quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

M - 390 CEERIA FESTEJA TRINTA E CINCO ANOS

35 ANOS DE CEERIA

GALA COM QUALIDADE MAIOR no dia internacional da pessoa com deficiência
Começou a 3 de Dezembro e acabou a 4…
Já passava da uma da manhã quando numa das salas do 1º.piso do Cine-Teatro se cortou o bolo da “Carla” ,feito especialmente para comemorar o aniversário do CEERIA.




Minutos antes toda a equipa, toda a “família” do CEERIA tinha cantado no palco o hino da Instituição.
«Canta Ceeria, canta/Se és diferente, eu sou também/
Canta Ceeria, canta/Todos juntos seremos alguém»
É difícil resumir o que se passou nesta “Gala” de mais de 3 horas de duração. E uma das dificuldades é escrever contendo a emoção desta “gala”, que não foi mais do que a história de uma “luta” de 35 anos pela inclusão.Com muitos testemunhos, com muitas histórias de vida.
«Corria o mês de Dezembro de 1976.Depois de enormes trabalhos e esforços de um conjunto de pessoas, entre as quais Maria João Pereira, José Belo, Manuel Quitério e Rui Coelho, foi constituído o CEERIA, â data Centro de Educação Especial e Recuperação Infantil de Alcobaça.»
Depois de um “powerpoint” , elaborado pela equipa de professores da fundação do CEERIA, que recordou em imagens “amarelecidas” alguns dos primeiros passos dos primeiros tempos, usou da palavra um dos fundadores e actual Presidente da Direcção da Instituição.

José Belo realçou o orgulho pelo passado , e salientou também a importância do caminho entretanto percorrido, em que foram dados grandes passos na senda da integração social das pessoas com deficiência no concelho de Alcobaça.
«Quero em nome do CEERIA homenagear todos os que desempenharam funções nos órgãos sociais.
 E reconhecer também publicamente o trabalho, o esforço,
 o empenho de todos os colaboradores.»
«…este aniversário constitui também uma boa oportunidade para olhar o futuro…Começaram recentemente a construção das novas instalações na Quinta das Freiras…e as novas instalações são uma dessas apostas para o futuro…».
Terminou salientando que…«apesar dos progressos registados há em Portugal, e também no nosso concelho, um longo caminho –ainda - a percorrer. Em conjunto teremos que continuar a dar passos decisivos para uma sociedade mais justa, mais desenvolvida e mais feliz.»

Seguidamente o Presidente José Belo entregou o diploma de Benfeitor à Sócia nº. 1, Maria João Antunes Silva Pereira, que sentidamente agradeceu a distinção, que lhe foi atribuída em recente Assembleia Geral pelos relevantes serviços prestados à Instituição.
Também na mesma Assembleia Geral foram atribuídos os diplomas de Benfeitores aos irmãos Alexandre e Isidro do Rosário Alves, que doaram um terreno de 12.000 m2, na Quinta das Feiras, onde estão já a ser construídas as novas instalações do CEERIA – Um Centro de Actividades Ocupacionais e Lar Residencial.
Na chamada ao palco os locutores de serviço salientaram a importância da doação, reveladora de um assinalável sentido de responsabilidade social. Isidro Alves , em seu nome e de seu irmão ,manifestou a satisfação de ter sido possível doar uma parcela de terreno a uma instituição que tanto prezam.
Nos minutos seguintes os apresentadores contaram, enquanto eram projectadas fotografias, mais uma parte da história do crescimento da Instituição, nomeadamente no seu sector educacional, que constituiu ao tempo uma resposta para crianças para quem, até aí, não havia caminho.
Foi o tempo do Óscar…admitido em 1985 e integrado no sector educacional. Foi encaminhado pelo seu médico assistente e pela professora do ensino regular. Em 1995/1996 transita para o Centro de Actividades Ocupacionais, por não reunir condições para integrar o mercado normal de trabalho. Já lá vão 26 anos…como a mãe do Óscar,num comovido e tocante testemunho, contou em palco.
A estrutura da Instituição cresceu, os espaços ampliaram-se, as actividades surgiram, os equipamentos foram adquiridos, novos sectores foram criados e…em 1979 surge o sector pré-profissional. Tendo em atenção as características do mercado de trabalho da região de Alcobaça foram criadas áreas de formação em agro-pecuária, carpintaria, têxteis/costura e serralharia. Em 1988 foi implementado o sector de formação profissional, que passou também a incluir as áreas de informática, hotelaria e jardinagem.
E porque de uma “Gala” se tratava seguiram-se durante alguns breves minutos actuações de alunos de ballet da Academia de Música de Alcobaça, que não deixaram os seus créditos por pés alheios.



