domingo, 19 de setembro de 2010

M 298 - O POVO QUE ACLAMA É O POVO QUE REPUDIA...

D.MIGUEL EM ALCOBAÇA


Alguns portugueses, talvez a maioria, adoram as figuras messiânicas ou mais prosaicamente preferem quem os conduza ou quem por eles decida.
Vamos com mais de oito séculos de história e muitos nos consideram fracos e sem alegria.
Tudo o que fazemos de bom, e é muito, é quase ignorado pela maioria. Vivemos sobre uma linha ténue entre o orgulho de ser e a recriminação vulgar.
A propaganda faz de nós o que quer sem interrupções.
“(…) Aclamado em todo o lado por imenso povo que chegou a romper as grades da da Igreja do Mosteiro de Alcobaça”.É com estas palavras que a Gazeta de Lisboa de 28 de Agosto de 1830 relata a visita a Alcobaça do Rei D.Miguel no dia 8 de Agosto desse ano.
O Rei desmontou do seu cavalo em frente à escadaria do patim e subiu os degraus com estudada lentidão sob um palio para receber os cumprimentos das autoridades civis e monásticas.
À direita da entrada Alcaide, Juiz, Oficiais de Polícia; forças vivas à esquerda a congregação tendo à sua frente o Abade, miguelista convicto.
O povo de Alcobaça e dos Coutos descontrola-se sob a escadaria e envolve o Soberano. Procura trocá-lo , olhá-lo nos olhos.
Os mais grados, após o Te Deum, virão beijar-lhe a mão numa sala preparada na hospedaria da Ala Norte.
D.Miguel ,como refere Armando Malheiro da Silva, deslocava-se pelo Reino com “aparato festivo”. Em Alcobaça pintou-se o casario da vila, limparam-se as ruas, ergueram-se no Rossio arcos festivos.
Distribuiu o Rei esmolas, determinou a libertação de presos. A imagem messiânica do Rei Absoluto esculpia-se nestas decisões, sendo o beija-mão um quadro importante do cultivo da imagem do Rei, que terminara com o devaneio constitucional.
Visitar Alcobaça se por um lado sublinha a religiosidade do Soberano significa também o alinhamento com a herança de D.Afonso Henriques.
D.Miguel é um Rei que governa. Dissolveu as Cortes apresentando-se perante os Deputados com os atributos simbólicos do Absolutismo: a coroa, o ceptro e o manto. A imprensa está ao seu serviço e o Rei circula mostrando-se ao povo num momento em que a guerra civil iria estalar no Porto.
Os rituais perante o desastre iminente davam legitimidade ao Soberano, uniam o Rei ao povo.
O Rei visitara o novo edifício da Biblioteca no seu esplendor. A grande sala com galeria sob um tecto decorado a estuque, com pinturas ingénuas orientalizantes nos vãos das janelas, debruçadas sobre o Jardim do Obelisco. O Cartório, sob a grande sala merece ,também a visita do Rei.
Para o Cenóbio a visita do Rei Miguel significava o regresso do Antigo Regime, o afastamento das doença liberal, a recuperação da ordem hierárquica.
Quando o Rei sabe que algum povo de Aljubarrota derrubara o Arco da Memória em conflito com o Mosteiro, após a revolução de 1820,manda reerguê-lo assinalando o gesto com lápide apropriada.
O povo que aclama é o povo que repudia. Aplaudiram o liberalismo. Aplaudem agora o Absolutismo.
Em grupo o povo derrubou o Arco. Em grupo o povo aclama a reconstrução.
Três anos depois a Congregação abandona o Mosteiro antes da extinção das Ordens. A Coroa procurará evitar o pior do abandono.
Valendo-se da cláusula da Carta de Doação de Afonso Henriques à Ordem de Cister, que impunha a restituição da Doação ao Rei em caso de abandono ,o Governo Constitucional do Reino chamou a si o grande Mosteiro, procurando evitar vandalismos de monta.

