quarta-feira, 19 de outubro de 2011

M 379 CAPUCHOS

CAPUCHOS

O Concílio de Trento termina em 1563 ,após dezoito anos de trabalho com algumas interrupções.
Em 1566 o Comendatário D. Henrique trás para os Coutos Franciscanos, Capuchinhos, e instala-os na encosta de Chiqueda onde constroem um primeiro Convento dedicado a Santa Maria Madalena, reedificando-o no mesmo local em 1639.
Os Decretos do Concílio chegam às mãos do Abade Comendatário, Cardeal D.Henrique, em 1564 e nele se determinaram alterações profundas na liturgia e nos procedimentos até aí adoptados.
A eucaristia irá a partir desta data ter um lugar primordial na Igreja e com ela serão exigidos novos símbolos para o ritual da missa. Custódias , tabernáculos e novos altares serão fabricados para o serviço de Deus e grandeza do seu povo.
Os camponeses dos Coutos poderão a partir de agora, embora com restrições, assistir às missas na Igreja do Mosteiro.
A Cerca de Dentro já não se inicia na Porta de Fora, todo o limite poente é agora a fachada do Mosteiro.
O Palácio Abacial e a Portaria, o muro do Claustro virado a Este e a fachada simples da Igreja , ainda sem Torres Sineiras é o limite monástico. Haveria provavelmente um sino dirigido ao povo numa torre que a arqueologia parece aceitar “encostada” à Sala dos Reis, antes desta existir.
 Mas não há certezas cronológicas, por enquanto.
Os Capuchos são uma Ordem Mendicante que exerce o seu trabalho no terreno, apoiando corpos e almas, Cister é uma Ordem contemplativa interior.
 Até então o exercício do apostolado nos Coutos é feito pelas paróquias.
Terá o Cardeal pensado que os Capuchinhos poderiam ajudar nos cuidados com os crentes ?
Na enfermaria nova de Alcobaça há lugar cativo para os doentes capuchos sem distinção para com os cistercienses .

Os franciscanos têm dois ramos, os conventuais e os observantes , e é destes últimos que derivam os capuchinhos, monges de vida claustral, penitentes rigorosos mas prosélitos da palavra de Deus.


 A Igreja do Convento a  que hoje vanos, tem raizes em 1639 e foi vandalizado durante dezenas de anos no sec. XIX após a extinção das Ordens.


Hoje ,na posse de particulares que o estimam, tem o figurino habitual dos franciscanos, pátio e galilé com três arcos. No seu interior havia um importante acervo de azulejos de tapete que desapareceu.

Rui Rasquilho

domingo, 16 de outubro de 2011

M 378 SINAIS BARROCOS NO MOSTEIRO DE ALCOBAÇA

APONTAMENTOS BARROCOS
Entre 1545 e 1563 realizou-se o Concílio de Trento convocado pelo Pontífice Paulo III.
O Santo Padre decidiu que era tempo de “condenar os erros, eliminar os abusos e restabelecer a paz e a unidade do povo cristão.”
Um século depois irrompe em toda a Europa um estilo novo, o barroco dirigido aos sentidos através de modelos de pomposa teatralidade.
A festa da vitória sobre as ideias protestantes, que haviam rompido a hegemonia católica, consolida-se.