As alunas Beatriz Silva. Ema Ferreira, Isa Maria Vicente, Mariana Romão, Margarida Oliveira, Eduarda Horta, Carolina Rodrigues e Ana Baptista foram as estrelas da A.M.A..
Tempo para mais imagens e mais história do CEERIA com uma data – 1989 – particularmente importante por ter sido o ano do início do funcionamento do CAO- Centro de Actividades Ocupacionais. Foi esse imenso capital de humanidade que o CEERIA tomou em mãos e tem vindo a acarinhar e a desenvolver.
De tal maneira que a Anabela Bento veio a palco contar uma extraordinária história de vida, que passa pelo Óscar e por vinte anos de desempenho de funções de monitora de actividades ocupacionais.
E vinte anos são muitos meses,
 muitos dias,
 muitos minutos
 a garantir o conforto,
 segurança
 e bem estar de muitos “meninos”,
que vivem grande parte das suas vidas entre as paredes do CEERIA.
Mais história e mais fotos que, com
ajuda dos apresentadores Emília Barroso e Nuno Santos, ajudam a compreender como os anos passaram pela Instituição.
Quando em 1997 se comemoraram os 20 anos do CEERIA a instituição já contava com uma equipa multidisciplinar de 49 pessoas, que englobava técnicos, administrativos, professores, monitores e outro pessoal de apoio que servia os cerca de 100 utentes.
 O momento musical, com que terminou a 1ª.
parte da Gala, foi mais uma agradável surpresa. Como os apresentadores bem salientaram...só com a "prata da casa".Carlos Marques e Daniel Machado, da Benedita, cantaram, tocaram e encantaram.
Seguiu-se o intervalo em que muitos convidados que, aliás, esgotaram a lotação do Cine-Teatro de Alcobaça, se dirigiram à Banca de Donativos, que estava montada no “hall” de entrada.
A segunda parte do espectáculo conseguiu manter o nível elevado do “primeiro tempo” e a peça de teatro “Almanzor, dois mundos um amor” surpreendeu pelo conteúdo e pela envolvência de sentimentos «…que uma história de amor sempre desperta e toca o imaginário de qualquer um de nós.»
O grupo de teatro do Ceeria, que nasceu no ano lectivo de 2003/2004, pela mão de Sandra Coelho, teve desta vez o reforço de dois actores alcobacenses – Diana Bernardes e Tomé Dionísio.

Longos e entusiásticos aplausos do público premiaram a excelência da representação, com relevo para o narrador que não deixou de fazer notar o seu “papel”, quando dos bastidores veio até à ribalta.
Os apresentadores, de forma solta e a propósito, continuaram a narrar a história da instituição, sempre acompanhada pela projecção de fotografias.

Foi o tempo da construção e aquisição da primeira unidade residencial.
 Era preciso e foi alargada e descentralizada a instituição.
 Criaram-se novas áreas que se começavam a revelar fundamentais: a intervenção precoce e o emprego.
 O testemunho do formando Bruno Duarte teve a importância de exemplificar na prática o que a sua vida se alterou.
Utente desde 2008 foi abrangido em 2011
 pela medida do apoio à colocação e encontra-se actualmente ,no âmbito de contrato de emprego de inserção na junta de Freguesia de São Martinho do Porto.

O ano de 1999 marcou o início da organização de eventos de carácter técnico/pedagógico, com o reconhecimento oficial do desporto em geral como actividade que facilita a integração social.
O primeiro boletim informativo "CEERIA acontece" marcou o ano de 2000.

