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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

M - 464 UM ROMANCE HISTÓRICO QUE O PAI NATAL ME DEU EM 24.DEZEMBRO.2013

CONQUISTA DE SANTAREM POR DOM AFONSO HENRIQUES

«Os 250 cavaleiros escolhidos eram quase todos monges do Templo de Salomão, liderados por Hugo de Martónio e Pedro de Gundemaro. Desse grupo fazia também parte Gualdim Pais. Chovera muito durante o dia em que todos eles se juntaram em Coimbra para preparar a expedição de assalto a Sant’Irene.»
Na preparação da expedição Afonso para incutir confiança aos seus homens, passou a descrever como toda a expedição se iria desenrolar. Teriam que percorrer quase 20 léguas entre Leiria e as-Shantariym , passando por cabeços afastados dos povoados  sarracenos localizados a norte e a oeste. Os povoados mais importantes como Thumar (Tomar), al-Fatimah (Fátima), al-Canena (Alcanena), al-Qubasha (Alcobaça) e Óppidos (Óbidos) seriam ultrapassados pelas cumeadas das serras, onde muitas vezes nem existiam caminhos.
«Seguiremos pela noite e durante o dia descansaremos sem fogueiras”.
«À medida que formos avançando irám ficando pelo caminho patrulhas de 20 homens, distadas umha légua entre elas, ó modo que de asinha nos avisem se vier perigo pelos nossos costados».
- Cuidas chegar a Sant’Irene com quantos homens? – perguntou-lhe o Espadeiro, que continuava preocupado com tão pequeno número de guerreiros.
- Um cento e meio. Geraldo andará per lá e tomará conta das muralhas…Nós entraremos pelos portões da cidade, quando os homens de IBn Qasi os abrirem. Depois se verá.Espero que nesse dia, e antes do sol se erguer, Sant’Irene volva de novo a mãos christanas.».


 Santarém era uma cidade muito rica. Já no séc. X o escritor árabe Razi escreveu: "No distrito de Santarém a terra é muito abundante e rica; e os campos podem dar duas sementeiras por ano, querendo-se, tão boa é a terra de sua natureza".
Em 1147, D. Afonso Henriques preparou-se para atacar e conquistar Santarém. Enviou Mem Ramires à cidade com o fim secreto de estudar o local e ver por onde seria mais fácil a escalada dos muros. 
Mem Ramires entrou em Santarém com o pretexto de tratar de negócios. Observou tudo cuidadosamente, tal como o rei lhe recomendara.
Quando regressou a Coimbra contou tudo ao rei. Ofereceu-se para ser o primeiro cavaleiro a trepar os muros e levantar o estandarte real no interior do castelo. 
Com um plano traçado, o rei saiu de Coimbra a uma 2ª feira, dia 10 de Março de 1147. Ia na companhia dos seus cavaleiros, entre os quais Fernando Peres, Gonçalo Gonçalves, Lourenço Viegas, Pero Pais e Gonçalo Sousa.
No segundo dia de marcha, D. Afonso Henriques ordenou a Martim Mohab que fosse com mais dois homens a Santarém. Partiram com a missão de anunciar aos mouros que as tréguas ficavam suspensas por três dias.
Na madrugada de 6ª feira a pequena hoste acampou em Pernes. O rei falou com os seus cavaleiros: "Combatei por vossos filhos e descendentes, que convosco eu próprio estarei (...) e nada haverá, na vida ou na morte, que de vós me possa apartar".
Em seguida confiou-lhes o plano para o ataque a Santarém. Quando os cavaleiros compreenderam que D. Afonso Henriques os queria acompanhar no ataque, tentaram dissuadi-lo.
O rei respondeu que preferia morrer a não tomar Santarém naquele ano. Para sossegar os ânimos, o rei lembrou que em Coimbra, os monges de Santa Cruz rezavam pela vitória. 
O rei ordenou que se escolhessem cento e vinte soldados, que se fabricassem dez escadas e que a cada dúzia de homens se confiasse uma escada. Assim, com as escadas, a escalada dos muros da cidade seria mais rápida e segura.
Ao anoitecer, puseram-se em marcha rumo a Santarém, conduzidos por Mem Ramires. Perto da cidade, seguiram por um vale entre o monte Iraz ou Motiraz e a fonte de Tamarmá. 


Junto da cidade ouviram as vozes de dois mouros, as atalaias. A hoste escondeu-se numa seara, esperando que os vigias mouros adormecessem. 
Quando os vigias adormeceram, Mem Ramires utilizou a ponta de uma lança para prender uma escada ao topo do muro. 