A fachada da Igreja do Mosteiro de Alcobaça erguida entre 1702 e 1725, precedida de várias escadarias que dão acesso a diversos patins que prolongam para o exterior as três naves góticas da Igreja, assumiu o limite da teatralidade, durante as diversas recepções reais dos séculos XVIII e XIX onde o cenóbio e as autoridades civis e militares da vila esperavam as visitas ilustres presenciadas pelo povo.
Nos palácios alinhavam pelas escadarias os alabardeiros num ritual de cerimónia que ainda hoje se usa à entrada dos banquetes oficiais do Palácio da Ajuda, embora aqui as escadarias sejam interiores não servindo por isso a admiração popular.
No Mosteiro de Alcobaça o primeiro sinal barroco é dado por ordem de Frei Constantino de Sampaio, que construirá o Retrato do Céu, a Capela das Relíquias, entre 1669 e 1672 no tempo do seu abaciato trienal.
Três anos depois, durante o primeiro triénio de Frei Sebastião Sotto Mayor (1675-1678 ) o altar-mor da Igreja recebe um novo retábulo, recheado de colunas e parapeitos onde foram colocadas esculturas colossais em barro cozido dourado e policromado de Papas cistercienses, Abades cruciais da Ordem e anjos músicos, entre outras importantes estátuas, estas em madeira policromada.
Na antiga Capela de S.Vicente de novo o Abade Frei Sotto Mayor deu início ao retábulo do trânsito de S.Bernardo no ano de 1687 no começo do seu segundo triénio.
Na última visita real ao Mosteiro cisterciense a fachada serviu gloriosamente de cenário à festa da chegada do Rei absoluto D.Miguel, que nas escadarias se mostrou à aclamação do povo.
A Igreja derrota os reformadores em Trento e mais tarde o barroco, dá-lhe um rosto novo do qual o poder político se serviu legitimamente tanto mais que os reis,até à prevalência constitucional ,detinham o trono por vontade divina e aclamação em cortes.
A nova Igreja tridentina influencia também a Ordem de Cister, que agora com os seus momentos litúrgicos abertos com parcimónia aos crentes, lhes oferecerá a emoção das imagens nos altares e a comovente representação da morte de S.Bernardo no esplendor do ouro , da cor e da representação da vida em trânsito.


Rui Rasquilho





sábado, 15 de outubro de 2011

M 377 - "O MEU AVÔ ESCREVE LIVROS"

« O Avô escreve livros»




Quem o sugere num desenho que me ofereceu é o meu neto Pedro, cuja opinião é muito importante para mim.
O meu Pedro aproxima-se dos 10 anos de idade – se Deus quiser cumprirá esse marco histórico já no próximo mês de Novembro – e é um rapaz invulgarmente precoce e com siso.
Esteve na festa do lançamento do meu 3º. Livro, assim como a sua prima Mariana, que com menos 4 anos terá tido uma “leitura “um pouco diferente do tema já que uma hora e tal de conversa terá sido para ela um bocado de “seca”…para não dizer mais.


Para quem se escreve livros?


Agora mais a frio e controladas que estão as emoções do lançamento do meu livro “Alcobaça é comigo” julgo poder dizer que no princípio e no fim se escrevem livros - pelo menos, um livro deste tipo –para o próprio.
Depois a nossa mensagem sobreleva-nos e paira algum no tempo – no tempo – até chegar a outros destinatários.
Na apresentação do livro vi nitidamente, na distância do tempo, o miúdo que fui aos 3 anos, quando comia pão quente das mãos calejadas do “Ti Luís Padeiro, o miúdo de 5 anos quando, pela mão da minha mãe, assisti aos festejos do final de 2ª. grande guerra mundial, o rapaz espigadote que aos 15 anos andava – e por vezes estudava - no Colégio do Dr.Cabrita, etc..
E aos 17 quando ouvia do meu parente Zé Moita as suas viagens pela Europa, e do sr.Carlos Epifânio –na barbearia do meu pai – as suas infindáveis e ,a maior parte das vezes, irreproduzíveis histórias de vida.
E depois aos 30...
aos 40...
aos 50...
e aos 60 anos…
E, finalmente, já como avô, a caminhar veloz e, às vezes, vigorosamente para os 70 anos.
Para acabar, e mais uma vez a pensar nos meus netos ,tenho a noção que escrever livros é importante.
 Mas, mais importante ainda, é ter amigos, bons amigos.
 E muitos estiveram perto de mim e com certeza que olharam com bons olhos os meus netos , o que tem para mim muita importância.
Amigos de outras idades e de outros tempos que foram chegando à minha vida …ao longo da vida.