 Foram editados 1.000 exemplares que foram distribuídos pelo população alcobacense para que a instituição fosse mais conhecida.
E apreciada.
E motivo de orgulho para todos.
A expressão no “Ceeria acontece” ainda hoje perdura
No ano de 2001 comemorou-se o 25º aniversário e inaugurou-se uma nova residência para utentes, adquirida integralmente com fundos do Ceeria.
Em 2002 a instituição passou a designar-se “Centro de Educação Especial, Reabilitação e Integração de Alcobaça” e «…abriram-se horizontes cada vez mais vastos.»
No programa desta noite memorável seguiu-se um momento particularmente significativo: a entrega dos Prémios de Fidelidade como reconhecimento e agradecimento a 15 Empresários, que acolheram e contribuíram para a formação de utentes do Ceeria no mundo do trabalho.

Durante cerca de 20 minutos subiram ao palco os representantes dessas instituições, que desempenharam um papel importantíssimo na inclusão dos jovens do Ceeria, num novo patamar das suas existências.

Seguiu-se no uso da palavra o Presidente da Câmara de Alcobaça, Paulo Inácio, que não defraudou a expectativas e confirmou o empenho da Autarquia em estar presente e apoiar tudo o que fôr possível fazer para o crescimento do Ceeria, aproveitando a oportunidade para na pessoa de José Belo, Presidente da Direcção, felicitar a instituição pelos 35 anos de existência em favor da inclusão.
Os infatigáveis apresentadores referiram mais história recente do Ceeria.E deram a palavra à jovem Ana Rita Pós de Mina.
E quem é Ana Rita?
Entre Fevereiro de 2003 e Novembro de 2009 foi responsável pelo espaço Univa. A partir de 2 de Dezembro desse ano celebrou contrato de trabalho como Socióloga. E nos dias de hoje é a responsável pela Gestão de Qualidade.
Conta 32 anos de idade.
E o que disse Ana Rita?
«O poder da informação é, sem dúvida, aquele que devemos desejar alcançar se continuarmos a insistir com afinco fazer parte desta instituição! Participar, envolvermo-nos, opinar, reclamar, sugerir, criar, inovar…ESTAR E SER! ESTAR no trilho de um interesse colectivo, comum e em prol dos nossos clientes, e SER responsável, consciente, rigoroso, proactivo e sensível, sobretudo, a uma realidade em constante transformação.»
«…Esta casa é MÁGICA!»
«…Ser colaboradora no Ceeria é cumprir eticamente com os nossos deveres profissionais, mas também é conversar com a Alexandra depois da sua hora de almoço, é ajudar a Glória a tirar bolachas da máquina, é ouvir o Pedro e o seu inesgotável gosto pela música portuguesa, ou simplesmente levar com uma beijoca da Inês. Faz parte e acrescenta-nos alento – A alegria e a satisfação dos nossos clientes!»
«…o meu compromisso hoje era testemunhar enquanto colaboradora do Ceeria, mas atrevo-me a testemunhar também como cidadã e apelo a todos à causa que o Ceeria defende – o respeito pela individualidade e defesa dos direitos da pessoa com deficiência! Porque hoje também se celebra o dia internacional das pessoas com deficiência.»
«Gosto de estar aqui hoje. Em festa…com cheiros de solidariedade e de paixão…Porque também hoje, além da nossa história, é tempo de projectar um futuro profícuo para o CEERIA.»

Seguiu-se o Hino com todos os colaboradores da Instituição em palco.
«Canta Ceeria, canta/Se és diferente, eu sou também/
Canta Ceeria, canta/Todos juntos seremos alguém»

E acnderam-se e...apagaram-se as velas de parabens ao CEERIA.
Eu estive lá.
No CEERIA continua a acontecer.
«...Esta casa é MÁGICA !»
PARABÉNS.
JERO


domingo, 4 de dezembro de 2011

M - 389 OPINIÕES DE UM AMIGO

IVA SOBRE A RESTAURAÇÃO E FERIADOS
Já está aprovado o Orçamento de Estado para 2012.


Sendo um orçamento assumidamente recessivo, que trará consequências para toda a economia nacional, é, ao mesmo tempo o orçamento possível após a assinatura do contrato de assistência financeira com a troika.


