquema de vigarice institucionalizada.
Entretanto o que é vimos e ouvimos nos últimos dias na Assembleia da República durante a discussão do Programa de Governo para 2010 !?
Espectáculo. Conversa .Ficção.”Paroles”.
A imagem de que o Ministro das Finanças se serviu para justificar o investimento –é preciso gastar dinheiro na compra de uma cana de pesca par se apanhar peixe – fica prejudicada quando se percebe que a “minhoca” ficará mais cara de que o peixe que se consiga pescar, conforme afirmou um dos comentadores presente no programa de Mário Crespo.
”Paroles.Paroles”,repetimos nós.
O próximo ano – 2010 – vai ser de nuvens negras.
E quando a 2011 é melhor nem falar.
Que Deus nos acuda.

PS-Uma firma das Honduras ,“Ali Babá e os 40 ladrões”, que estava para abrir um “call center” em Lisboa em Janeiro do próximo ano desistiu do investimento perante as ultimas notícias sobre o “sucatagate”.
Ao que nós chegámos!

JERO

M99-FITAS É COM ELES-PARTE DOIS


FITAS É COM ELES

Os jornalistas também estão sempre lá …mas do outro lado.

Depois há o momento do “corte” e têm que "dar ao dedo" para fazer a notícia.

Para mais tarde recordar.

Neste registo, à entrada da Feira do Livro de Alcobaça – edição de 2009 – estão cinco jovens apadrinhados pela “veterano” que bate a fotografia.

São "gente boa" do jornalismo local que representam (da esqª. para a direita) o Rádio Cister, a Região de Cister, a Tinta Fresca, a CMAlcobaça (Gabinete de R.P) e a Rádio Benedita.

Que continuem por muitos e bons anos.

foto do JERO
(blogger nas horas vagas).

M98-GUERRA DO ULTRAMAR / FOTOS COM HISTÓRIA


Fotos com história Gandembel, 1968:
No Comments!

Guiné > Região de Tombali > Gandembel > CCAÇ 2317 (1968/69) > 1968 > Início da construção do aquartelamento > Sem comentários!...
As grandes fotografias dispensam legendas.

Esta é uma das fotos-ícones da guerra da Guiné.

Tem uma tremenda força dramática!

Está lá tudo: o homem-toupeira, o homem de nervos de aço de Gandembel/Balana, também tinha alma de poeta e sabia transformar a pá do trolha em viola de baladeiro, ou guitarra de fadista!

Estamos lá todos nesta fotografia de um camarada, sozinho, no palco da guerra, no cu do mundo, enrodilhado num manta, dedilhando a sua viola ou a sua guitarra e cantando para um público imaginário as suas alegrias, as suas tristezas, a sua coragem, a sua solidão, a sua saudade, as suas esperança, os seus medos, os seus sonhos...
Trata-se do nosso camarada Idálio Reis, Alf Mil na altura da CCAÇ 2317...

Podemos imaginá-lo no intervalo de um dos 372 ataques e flagelações a que os nossos camaradas foram submetidos, entre 8 de Abril de 1968 até 28 de Janeiro de 1969, os nove meses em que, em tempo-recorde, construiram de raíz um aquartelamento, defenderam-no galharda e heroicamente e receberam ordens para o abandonar!...

Um verdadeiro Suplício de Sísifo!...

Noutro país, esta epopeia teria dado um grande filme, um grande livro, uma grande exposição fotográfica!...
Gandembel, quer se queira ou não, faz parte da nossa história, dos portugueses e dos guineenses...
É bom recordá-la para que não ouçamos amanhã a resposta dos nossos filhos e netos
Gandembel !?
Não, nunca ouvi falar...
Em 1969, a música mais popular entre a nossa tropa era o Hino de Gandembel...

In blog "Luís Graça e Camaradas da Guiné"

M97-MEMÓRIA DOS AÇORES; FLORES; CASCATAS E MONTANHAS


ILHA DAS FLORES (II)

CASCATAS

... das alturas
em despiques de saltos
cascatas
que à distância nos parecem cordas
cordas de água,
enquadradas por montanhas,
despenham-se em “oferta”
à Ribeira Grande !...

... e flores
sempre flores .
ILHA DAS FLORES (III)

MONTANHAS

...até onde a nossa vista alcança
montanhas imponentes
vestidas de verde
aqui e ali com o seu manto imenso
salpicado de branco
pequenos afloramentos de rochas nuas ...

Sobrepondo-se ao verde do cimo,
marcante no rotundo das formas
o cinzento do céu,
que ainda há pouco estava azul...

Vai seguir-se o azul
o azul esverdeado do oceano,
que sabemos que não está longe,
que não pode estar longe
pois caminhamos na sua direcção,
expectantes,
quais meninos da escola da aldeia
a quem prometeram
que vai ver o mar pela primeira vez.

É que para lá daquelas montanhas,
ficam outras,
as ultimas montanhas da Europa
pois rumamos para o extremo,
o extremo mais Ocidental da Europa,
um lugar,
uma recordação do que,
cinquenta anos antes,
tínhamos aprendido na escola do cimo da nossa rua,
da palavra sábia do Professor Adão !...
JERO