quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

M - 408 QUEM FOI O POETA ?

SEM TÍTULO


Alcobaça linda flor,
Em ti leal e fagueiro,
Conheci o meu amor
Nas escadas do Mosteiro

De noite nessas calçadas,
Vagueiam de quando em vez,
Duas sombras abraçadas
São D.Pedro e D.Inês

Ali tornarei meus passos
Se as saudades me maltratam
Que as madre-silvas dão laços
Que nunca mais se desatam.

Autor desconhecido
Quem foi o autor destes versos?

Maria Fernanda Martins Reis Duarte é uma alcobacense fora da sua terra há muitos anos.Vive em Santarém mas vive com paixão a nossa Alcobaça.
Pede-nos ajuda para identificar o autor destes versos.
 Maria Fernanda é uma "menina" que fará dentro de poucos meses 80 anos.
Estes versos, de autor desconhecido, eram cantados por sua Mãe, que já faleceu há muitos anos.
Agradecemos antecipamente qualquer ajuda na identificação do autor.
JERO




sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

M - 407 JÁ DEMOS...

JÁ DEMOS…NOVOS MUNDOS AO MUNDO!



Um jovem diplomata português, em diálogo com um colega mais velho:


- Francamente, senhor embaixador, devo confessar que não percebo o que correu mal na nossa história.


Como é possível que nós, um povo que descende das gerações de portugueses que "deram novos mundos ao mundo", que criaram o Brasil, que viajaram pela África e pela Índia, que foram até ao Japão e a lugares bem mais longínquos, que deixaram uma língua e traços de cultura que ainda hoje sobrevivem e são lembrados com admiração, como é possível que hoje sejamos o mais pobre país da Europa ocidental?
O embaixador sorriu:
- Meu caro, você está muito enganado. Nós não descendemos dessa gente aventureira, que teve a audácia e a coragem de partir pelo mundo, nas caravelas, que fez uma obra notável, de rasgo e ambição.
- Não descendemos? - reagiu perplexo, o jovem diplomata.
- Então de quem descendemos nós?



- Nós descendemos dos que ficaram cá.
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Subcrevo e assino por baixo.
Com pena.
JERO

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

M - 406 MORREU O GERARDO

MORREU O CAROLA Nº. 1 DE ALCOBAÇA
O BOMBEIRO 18 A
O CIDADÃO EXEMPLAR ANTÓNIO CARVALHO GERARDO

15.Junho.1937/30.Janeiro.2012

Depois de longa e penosa doença, que o reteve cerca de 3 anos num leito da Misericórdia de Alcobaça, faleceu em 30 de Janeiro de 2012 .Contava 74 anos.
Não é facil falar deste homem sem esconder emoção. Visitámos a sua "última casa" em vida há cerca de mês e meio.
O Gerardo, que foi toda a vida um homem pacífico e bom, vivia revoltado nos meses que que antecederam a sua partida.
Com a ajuda da Directora Maria da Luz conseguimos estar à conversa com o António durante uns minutos. Oferecemos-lhe um livro que, entre várias histórias, recordava os jogos do "Cabeço". Quando lhe recordámos que ele jogava a avançado-centro em cima da linha de baliza do "adversário", de imediato se lembrou do Palma Rodrigues, o guarda-redes.Juntamente com o Provedor João Carreira falámos de outros tempos e o Gerardo deu resposta certa e imediata a vários temas:"Paguei 12 contos para o Carlos Lopes correr em Alcobaça", foi uma das suas "tiradas".
 Saímos do seu quarto sentindo que toda aquela gente que o rodeava o estimava e o tratava o melhor possível.
 Foi uma "despedida".
 Até sairmos da "Misericórdia"não nos foi possível deixar de lamentar, com quem nos acompanhou na visita ,como a vida estava a ser cruel para um homem tão bom .
 A história de vida do António Carvalho Gerardo atingiu algumas patamares invulgares.
Nasceu em Chiqueda de origens humildes e 3 décadas depois de ter ingressado na Resinagem Nacional, como moço de recados, sentava-se à mesa de reuniões da empresa como adjunto da administração!
Em 12 de Fevereiro de 1982 foi organizado em sua honra um almoço de homenagem. Em Santo Antão, na Batalha, 125 amigos elegeram-no como o carola nº. 1 de Alcobaça.