Esta, no entanto, caiu com estrondo sobre o telhado de uma casa. Reagindo com rapidez, Mem Ramires ordenou a Moqueime, um moço de alta estatura, que lhe trepasse para os ombros e amarrasse a escada nas ameias. 
Logo que a escada ficou presa, os cristãos subiram sem hesitar e um hasteou o pendão real.
Mas os mouros acordaram com o barulho e perguntaram: "Manhu? Manhu? (Quem é? Quem está aí?)". 
Quando perceberam que estavam a ser atacados, gritaram: "Anaçara! Anaçara! (Nazarenos! Nazarenos!)". Mem Ramires respondeu com o grito de guerra: "Santiago e rei Afonso!". 
Fora dos muros, ouvia-se a voz do rei invocando Santiago e a Virgem Maria e dando a ordem de matança: "Matai-os a todos! Que nenhum escape ao ferro!".
 Os que já tinham subido as escadas tentaram arrombar as portas, mas sem o conseguirem. Então, os que estavam do lado de fora, atiraram-lhes um malho de ferro por cima dos muros, com o qual os de dentro partiram os ferrolhos. 
Todos entraram, correndo. Logo que passou a porta, o rei ajoelhou-se por um momento, agradecendo a Deus aquela vitória. 
Muitos mouros morreram nessa noite. Outros foram feitos cativos. 
Quando se fez dia, nesse Sábado 15 de Março de 1147, já o rei D. Afonso Henriques era senhor de Santarém. Desde então, a cidade de Santarém ficou sempre na posse dos portugueses.

(pela recolha JERO)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

M 337 - ÁGUA UM PATRIMÓNIO INESTIMÁVEL

Património da Água na Serra dos Candeeiros



As características cársicas do Maciço Calcário em que a Serra dos Candeeiros se inclui, fazem com que a água se escoe pelas inúmeras “arregoas”, “sumidouros” (fendas) e algares. A ausência de águas de nascente e a natureza pobre da terra, salpicada por afloramentos calcários, condicionou a actividade agrícola e inibiu a vida material destas populações. A adaptação a este espaço físico urdiu um mapa cultural que diferencia os povoados serranos dos seus vizinhos, em que a terra é mais generosa e a água brota copiosamente.
A colonização da área serrana confrontou o homem com a necessidade de constituir reservas de água indispensáveis à sobrevivência quotidiana. A cooperação dos vizinhos na construção de cisternas e poços constitui uma realidade que vem da formação dos povoados e que entra nas primeiras décadas do século XX. No entanto, com o advento do século XIX, as cisternas e os poços começam a ganhar foro privado implantando-se de portas meias com as “casas” das famílias mais desafogadas.
Os poços, sem nascente, teciam as suas paredes de pedra “insonsa” (sem argamassa). Por este motivo são conhecidos por “poços rotos”, facilitando a textura das suas paredes a recepção das águas que penetram o solo nas suas imediações. Alguns poços são rodeados por uma vala servida por regueiras, o que facilita uma maior captura e infiltração das águas pluviais (veja-se o poço laranja da Ataíja de Baixo).
As cisternas diferenciam-se dos poços pelo sistema de cobertura e isolamento do depósito. A cisterna de “eira de poço” constitui um processo singular e engenhoso de aprovisionamento de água. O reservatório da cisterna nasce de uma concavidade natural da massa calcária cujas fendas são vedadas com barro. A superfície atapetada do lajedo propícia o declive que conduz as águas à boca da cisterna (insere-se nesta tipologia a cisterna cisterciense da Quinta de Val Ventos – Pia da Serra). Em alguns casos, as eiras de cereais potenciam a área de captação das águas das “eiras de poço”. Tanto as cisternas como os poços beneficiam da recepção das águas dos telhados das “casas” circunvizinhas (habitação e cómodos). Caleiras de pedra, de telha de canudo, de madeira aparelhada ou de folha, conduzem a água para o tanque da cisterna .
A água das cisternas e poços destinava-se, essencialmente, ao consumo do agregado familiar. Contudo, vemos algumas cisternas e poços nas fazendas (choisas) ao serviço das minúsculas manchas de regadio, na rega do milho quando o tempo não se mostrava azado e nos cercados em que se abriga o gado com a finalidade de o dessedentar, assim como nas imediações dos lagares de varas, quando estes estão distantes das lagoas e barreiros, para o caldeamento da massa da azeitona.
A profusão de contratos orais de fornecimento de água e a inclusão do acesso por parte da parentela ao velho poço ou cisterna familiar nos testamentos, constituem outros indicadores do valor crucial da água para estas comunidades.
Esta realidade vai se transformar com a difusão dos furos na década de oitenta e, finalmente, com o acesso à rede de água canalizada nos anos noventa.
Hoje temos a plena consciência que a água potável é um bem escasso e um dos problemas mais sérios que se colocam à manutenção dos hábitos civilizacionais alcançados no século XX. O património da água merece ser preservado e inserido em rotas turísticas (à semelhança do que podia ser lançado para o azeite com as visitas aos antigos lagares dos coutos, olivais monásticos; aos fornos de cal, entre tantos outros exemplos...).