Rui Rasquilho

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

M 297 - ATÉ SEMPRE AUREA DA MATA

HOMENAGEM À NOSSA QUERIDA AMIGA

Em memória de Áurea da Mata (1951-2010)
6 de Setembro: Dia triste para a história de Turquel.

Áurea da Mata vista pelo pintor António Aboim Sales




Carta a uma amiga que partiu
Olá Áurea !
Minha querida amiga e colega de tantos e tantos anos.
Não esperava que me surpreendesses assim tão definitivamente.
Deixaste tanta gente que te amava e partiste com o teu sorriso maroto.
O teu maior desejo era ver todos felizes, principalmente as crianças.
Sempre atenta às necessidades dos outros e agias sempre para prestar a ajuda necessária.
Deixaste tantos projectos para trás...
Os teus poemas que criavas com tanto talento e as tertúlias que organizaste...
As estórias contadas às crianças e as estórias e lendas de encantar contadas a todos os que gostavam de te ouvir.
As palhaçadas no Carnaval e não só.
O dia do teu aniversário, nunca conheci ninguém que celebrasse a vida assim com tanta alegria.
Os teus jovens da catequese e as campanhas que sempre faziam no natal sempre para auxiliar alguém que precisasse.
As nossas horas de almoço, lá na sala a descansar e a crochetar para as nossas netas.
Tínhamos ainda tanta coisa para partilhar.
Mas tu partiste e agora fisicamente não te poderei mais encontrar e dizer olá sorrindo.
Mas tu partiste subitamente para o plano espiritual e agora estás em paz e tranquilamente nos observas atenta.
Descansarás um pouco até te habituares à tua nova vida eterna.
Logo encontrarás o que fazer; dar a mão às crianças e fazer uma canção de roda, algum jogo ou uma corrida bem animada.
depois virás em sonhos confortar os teus amados e encaminhá-los neste vale de lágrimas.
Se puderes passa por aqui, gostava tanto que me pudesses visitar em sonho, será que é pedir muito?
Dá beijinhos aos nossos meninos e amigos que te receberam aí, o Tó Zé, a Carina o Frederico, a nossa amiga Jú e todos os que contigo privarem.
Fica em paz amiga e não te esqueças de nós.
Beijinho da "Guiga"
Margarida Bogalho

Poema de despedida
Morreste e bem antes dessa nefasta hora
eu o adivinhava aqui ontem, como agora
numa aurora sentida longe de Belém.


Morri também por ti um pouco, fiquei fora,
voz embargada, rouco, chorei
e por ti, mais triste, menos eu


Mataste-me a esperança de noites lindas,
agora simples breu,
divididas
por todos os que tu carregavas
como um feliz fardo
morreu-me por ti meu bardo,
pesou-me nesta hora a vida,
como um fardo.


Amor de todos
felicidade a rodos
de quem com tanto orgulho,
te contemplava
e nestes versos brancos
te procuro, em soluços,
em arrancos de lava,
tento aligeirar tua mortalha
faço teu luto, com o peso abrupto
de saber-te, Deus me valha,
longe de nós
e de não mais poder ver-te,
ouvir a tua voz,
talvez lá longe nas alturas do Olimpo,
em nuvens de dourados pós.


Longe, perdida em nevoeiros de uma outra vida
ou em Céu azul de nuvens limpo
quero que vivas para todo o sempre
e honrar, aqui na terra, tua glória,
Áurea tão querida em mim presente.


Não nos disseste Adeus,
nunca me despedirei de ti
e eu jasmim que sou,
não poderei da rosa
da felicidade em verso,
da alegria em prosa
com que a todos nos brindaste,
com que brincaste
amorosa
minha Áurea. Poalha dourada
desta silvestre estrada,
nunca de ti me despedirei,
nunca o farei, minha querida.


Áurea Benedicta sejas em tua glória
Que o teu exemplo floresça
entre todos os que de ti beberam
que por ti foram, aconteceram, amanheceram,
e em tuas asas mais livres voaram.
Por ti Áurea, muitos, melhores ficaram.