O ALCOA publicou então 3 artigos onde se referia a presença imprescindível de António Gerardo  em comissões organizadoras das Feiras de São Bernardo, no Carnaval, nas festas dos Santos Populares, na Volta à Portugal em Bicicleta, nos Grandes Prémios de Atletismo, nos jogos de Andebol, no Futebol de Salão, no Tiro aos Pratos, etc, etc..
Durante anos e anos pertenceu a direcções dos Bombeiros Voluntários de Alcobaça. Era carinhosamente tratado pelo Bombeiro "18A".Também aí foi distinguido e homenageado com "Bombeiro Honorário".
Permaneceu solteiro e pode-se dizer que dedicou a sua vida a causas sociais da sua Alcobaça.

O Carola nº. 1 deixou em aberto um lugar muito difícil de preencher.
Alcobaça fica-lhe a dever muito.
Adeus Amigo.
E mais uma vez muito obrigado por tudo quanto fizeste pela nossa Alcobaça.
JERO

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

M - 405 A LEI DA VIDA E A POLÍTICA DA MORTE

A SOLIDÃO NA TERCEIRA IDADE

O tempo passa a correr e um dia percebemos que se nos acontecer alguma coisa que possa ser “notícia” seremos referidos por “sexagenários”. Ou pior ainda por “idosos”.


Idoso caiu desamparado na rua e foi conduzido ao hospital…
Sexagenário vítima de conto do vigário…


Quem tem a sorte de chegar ao “estatuto de avô”, alem de ser “sexagenário” ou “septuagenário” poderá mentalmente preparar-se para voltar a aprender a andar vendo os seus netos a fazê-lo enquanto crescem…
Porque aos 2 anos o sucesso dos nossos netos passa por andar sem cair, aos 4 anos não fazer xixi nos calções,
aos 12 anos ter amigos,
aos 16 anos namoriscar,
aos 23 anos terminar o curso,
aos 25 anos sair de casa e fazer-se à vida…


É um dado adquirido que a esperança de vida aumentou, o que nem sempre quer dizer que tenhamos a garantia que a qualidade de vida se mantenha.


E é aqui que entra – ou poderá entrar – a solidão que é uma terrível componente da vida para a qual ninguém poderá dizer que está preparado.


Já conhecemos pessoas que diziam não ter medo da morte .Mas que não estavam preparados para suportar a dor física, que se poderá “eternizar” com a solidão.


Com o prolongar da longevidade a solidão acontece na terceira idade porque os filhos casam e fazem a sua vida.
 As relações próximas vão decaindo e chega-se a um momento em que os mais velhos se sentem sozinhos, passando dias sem ver ou conversar com alguém.


Com o decair das relações familiares a qualidade de vida também decai no sentido em que os idosos passam muito tempo à frente da televisão ou do rádio, sentados e muitas das vezes em casas com poucas condições.






Entretanto os avós,
serão mais “idosos”,
e só terão sucesso se aos 75 anos tiverem amigos,
se aos 80 anos não fizerem xixi nas calças. E,sucesso dos sucessos, se aos 90 conseguirem andar.
Até à casa dos filhos,
dos netos,
dos amigos.


JERO

(septuagenário)
(avô militante)
(com muitos amigos).















segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

M - 404 NO FINAL DO SÉCULO XVIII...