Há duas questões que me merecem reflexão:


A primeira é o IVA sobre a restauração.
Neste dossier ninguém esteve bem.
Esteve mal a ARESP quando em Outubro passado veio dizer que esta subida do IVA ditará a falência de 54.000 restaurantes.
Fazendo as contas, significava isso que, em média, fechariam 13 restaurantes por Freguesia, ou 175 por concelho.
Em relação a estes números, só posso dizer o óbvio: claramente exagerados e não credíveis.
Não admira que esta mesma associação tenha vindo agora rever este valor em baixa... Contudo, perdeu uma boa oportunidade de marcar uma posição credível...
Para mim, é óbvio que esta medida vai ter efeitos devastadores na restauração... só não percebo o porquê de se insistir numa medida que toda a gente sabe que vai dar maus resultados.
Bastava à ARESP perguntar ao Ministro das Finanças: "sabe o que é a curva de Laffer?"


A outra questão é a dos feriados.
Não acho que haja demasiados feriados em Portugal.
O problema não são os feriados, são as mini-férias a despropósito que muita gente aproveita para fazer por conta de feriados às terças ou às quintas.
Não faz, a meu ver, muito sentido eliminar feriados e, ao mesmo tempo manter a possibilidade de se fazer ponte ou deixar ao critério do Governo a existência ou não de tolerâncias de ponto.

Falo com particular à-vontade nesta matéria.
Nos últimos anos nunca soube o que era ter mais que 10 dias de férias... e estou vivo!
Era preferível reduzir dois dias nas férias e eliminar as pontes e pontos, do que estar a eliminar feriados e a aumentar meia hora de trabalho por dia.
Para além do mais, como se explica que o 1 Dezembro e o 5 de Outubro deixem de ser feriado e o Carnaval o continue a ser?

Agora, que o Natal se aproxima, cada vez mais me convenço: é difícil fazer com que o Natal seja todos os dias, mas... já o Carnaval...



Publicada por Eduardo Nogueira em soldenovembro a 11/30/2011 12:37:00 PM
Respigado com apreço e amizade em 4 de Dezembro de 2011.
JERO





quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

M - 388 MEMÓRIAS EM ARMAZÉM DE ARTES

PRATOS DA GUERRA PRATOS DA PAZ

Depois de um recente convívio de ex-combatentes da Guiné na “Tabanca do Centro”, em Monte Real, em que recordando memórias de guerra nos foi possível saborear um “prato de paz”, regressei às origens saciado e com as “baterias” carregadas para mais um “ciclo” na minha Alcobaça.
Mas no “day after” fui ver uma exposição em Alcobaça, mais propriamente no Armazém das Artes, que tem,entre vários “temas” uma mostra chamada de “pratos de guerra pratos de paz", que merece ser divulgada e, mais do que isso, visitada.
Para melhor situar quem me lê permito-me fazer um pouco de história da cerâmica de Alcobaça e da fábrica que produziu os originais pratos agora expostos no “Armazém das Artes”.
A “Olaria” de Alcobaça foi criada em 1927 e teve como sócios fundadores Joaquim Vieira da Natividade, António Vieira da Natividade e Silvino da Bernarda. A empresa começou por produzir louça utilitária tradicional e depois abriu novas linhas de produção, o que englobava réplicas de louça antiga, a par da louça inspirada na de Coimbra, pintada e estampilhada. Nos anos 40, e sobretudo na segunda metade da década, a fábrica responde a um aumento da procura com uma significativo investimento na modernização tecnológica e dos processos de fabrico.
São dessa fase “os pratos de guerra”agora exposta com textos e comentários de António Vieira Natividade e que foram pintados por um extraordinário artista de nome José Pedro .Ficou para a história que José Pedro não sabia ler nem escrever mas a sua pintura tem a marca genial de um grande pintor de cerâmica.
Depois do 25 de Abril a "Olaria" passou por grandes dificuldades e veio a encerrar em 1984.
O "Armazém das Artes", um centro cultural de iniciativa particular do escultor alcobacense José Aurélio, inaugurou recentemente (26 de Novembro de 2011) uma exposição de 31 pratos produzidos entre 1940 e 1945 na “Olaria”.
São pratos com as dimensões entre 20 e 30 centímetros de diâmetro.
Os 31 pratos que o "Armazém" reuniu agora tratam de um tema absolutamente original:
 acontecimentos marcantes da evolução do confronto político-militar que opôs, entre1939 e 1945, as potências Aliadas (Inglaterra, França,Bélgica, Holanda, etc.) às do Eixo (Alemanha e Itália) .
Trata-se de uma autêntica crónica dos sucessos da Guerra, reflectindo a perspectiva dos “aliados”,
 apoiando a Inglaterra, o seu 1º. ministro Winston Churchill,
 a RAF,a sua mais simbólica força militar,
Montgomery, um dos seus chefes militares mais prestigiados e as suas instituições parlamentares.
As inscrições no centro dos pratos são complementadas com legendas no reverso dos pratos, o que era para o tempo a invulgar.
 A produção deste tipo de peças poderá ter atingido cerca de 3 centenas mas nos dias de hoje só restam apenas 3 dezenas em colecções particulares.