Que em vez de um simples templo,
de um monumento,
de um lúgubre lamento,
nasça o teu exemplo,


Cantemos a tua vida a tua historia,
honremos teu cristalino pensamento
como a festa do amor mais alto acontecida
que a todos deste,
em que em tua vida te perdeste.

Cansando-te em estrada cheia e agreste
zombando de honrarias de que te rias
e despindo-te de luzes, em sonora gargalhada
carregavas cruzes e chagas de amor


Áurea minha mais rica e alegre Rosa!
Levantemos agora e sempre teu acreditar
ajudemos todos os que sem ti ficaram
a voltar a sonhar! Oremos a todos os Santos!


Ajudemos agora nós,
com menos prantos
Todos e tantos
que por tua perca ficaram sós,
te choraram e tão pobres ficaram


Saibamos ser sua nova voz,
o que sempre quiseste, ser,
seremos nós
num florido amanhecer
uma gloriosa esperança agora acontecida,
honrando o azul Celeste da tua vida!
António Sales


Brincar com coisas sérias como ela sempre fazia
Áurea, mulher e esposa, mãe galinha,
Áurea, educadora, e conselheira,
Áurea, catequista, com fé e linha,
Áurea, animadora, sã cantadeira.


Áurea, poetiza, contadora,
Áurea, dirigente patinagem,
Áurea, humilde, simples, lutadora,
Áurea, doente, mulher coragem.

Deste muito, talvez até demais,
Boa amiga, colega, a ninguém lesa,
Gratos são, miúdos, jovens e pais.

Desta vida exemplar, um senão!
P’ro Céu alma tão grande, aos anjos pesa,
Disso, por certo..., terás o perdão.
Augusto Luís


Despedida desta vida
(dedicada á memória da amiga Áurea da Mata)


Quando nasce uma pessoa,
Seja má ou seja boa,
Traz o destino consigo.


Nesse destino estava marcado,
Levando-te para outro lado,
Todos vamos ter contigo.


No dia 06 de Setembro,
Bem triste que bem me lembro,
No ano de dois mil de dez.


Partiu Áurea Fernandes da Mata,
Que muita gente lhe é está grata,
Por muito bem que lhes fez.

Com cinquenta e nove anos de idade,
Partiu para a eternidade,
Deixaste esta peregrinação;


Esta terra e a tua vida,
Toda a gente que te é querida,
Mas que te guarda no coração.


Ó Áurea nossa amiga,
Na boca sempre uma cantiga,
Com uma graça também.


Mas quis então o destino,
Que em Turquel tocasse o sino,
E fosses para a Virgem Mãe.


Tu amavas as crianças,
Elas são nossas esperanças,
Para o futuro de amanhã,
Ensinavas-lhe boas maneiras,
Com regras e brincadeiras,
Para terem uma vida sã.


Tantas te passaram pela mão,
Te trazem no coração,
Algumas já são mães e pais,
Elas nunca se esqueceram,
Do quanto contigo aprenderam,
Ainda hoje queriam mais.


Mas isso não aconteceu,
Alguém te chamou lá do Céu,
Quis a tua companhia.
Aceitamos com amor,
É a vontade do Senhor,
Só nos resta a nostalgia.


Até sempre a amiga:
Sofia Francisco


Até à vista Áurea


Áurea minha colega e amiga,
Muitos anos de convívio,
Que tivemos nesta vida,
São muitas recordações que esquecê-las não consigo.


Desde o trabalho à poesia,
E outras tantas actividades,
Tantas coisas que fazer,
Que sinto já as saudades.

Quero prestar homenagem,
Com esta minha mensagem,
De carinho, ternura e amor.

Desejo de meu coração,
Que os anjos te levem pela mão,
E te receba Nosso Senhor.