O RETÁBULO DE ALCOBAÇA

No final do século XVIII, no reinado de D.José I, o ministro Pombal enviou a Alcobaça e Coimbra o Engenheiro Guilherme Elsden para proceder a diversas e importantes obras.
O Abade de Alcobaça era D.Manuel de Mendonça, familiar de Pombal.
É então construído o Panteão Real em gótico revivalista de inspiração inglesa junto ao transepto sul, após a escadaria de acesso ao Colégio de Nossa Senhora da Conceição, demolido já no século XX, e também um esplêndido retábulo barroco na Capela Mor da Igreja Monástica que acrescentou o existente
Valerá a pena explicar que o retábulo se foi transformando e acrescentando desde sobretudo as novas disposições litúrgicas emanadas do Concílio de Trento após 1562.
A celebração da ceia do Senhor passa a ser partilhada pelos fiéis alcobacenses que, pouco a pouco, vão poder ter acesso às celebrações eucarísticas monásticas.
Desde 1667 que ,apoiados em novas colunas que antecediam as primitivas, Santos da Ordem e Papas Cistercienses em barro cozido envolviam a meia lua do altar completado com os anjos músicos, também em barro, e a imagem da Virgem com o Menino, como mostra a ilustração coroando o conjunto, tudo em brutesco e ouro.
A estas representações tão caras ao barroco junta-se em 1678 um enorme sacrário piramidal, apoiado em 6 anjos e encimado por um pelicano. A eucaristia conta agora com novas custódias e cálices para realçar a transubstanciação anunciada pelo sacerdote monge do pão e do vinho no corpo e sangue de Cristo. Trento determina a compreensão do sentido das sagradas escrituras e da Santa Igreja Mãe que guarda Cristo na Eucaristia. Compreende-se por isso o grande sacrário ,como um século depois se entenderá o grande globo e resplendor de Elsden que substituiu.
Em 1930 o retábulo é apeado, os altares e capelas do transepto também. Idem para o órgão e altares das naves laterais. O barroco da Igreja estava desfeito depois de haver sobrevivido às tropas francesas e inglesas.
Em 1716 são colocadas logo após o Arco Triunfal, ele também ornado com uma grinalda de talha dourada, duas imagens.
São Gabriel do lado do Evangelho, onde então se colocava o Novo Testamento, com os quatro livros sagrados com os ensinamentos de Cristo, escritos por S.Mateus, S.Marcos, S.Lucas e S.João. E a representação da Virgem do lado da epístola (à direita dos fiéis) onde, antes da leitura do Evangelho , se lia ou cantava uma das cartas dos Apóstolos que constam do Novo Testamento e eram originalmente dirigidas às primeiras comunidades cristãs.
 Hoje celebra-se a missa em Alcobaça numa Igreja reconduzida ao gótico original, e sem a presença da comunidade cisterciense que nos deixou em 1833.


Um bom ano com coragem e alegria.


Rui Rasquilho

domingo, 15 de janeiro de 2012

M - 403 AMIGOS COMO OS DA ESCOLA E OS DA TROPA...

“A noite acabou e o dia começou”

Amigos como os da escola e como os da tropa não há.
Está claro que, ao longo da vida , se encontram pessoas especiais com quem fazemos amizade e que aumentam o nosso património de afectos.
Mas amigos como os da escola… amigos como os da tropa...
Atrevo-me até a dizer que os “patamares” são um pouco diferentes porque os amigos da vida militar vieram um pouco mais tarde…do que os da escola.
 E quando refiro a vida militar estou a pensar especialmente nos amigos com quem convivemos durante a guerra do ultramar.
 Normalmente dois anos, que significaram mais de 700 dias. E dias com muitas horas…
De forma um pouco diferente vivi recentemente, em dois tempos, o que atrás referi.
Refiro dois tempos porque sendo “amigos da guerra” convivi com eles em situações diferentes.
A primeira situação teve a ver com um ex-capitão miliciano que está na vida civil há cerca de 40 anos. Graças a um blog de ex-combatentes da Guiné conheci-o há cerca de 2 anos. Mas as nossas vivências comuns, com convívios mensais na “Tabanca do Centro” ,estreitaram laços. Que “estremeceram” devido à preocupação que uma recente e delicada intervenção cirúrgica a que foi submetido causou.

A importância que a amizade daquele homem tinha para mim
 (e para outras camaradas) ficou patente na preocupação que transmitimos uns aos outros com a troca de e.mails e telefonemas sem que o destinatário “final” soubesse. E quando soubemos das suas melhoras e da possibilidade de o visitarmos em sua casa… “a noite acabou e o dia começou”.