António Valério Maduro


terça-feira, 29 de setembro de 2009

M41-CASTELO DE ALCOBAÇA


Castelo de Alcobaça


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


O Castelo de Alcobaça localiza-se na freguesia do concelho de mesmo nome, no Distrito de Leiria, em Portugal.
Em posição dominante a noroeste sobre a povoação, na margem esquerda do rio Baça, das suas ruínas tem-se uma bela vista sobre a cidade, inclusive o seu famoso mosteiro, os campos envolventes e a serra dos Candeeiros.
História
Antecedentes

Há controvérsias entre os autores acerca da primitiva estrutura defensiva do local, atribuída ora à ocupação visigótica ora à muçulmana da qual uma torre albarrã é testemunha.
O castelo medieval
À época da Reconquista cristã da península Ibérica, foi tomado pelas forças de D. Afonso Henriques (1112-1185), que o teria reparado e reforçado. Reconquistado e destruído pelos mouros entre 1191 e 1195, D. Sancho I (1185-1211) retomou a povoação e suas terras, doando-as aos monges da Ordem de Cister, para a povoarem e defenderem. Data deste reinado a reconstrução do castelo para a defesa da povoação e seus habitantes.
Com a paz, nestes domínios, os monges se dedicaram à vitivinicultura e à enologia, tornando-se uma referência gastronômica internacional nos séculos seguintes.
Por volta de 1369 o abade de Alcobaça, D. Frei João de Ornellas, procedeu o reforço da defesa do castelo erguendo uma barbacã, tendo-se ainda reedificado uma torre caída e o troço de muralhas voltado para o Mosteiro. Para custeio destas obras, foi lançada uma finta sobre os moradores.
No século XV o castelo foi severamente danificado pelo terramoto de 1422, tendo-lhe sido providenciados os reparos necessários no ano de 1424. Um pouco mais tarde, o abade D. Frei Gonçalo Ferreira faz reconstruir a Torre de Menagem (1450).
No século XVII têm lugar novas obras de reparo no castelo (1627). Nesta fase, a torre destacada a leste passa a ser utilizada como cadeia, função que desempenhará até ao terramoto de 1755.
Sendo a nomeação dos alcaides do castelo prerrogativa dos abades de Alcobaça, conhecemos que Geraldo Pereira Coutinho, lente de prima e cânones da Universidade de Coimbra foi nomeado como alcaide-mor do castelo, em 10 de Novembro de 1701.
Do século XIX aos nossos dias
Na primeira metade do século XIX, no reinado de D. Maria II (1826-1828; 1834-1853), já sem função estratégica ou defensiva, determinou-se arrasar o antigo castelo (1838), que foi considerado como extinto nas Atas da Câmara Municipal (1854).
Em meados do século XX, abandonado e entulhado, procedeu-se o aproveitamento da sua cisterna para o depósito de água potável a ser distribuída à população (1940). Poucos anos mais tarde, procedeu-se à reconstrução da muralha voltada para o Mosteiro, a partir de uma descrição deixada pelo Frei Fortunato Boaventura (1952-1953), bem como a obras de limpeza do monumento e da sua área envolvente, incluindo-lhe os acessos, por ocasião da visita da rainha Elizabeth II de Inglaterra a Portugal, quando visitou Alcobaça (1956). Na década de 1960 novos reparos de pequena monta foram efetuados (1965).
Classificado como Imóvel de Interesse Público por Decreto publicado em 12 de Setembro de 1978, escavações arqueológicas realizadas no seu recinto num projeto de quatro anos iniciado em Agosto de 2002, com fundos municipais, buscam elucidar questões relativas à época e autoria da fundação do castelo. Os trabalhos são coordenados pelos arqueólogos Jorge António e Manuela Pereira, à frente de um grupo de voluntários e alguns trabalhadores da autarquia.
Características
Na cota de 69 metros, o castelo apresenta planta irregular orgânica, nos estilos românico e gótico.
Subsistem os muros da primeira cerca, em cantaria de pedra calcária, reforçados por sete cubelos de planta quadrangular e mais um torreão destacado pelo lado oeste (torre de menagem), voltado para o Mosteiro. A leste, ergue-se uma torre albarrã, entre o recinto interno e a barbacã de planta ovalada, reforçada, no lado oeste, por quatro cubelos (dois de planta semicircular).
Ligações externas

O Wikimedia Commons possui multimedia sobre Castelo de Alcobaça
Castelo de Alcobaça (IPA / DGEMN)
Instituto Português de Arqueologia
Castelo de Alcobaça (Pesquisa de Património / IPPAR)


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