 


































Foi editado um excelente catálogo que ficará para memória futura desta meritória iniciativa. A exposição manter-se-á aberta ao público até 27 de Fevereiro de 2012.


Vale a pena visitar esta exposição, que tem ainda outros temas de grande interesse, em três exposições separadas.


A saber:
Pintura de Armando Menezes, Homenagem a Silvino Villa Nova e no foyer, “Da Válvula ao Transistor”.

Silvino Villa Nova
Aguarela de Armando Menezes













Da válvula ao transistor



Como diz o meu amigo JAV (José Alberto Vasco):

a não perder.

JERO



terça-feira, 29 de novembro de 2011

M - 387 FADISTAS CHORAI, CHORAI...

Fado, Património Cultural Imaterial da Humanidade

1. No dia em que foi aprovada a candidatura portuguesa do Fado à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade,veio-me de imediato à memória o alcobacense Olegário José do Nascimento, falecido tragicamente num acidente de viação no dia 14 do mês de Agosto de 2009.
À sua maneira o nosso querido e saudoso Olegário do Nascimento, o “Galhito”(como também era tratado por familiares e amigos) foi o melhor fadista alcobacense de todos os tempos.
No texto que lhe dedicámos a quando do seu falecimento, publicado em O ALCOA em 27 de Agosto de 2009 referimos então:
«Nos bons velhos tempos de solista da Orquestra Típica de Alcobaça (juntamente com o seu irmão Valdemar) na regência do Maestro António Gavino acumulou sucessos .Seguiu-se a sua fase fadista com múltiplas apresentações e outros tantos êxitos pessoais sem as devidas compensações materiais. Faltou-lhe então um “golpe de asa” e uma mão amiga para lhe “abrir” as portas certas do mundo do fado. Com o seu modo desprendido e pouco “interesseiro”, que o caracterizava, o “Galhito” também não terá lutado o que devia e terá passado ao lado de uma grande carreira de fadista. Depois emigrou por longos anos para a Alemanha, onde trabalhou duramente e…não fez fortuna.Quando regressou…dedicou-se a outras vidas. Era um homem íntegro, amigo do seu amigo, que não nasceu para ser rico. Contentava-se com pouco e viveu à sua maneira.»

A outra pessoa de que me lembrei, felizmente ainda vivo e bem vivo,foi de um amigo de Monte Real(no nosso distrito de Leiria), que tive o privilégio de conhecer através de um blogue de ex-combatentes da Guiné (Luís Graça & Camaradas da Guiné).
Trata-se de Joaquim Mexia Alves, o principal mentor e responsável pela Tabanca do Centro, criador e intérprete do “Fado da Guiné”.