Soneto dedicado à amiga Áurea da Mata de autoria de:
 Sofia Francisco


Sentida Homenagem Para Ti Querida Amiga


Mais uma flor
Que Deus veio buscar
Estamos todos aqui para
A última homenagem te prestar
Adeus Áurea, estamos aqui
Com todo o nosso coração
Que os anjos te guardem no céu
E te ofereçam protecção

É com muita tristeza
E dor no coração
Que estamos junto de ti
Nesta celebração


Estão aqui todos os teus amigos
Com muito carinho e amor
Pedindo aos anjos que te levem
Para junto do Senhor


Neste momento de dor
E de grande sofrimento
Entregamos-te ao Senhor
Que Ele, tome conta de ti a cada momento


Partiste querida irmã
Sem dizer nada a ninguém
Agora descansa em paz
Na Eternidade também


Aos teus familiares
Eu desejo do coração
Que aceitem com Amor
A tua separação


É para nós muito doloroso
Ver partir alguém de quem gostamos
Mas faça-se a vontade do Senhor
Porque nós não mandamos

Numa graNde doença
Ou num acidente repentino
Todos temos que pela morte passar
Quis assim o destino

Juntos todos em oração
Neste momento de dor
Rezemos pela nossa irmã
Que partiu para junto do Senhor

Adeus Áurea até um dia ?

Elaborado por Maria Rosa Marques

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

M 296 - À DISTÂNCIA NO TEMPO...TEMPO DE VIVER...

TEMPO DE VIVER

Corre-me o tempo
por entre os dedos da mão.
Solta-se-me a vida,
num sopro,
num suspiro do coração.
Faz-se-me pensamento,
uma qualquer louca ideia,
trazida por um qualquer vento.
Abre-se-me o sorriso,
talhado por machada aguçada,
sobre os meus lábios fechados.



Encontra-me a paz,
num perfeito,
e prolongado abraço,
porque já pude escrever,
o que me foi no coração,
em noites de não saber,
se me feria o bruto aço,
de recordação magoada,
ou a memória esquecida,
do que não queria esquecer.


Mas será que perceberam,
que eu já andei perdido,
à procura do meu nada,
em noites de terrível insónia,
a suar o já suado
medo que me atormentava,
num tão recente passado,
feito de longas esperas,
atrás de árvores deitado,
de alguém que por ali passasse
apenas para ser “acabado”?


Mas será que entenderam,
as horas amargas passadas,
em matas que não conhecia,
e que nada tinham a ver,
com o Pinhal de Leiria?

Mas será que compreenderam
que coisa medonha é a guerra,
que se agarra ao nosso ser,
toma-nos conta da vida,
faz parte do nosso dormir,
chora-nos quando acordados,
e persegue-nos para sempre,
até nos darmos à terra?


Eu sei que é muito difícil
a quem não viveu assim,
perceber o medo entranhado,
vencido pela coragem,
que mais parece loucura,
do que atitude segura,
que nos imprime uma marca,
tão invisível,
mas presente,
que faz os outros pensarem
o que fez tão louca,
esta gente!


Que linguagem é esta,
que brota dos nossos lábios,
incompreensível aos outros.
As palavras são as mesmas,
mas têm um significado
que só nós podemos entender.
E por vezes,
oh, coisa estranha,
vem misturadas com outras,
palavras “arremedadas”,
dum português africano,
precisas para perceber,
aqueles que connosco estiveram,
lá longe, tão longe,
que já não os podemos ver.


Tens que te adaptar,
força-me a vida,
julgando ser fácil esquecer,
aquilo que não quero lembrar.
Ou talvez queira,
sei lá eu bem,
nesta vida em turbilhão,
em que não me reconheço,
perdido na multidão.