Tenho fotografias que comprovam tempos diferentes :
separadas por quase meio século .
 Curiosamente tem a ver com lançamento de livros :
 o 1º. em Binta, norte da Guiné, em Setembro de 1965
 e o 3º em Alcobaça, em Outubro de 2011.
A preto e branco o Furriel Oliveira e o Capitão Tomé Pinto
 e a cores o JERO
 e o Ten.General Tomé Pinto.
Os mesmos em dois tempos.
Em "estado novo"
e
46 anos depois.

 

As voltas que o mundo dá!


Avô
(que escreve livros)









quarta-feira, 5 de outubro de 2011

N 376 - DE FOTÓGRAFO (...) E DE LOUCO...

DE FOTÓGRAFO (...) E DE LOUCO TODOS TEMOS UM POUCO...

Com o aparecimento das novas máquinas fotográficas qualquer um é fotógrafo.
Está claro que também estou "apanhado", tendo a vantagem em relação aos mais novos de agora não ter que gastar 5 contos( 5.000$00), quando mandava revelar um rolo de 24 fotografias...
E 5 mil escudos, que em euros são  agora 25 - tinham um poder de compra bem diferente!
Para meu gozo pessoal e em nome desse velhos tempos seguem-se algumas "provas" dos novos tempos.
Está feito. E de borla...
JERO

sábado, 1 de outubro de 2011

M 375 - VAMOS AJUDAR A RITINHA

PARABÉNS RITINHA

Rita Pimenta, uma menina especial, é aluna da Escola Frei António Brandão na Benedita, e fez 15 anos a 21 de Setembro. E nesse dia do seu aniversário tive a fortuna de estar lá… com ela e com várias pessoas muito importantes na sua vida.
Clara Silva, sua mãe; Vanda Marques, que lhe conta histórias e a faz sorrir; Sónia Pedro, sua professora de educação especial; e Adélia Pires, funcionária da escola e quase sua segunda mãe.
Ritinha, como todos a tratam, adora ouvir música, mas não gosta muito nem de Língua Portuguesa nem de Matemática.
Tem um programa especial no “seu” computador, que é importante na sua rotina diária. Já identifica o seu nome e na matemática gosta especialmente do número «15»!
Tem ainda aulas de expressão motora, expressão plástica e expressão musical, frequenta o atelier de artes e tem terapia de sala, com base num protocolo com o CEERIA.
Em Leiria fisioterapia e hidroterapia , em regime particular.
Da mãe recebeu ainda na escola uma boneca como prenda, que não atraiu a sua atenção. Porque não tirava os olhos da mãe. Quando minutos depois, a mãe teve que sair, Ritinha chamou por ela vezes sem conta.
A sua turma aceita-a muito bem: “Foi uma mais valia não só para ela como para todos”, declara Sónia Pedro, que acrescenta:
 “A escola no fundo também é isso. Formar pessoas e contribuir para o seu desenvolvimento pessoal e social.
 E as pessoas formam-se na diferença”.
Em casa, tem a companhia de dois irmãos – a Inês, de 12 anos, e o Simão, de 6 – que a adoram.
Como é que o sorriso de uma menina tão frágil pode preencher tanto a vida, a alma das pessoas que lhe estão por perto!?
Ritinha vai ser submetida a uma operação à coluna em breve, no Hospital Dona Estefânia, pelo cirurgião alcobacense João Campagnolo. Depois, vai precisar de uma nova cadeira de rodas, com um custo de oito mil euros. E aqui começam as dificuldades… que só podem ser ultrapassadas com a solidariedade e ajuda dos que forem sensíveis a esta extraordinária história de vida.
Para que a Ritinha possa continuar a sorrir à vida!
JERO