Em homenagem ao Galhito e manifestação de apreço ao Joaquim reproduzimos seguidamente a letra do seu fado, tantas vezes cantada nos seus tempos de militar (ex-Alf Mil Op Esp/RANGER da CART 3492, (Xitole/Ponte dos Fulas); Pel Caç Nat 52, (Ponte Rio Udunduma, Mato Cão) e CCAÇ 15 (Mansoa), 1971/73



Fado da Guiné
Letra (original): © Joaquim Mexia Alves (2007)
Música: Pedro Rodrigues (Fado Primavera)


Lembras-te bem daquele dia
Enquanto o barco partia
E tu morrias no cais.
Braço dado com a morte,
Enfrentavas tua sorte,
Abafando os teus ais.
(bis)
Dobrado o Equador,
Ficou para trás o amor
Que então em ti vivia.
Da vida tens outra margem
Onde o medo é coragem
E a noite se quer dia.
(bis)
Aqui estás mais uma vez,
Forte, leal, português,
Sempre de cabeça erguida.
Não te deixas esquecer,
Nem aos que viste morrer
Nessa guerra em tempos ida.
(bis)
Que o suor do teu valor
Que vai abafando a dor
Que te faz manter de pé,
Seja massa e fermento
Desse nobre sentimento
Que nutres pela Guiné.
(bis)

Joaquim Mexia Alves
Monte Real,18 de Agosto de 2007


Em homengem ao "Galhito" e manifestação de apreço ao Joaquim.
29 de Novembro de 2011
JERO

domingo, 27 de novembro de 2011

M - 386 VEM AÍ O FERIADO DO 1º. DE DEZEMBRO

RESTAURAÇÃO de valores

Aproxima-se o dia 1 de Dezembro,que é feriado nacional.
Pela experiência de vida que acumulei ao longo do tempo tenho a convicção que muita gente – principalmente das camadas mais jovens - vai “curtir” este feriado sem saber o “porquê” do chamado dia da Independência ou da Restauração.
Eis algumas das respostas de pré-universitários com 18 e 19 anos de idade que questionei à entrada de uma grande superfície.
- 1º.de Dezembro é o “Dia dos Reis Magos”!
- Foi a implantação da República!
O que se passou em 1640? «Não faço ideia.»
Os 40 conspiradores? A defenestração do traídor Miguel de Vasconcelos?
«Não faço a mínima.»
O domínio dos Filipes? Quantos anos?
- Sei lá. Sei que foram três dinastias !
A Restauração da Independência? Quem foi o primeiro Rei da IV Dinastia?
«Não faço a mínima ideia.»
À distância no tempo – quando em 1950 fiz o meu exame da 4ª. classe (hoje 4º. Ano) – sabíamos isto tudo, que agora recordo sem necessidade de consultar a Wikipédia, porque além do conhecimentos de história eram transmitidos - com a propósito - ideia de valores: a coragem, a bravura, o patriotismo, a Pátria.
Havia em fundo uma componente política – leia-se “Mocidade Portuguesa” – de que recordo essencialmente a parte desportiva e “turística”, com os jogos de voleibol e com as viagens às Caldas da Rainha, a Torres Vedras e à capital. A viagem a Lisboa era então o “limite”, com a visita ao Jamor e ao Estádio Nacional.
Esta fase competitiva da Mocidade Portuguesa - com a possibilidade de ir até ao Estádio Nacional - já nos apanhava com mais de 13 anos. mais próximos de comissários políticos, que víamos essencialmente como treinadores desportivos.
Mas o “ponto” que hoje queremos aqui deixar tem a ver com a restauração de valores - e de saberes – num tempo que é essencialmente de corrida ao consumo numa vida agitada, de luta, de competição.
Que começa nos pais e se transmite aos filhos.
Quinta feira da próxima semana é feriado .
Dia da Restauração da Independência.

Vou “perder” algum tempo com os meus netos e falar-lhes do que se passou no dia 1º. De Dezembro de 1640.
E fazer-lhes notar que essa resposta do «não faço a mínima» não é nada abonatória para quem a profere.
Tenho de aproveitar esta oportunidade dado que no próximo ano o 1º. de Dezembro já não deverá ser feriado, esperando no entanto que a nossa independência se mantenha.

 

A possível (dentro da conjuntura) obviamente.
JERO





quinta-feira, 24 de novembro de 2011

M - 385 E VÃO TREZE...