A segunda situação tem a ver com um capitão do “quadro”, nos dias de hoje Ten. General aposentado, que foi o “meu capitão” da Guiné em 1964-65.
Fez no dia 14 de Janeiro corrente 76 anos. Na véspera contei as horas e os minutos para, em cima da meia noite, lhe enviar um e.mail .
Além dos parabéns enviei-lhe uma “espécie” de poesia que há muito é “palavra-chave” em momentos especiais.


MEMÓRIA
À distância no tempo... recordo sons!
Numa selva de imagens
recordo militares agitados...
Lembro a floresta, o caminho estreito.
À distância no tempo... os ruídos esbateram-se!
Ficaram imagens...
Deitado na viatura da "Breda" está ferido o capitão,
Pálido, de camuflado rasgado... mas comandando.
Ordens e gritos... Militares disparando...correndo,
lutando à voz do seu capitão exangue...
Saindo da floresta
que para trás ficava de novo silenciosa!
Na distância do tempo... volto a ouvir
Algures vindo do céu, antes da vista o ter visto,
O barulho inconfundível das pás, das hélices do helicóptero.
O sangue deixou de correr,
a palidez das faces atenua-se,
e aparecem os primeiros sorrisos.
Estão nítidos na minha memória
os companheiros
que ficaram para a vida, toda a vida.






«Quando a meio de uma estrada, recordares um rosto de um amigo e o associares à memória dos teus…a noite acabou e o dia começou».


Amigos como os da escola e como os da tropa…


JERO









segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

M - 402 NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO (NAO) NÃO, MUITO OBRIGADO

Sambaro, o Dicionário e o Afecto

Agora que tenho tempo tornei-me um caminheiro. Logo pela manhã abalo pela cidade. Travessas, calçadas, pátios, becos, vilas, percorro devagar essa Lisboa escondida, quase invisível. Foi num desses passeios que encontrei Ansumane.


Um negro velho e calvo, que entre a Travessa da Lua e o Beco das Estrelas, arengava em crioulo.


Dei-lhe os bons dias e ele apresentou-se:
- Ansumane Baldé, segurança.
- Segurança? Foi militar?
- Soldado de Artilharia, Número Mecanográfico 82062962, Guileje, com os Alferes… e desfiou uma lista de nomes.
- Eu estive na Guiné. Era o Alferes Cabral do Pel Caç Nat 63.


- Ah! O Alfero Bigodes!
- Sim usava um grande bigode. Mas como sabes? Estive sempre no Leste, em Fá e Missirá!

- Quando fugimos para o Senegal iam muitos soldados dos Pelotões Nativos.
Do teu, foi o Sambaro, que já morreu. Morávamos na mesma Tabanca e muitas vezes falávamos de vocês todos.
 Sambaro, o homem da bazuca.
Talvez quarenta anos, forte, sério, três mulheres, muitos filhos.
Queria ser cabo e estudava, estudava para ir fazer o exame da 3ª classe a Bambadinca.
Quando voltei de férias ofereci-lhe um Dicionário. E que contente ficou! E leu e releu a dedicatória: “Para o Sambaro que é quase Cabo e ainda há-de chegar a Sargento. Com Afecto”.
- Alfero o que é Afecto? (ele lia o “c”)
- Procura no Dicionário, Sambaro. Que é para isso que ele serve.

Isto passou-se em Fevereiro de 1971. O Sambaro, além da bazuca, passou a carregar o dicionário. Ainda me lembro de o ver no Mato Cão a folheá-lo…
Disse-me o Ansumane, que os filhos e os netos do Sambaro vivem para as bandas de Sonaco. E que será feito do dicionário?
Imagino um dos netos a procurar nele a palavra afecto;
- Olha, Sambaro Neto, se te disserem que agora é afeto, não acredites. Ninguém lhe pode tirar o “c” de coração.


Jorge Cabral


Além de professor de direito penal, agora reformado, é conhecido por ser um escritor lusófono que diz não ao NAO (Novo Acordo Ortográfico)

Respigado do blogue LUIS GRAÇA &CAMARADAS DA GUINÉ
(Postagem 9304, de 3 de Janeiro de 2012).


Com particular estima e apreço/JERO



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