21.Setembro.2011


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

M 374 - UM CLAUSTRO DE ALTA RENASCENÇA EM ALCOBAÇA

UM CLAUSTRO DE ALTA RENASCENÇA

O Claustro do Palácio Abacial construído em Alcobaça em meados do sec. XVI é a primeira ruptura com a arte medieval usada na obra monástica cisterciense.
Vasali cria em 1550 o termo “rinascità” mas teríamos de esperar até ao primeiro quarto do século XIX para o modelo da Renascença ser considerado um estilo.
O Palácio do Comendatário Abade D.Henrique, Cardeal e Príncipe, é construído na segunda metade do sec. XVI, desenvolvendo no seu interior um claustro de alta-renascença (1520-30).
A cultura renascentista tudo deve ao humanismo de filósofos, artistas, cientistas, enfim homens de cultura como o foi o Príncipe Henrique, que com o seu palácio concluído seria Rei de Portugal, devido à morte do sobrinho em Alcácer-Quibir.
Desconhece-se o nome do arquitecto que desenhou o Palácio e o seu belíssimo Claustro, mas parece ter-se inspirado em Bramante que em 1504 tinha terminado o Claustro de Santa Maria Della Pace em Roma.
Claustro D.Afonso VI em Alcobaça
As semelhanças são flagrantes na forma como adaptaram os elementos da Antiguidade Clássica, havendo uma forte possibilidade do arquitecto que traçou o Palácio de Alcobaça ter passado algum tempo em Roma.
O Claustro italiano tem 16 arcos de volta perfeita, que repousam em pilares nórdicos. O de Alcobaça tem 12 arcos ainda mais expressivos.
Os pilares dóricos têm adossados quer em Alcobaça quer em Roma pilastras jónicas que sustentam um friso e sobre ele o varandim do sobreclaustro. No Claustro do Palácio do Cardeal colunas de capital dórico sustentam o entablamento com decoração de feição também dórica.
Em Santa Maria Della Pace (2ª.foto, à direita) o sobreclaustro apresenta também colunas,estas com capitel coríntio intercalando com pilastras.
O entablamento de Roma regista um avançamento da cornija enquanto Alcobaça possui uma cornija mais leve com gárgulas geométricas.
Esperando-se que as ilustrações ajudem a compreender as semelhanças flagrantes pede-se uma visita ao Claustro do Palácio, onde é fácil aceder se for às casas de banho.
Mas a verdade é esta. Temos em Alcobaça um claustro de alta renascença com grande qualidade e que ,por equívoco, leva a denominar de D.Afonso VI.

Rui Rasquilho




M - 373 TRINTA CONTOS EM NOVO LIVRO SOBRE GENTES DE ALCOBAÇA

SEPTUAGENÁRIO LANÇA UM NOVO LIVRO
Um golpe de sorte levou-nos a conhecer um novo livro que vai em breve ser lançado em Alcobaça.Foi-nos possível conseguir uma leitura apressada com a promessa de que não divulgaríamos o seu autor.
E não o faremos...reproduzindo apenas a sua...nota prévia...e algumas fotos.

«NOTA PRÉVIA-O título “ALCOBAÇA É COMIGO” pode parecer pretensioso .
Mas não é. É apenas sentido e ,eventualmente, possessivo porque Alcobaça é a minha terra desde que me conheço.E já lá vão setenta e um. E mais alguns meses.
Por causa disso – o tempo passado, a memória desse tempo e o gosto de escrever – levaram-me a organizar esta espécie de livro.
Numa recente conversa com um amigo especial – o meu barbeiro –deu-me (sem saber…) a força que me faltava para me abalançar a esta tarefa.
Algumas das histórias “dadas à estampa” nas páginas seguintes foram temas de conversa em diversos “cortes de cabelo”. Quase que posso dizer que havia mais conversa que cabelo cortado…
Em passado recente disse-me: «Que histórias que você conta! Devia escrever um livro».
E fui na conversa dele e o livro aqui está. Despretensioso .Umas vezes brincalhão .Outra vezes sério .Essencialmente…para memória futura.
Tenho a noção que algumas das histórias e historietas relatadas só os mais velhos as conhecem. Fica aqui portanto o seu registo para os outros.

O meu registo e a minha dedicatória para os mais novos. Os que não conheço e os que conheço.
É…especialmente dedicado aos meus netos que, como não podia deixar de ser , também “entram no livro”.
Aliás eles entram em tudo na minha vida. Longe ou perto…em ALCOBAÇA…comigo.»
...

Septuagenário