RESCALDO DA XIII MOSTRA INTERNACIONAL DE DOCES E LICORES

Estivemos os 4 dias da Mostra deste ano na Sala do Capítulo perto dos doces e “dentro” dos licores.
Foi uma experiência gratificante, diferente e difícil de repetir pois não é fácil aguentar diariamente mais de 10 horas de pé. Refiro-me a um “rapaz” que fez 4 anos em 4.04.1944 e que, por acaso, sou eu próprio.
Estive num stand dos licores .
 Mais propriamente no espaço da MLC – Licores Conventuais (Alcobaça). Os vizinhos eram o Restaurante Trindade (Alcobaça), a Pastelaria Pão de Mel (Alcobaça), os Doces do Convento (Arouca), o Quintal D. Quixote – Francisca Rasga (Évora), a Padaria do Marquês (Leiria), a Pastelaria O Mosteiro (Lorvão), as Maltesinhas – Francisca Casteleiro (Beja), a Casa do Bolinhol - Kibom (Vizela), o Pão-de-Ló Flôr-de-Liz (Ovar) e A Casa da Isabel (Portimão).
Entrei como “vendedor” de livros e acabei como “auxiliar” na venda de licores.
Há sempre uma primeira vez e a experiência do “Capítulo” teve alguns momentos “eternos”, que resolvi partilhar.
Uma das bebidas do MLC chamava-se “amor eterno” e a explicação do “eterno” dava “pano para mangas” e teve momentos bem divertidos e o contrário…
Calhou-me a mim a “fava”.
Aproximou-se um jovem do meu tempo, de cabelos brancos, de rosto sério mas com ar vigoroso. Caminhava com “canadianas” ,e como em passado recente também tinha andado com “elas”, por causa de uma operação ao menisco, meti conversa perguntando se o seu joelho também já tinha passado do prazo.
A resposta desconcertou-me e fez-me engolir em seco. Tinha sido Chefe da Polícia e na perseguição a um larápio tinha tido um acidente grave, que tinha obrigado à amputação de uma perna.
Esse momento aziago alterou-lhe a partir de então a sua vida. E as dos seus familiares mais próximos.
As “canadianas” eram para o resto da vida. Eram “eternas”.
Os visitantes dos dois primeiros dias da mostra – 5ª. e 6ª. feira – eram bem diferentes dos do fim de semana. Principalmente na quantidade e no poder de compra. Eram poucos e com as mãos nos bolsos…
Uma jovem que vendia no stand do “Pão de Mel” classificava-os como “mirandam”. Miram e andam. Compras …nem vê-las.
Foi um tempo em que deu para conhecer os vizinhos. Conversa agradável e troca de “mimos”: bolos por licores e licores por bolos.
A grande surpresa foi encontrar na venda de pão de ló de Ovar uma médica, em regime de voluntariado. E estava ali para fazer o favor a uma amiga do casal de Ovar, que não tinha conseguido vir no primeiro dia.
 E que a médica-voluntária nem conhecia.
Assumia o papel de vendedora com o maior dos à-vontades e só estava aborrecida por ter tão poucos clientes.
Chegou o sábado e a “cheia”.Mais de 20.000 visitantes.E no domingo outros tantos ou mais.


De invulgar algumas visitas em grupo de turistas japoneses que, sempre em andamento, tiravam fotografias aos bolos…e não paravam.
Qual o gozo?
Quem ficou de olhos em bico fui eu
Mas houve uma excepção. Passou um grupo e uma japonesa ficou para trás (qual kamikaze) e provou um licor de ginja.


À borla …mas provou. Não disse uma palavra mas deu para perceber que gostou.


Aliás nesta área dos licores deu para entender que há muita “gosma”.
Não a respeitante à expectoração mas mais do tipo chupista e/ou borlista.


E vamos à ultima.
Na enchente de domingo à tarde à funcionária do “Pão de Mel” faltaram-lhe 40 cêntimos num troco, por falta de moedas na caixa. A cliente – uma senhora com “nariz arrebitado” – não perdoou e pediu um bocado de um bolo como compensação. Recebeu de imediato uma pequena “casca” de um bolo folhado. Não aceitou e disse que voltava mais tarde. E voltou.
E levou a troika, digo, o troco dos 40 cêntimos.
Se todos fossem tão rigorosos com os cêntimos…não tínhamos chegado quase à “banca rota”.
Mas apesar da crise estiveram em Alcobaça, na XIII mostra de Doces e Licores Conventuais mais de 45.000 visitantes que desfrutaram das delícias gastronómicas que “decoraram” os 37 expositores de representação nacional e internacional (Espanha, França e Bélgica).
Foi uma grande jornada para Alcobaça com a mais valia de ter honras de um directo da RTP, com cerca de 3 horas.

E eu estive lá.
Perto dos doces e “dentro” dos licores.


JERO
Na foto o "dono" dos licores abaciais Carlos Gomes, o escritor Luís Rosa e o homem da ressaca, digo, do rescaldo dos doces e licores,JERO.






sexta-feira, 4 de novembro de 2011

M 384 GEORGE

UM AMIGO CHAMADO GEORGE
A tarde de Outono, com temperaturas ainda a recordar o Verão, que o calendário já tinha transposto, convidava ao sossego e a “carregar baterias”.Na esplanada do “Parque dos Monges” estava-se bem…
Lia a revista do Expresso – passe a publicidade – quando a conversa da mesa ao lado me começou a fazer a olhar para as páginas sem as ler.
O tom de voz do casal que falava com um homem que parecia já andar por volta dos 70 era perfeitamente audível, percebendo-se pelas respostas do interlocutor aparentemente mais velho, que este era emigrado. O seu português tinha algumas deficiências na conjugação dos verbos e algumas expressões do tipo “yaa” ou “yes”davam para entender que devia ser um português já com muitos anos de “americano” ou “canadiano”.
Na sua vida tinha já mais anos fora de Portugal do que “dentro” mas, apesar de tudo, conseguia ultrapassar todas as dificuldades para vir passar umas duas ou três semanas na terra onde tinha as suas raízes. Vinha sozinho e cumpria religiosamente uma rotina que desde há muito impunha a si próprio. Ia à missa e depois ia visitar os seus pais no dia de “Todos os Santos”, para pôr flores nas suas campas e “falar com eles”. E ao longo dos anos a pergunta continuava a ser a mesma.
 «Porquê ?».
Não o referiu expressamente mas deu para entender que os seus pais, trinta e tal anos antes .tinham decidido a sua vida sem lhe pedirem opinião. Já estava casado e com dois filhos pequenos e um dia entregaram-lhe “papéis” para imigrar, “papéis” esses que tinham sido tratados à sua revelia.
As razões? Para bem de todos era melhor sair de casa, pois os tempos estavam maus e emigrar "é que estava a dar”.
Emigrou “à força” e durante os primeiros anos comeu “o pão que o Diabo amassou”.
Lavou pratos , milhares de pratos, e durante um largo período da sua vida ficou ligado à restauração.
A sua mulher e os dois filhos portugueses juntaram-se-lhe e a família aumentou com um nascimento de mais um rapaz já no “seu” novo País.
Os anos passaram e chegaram netos.
Mudou de “carreira” e nos últimos anos tem uma vida financeiramente mais equilibrada mas que obrigou a alguns sacrifícios em termos familiares.
 A família está mais longe.
Perto , fisicamente, só a sua mulher com quem não fala muito.E vice versa...
 Não é só o tempo por lá que é frio…
Nessa tarde de Outono, com temperaturas ainda a recordar o Verão, falava com particular entusiasmo do George, um amigo especial.

Só passado um bocado percebi que era um cão!

Os meus vizinhos de esplanada levantaram-se e saíram.
Fiquei mais um bocado e pousei a revista do “Expresso”.
 As árvores sem folhas reflectiam-se no céu.

O “porquê” amargurado do “emigrante à força” ainda estava bem presente no silêncio que me rodeava.
Como devia ser importante para ele, nesta fase da sua vida, o George!
De quem comecei a gostar a partir daquele momento.
Porquê?
 Porque…afinal ainda não tenho as pilhas carregadas…
Vou ter de ficar por aqui.


JERO

Hello, George!