Fecho as mãos,
fecho os dedos,
com força,
até doer,
para que o tempo não escape,
ao tempo que ainda tenho,
e que tenho de viver,
pelo menos numa homenagem,
àqueles que “vi” morrer.
JOAQUIM MEXIA ALVES


Depois da Guiné, à procura de mim
Monte Real, 2 de Agosto de 2010
Joaquim Mexia Alves
O tempo presente (1)

In blog "Luis Graça e Camaradas da Guiné"-Postagem 6961.
Mensagem de Joaquim Mexia Alves*, ex-Alf Mil Op Esp/RANGER da CART 3492, (Xitole/Ponte dos Fulas); Pel Caç Nat 52, (Ponte Rio Udunduma, Mato Cão) e CCAÇ 15 (Mansoa), 1971/73, com data de 6 de Setembro de 2010:

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

M 295 - CEM ANOS DEPOIS ... UMA ANÁLISE ECONÓMICA DA IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA


O distrito de Leiria nas vésperas da revolução republicana de 5 de Outubro de 1910

Um relativo consenso historiográfico situa na 2ª metade do século XIX as causas do atraso da economia portuguesa, relevando a sua incapacidade em acompanhar os ritmos de modernização tecnológica e de competição nos mercados internacionais. As explicações do fracasso filiam-se tanto em razões de natureza exógena, como nas características endógenas ou estruturais do país. Encontram-se na nefasta relação comercial com a Inglaterra que leva a uma orientação exclusiva da economia para o sector primário, nomeadamente a produção vinhateira, o que obstaculiza o arranque industrial têxtil; na localização periférica do país face à Europa industrializada; no espírito aristocrático das classes dominantes com um grande grau de rejeição do investimento produtivo e da inovação; na mundividência pré-capitalista da sociedade portuguesa; na estrutura fundiária e regime de exploração da terra, acentuando a dificuldade e lentidão das transformações jurídicas e da inovação do sistema produtivo; na escala da economia, nomeadamente a debilidade do mercado interno e do poder de compra das populações; na sangria demográfica para as Américas, em virtude de um mercado de trabalho incapaz de cativar os migrantes rurais; na exiguidade ou subexploração dos recursos naturais, nomeadamente matérias-primas e combustíveis; na falta de oferta de crédito ou numa política de juros incomportavelmente elevada; na má condução da esfera política e, não menos importante, no fraco índice de escolaridade da população (cerca de 75% de analfabetos à entrada da República), entre outros argumentos.
Não obstante os esforços industrializadores que podem ser constatados nos Inquéritos Industriais de 1881 e 1890, no dealbar da 1ª Guerra Mundial 60% da população activa trabalhava na agricultura e a riqueza produzida por este sector duplicava a da economia industrial.
A industrialização era incipiente e ancorava-se em sectores da 1ª vaga. Em 1881, a indústria têxtil representava 55% das unidades fabris e manufactureiras, 53,8% dos operários e 67,6% da energia obtida através da máquina a vapor.. A potência total instalada estava então calculada em 7.052 (CV).
A indústria apresenta-se concentrada em Lisboa e no Porto e nalguns pólos tradicionais, como a Covilhã e a Marinha Grande…, mas a pulverização do tecido industrial constitui a norma. A energia obtida pelas rodas hidráulicas continua a fazer frente à máquina a vapor e a fábrica embora ganhe primazia no ramo industrial vê ainda a produção oficinal e doméstica ocupar 90% da mão-de-obra operária. É verdade que o esforço da Regeneração tinha garantido as acessibilidades e a mobilidade com uma rede de estradas, pontes e ferrovias, facilitado as comunicações com o telégrafo, a livre criação de sociedades anónimas (1867) que contribuíram para reduzir o risco dos investidores, a emergência de um corpo de novas indústrias de 2ª vaga (adubos químicos, em 1884; tintas e vernizes, em 1888; cimentos, a partir da década de 90), uma taxa de crescimento industrial superior à agrícola (2,5% ao ano contra menos de 1% ao ano entre 1851 e 1913). Mas a competitividade nos mercados internacionais estava condicionada ao sector das cortiças (com maior peso em Lisboa e Évora) e conservas de peixe (em Setúbal, Espinho, Ericeira e no Algarve) e o estrangeiro dominava ¼ da renda comercial e industrial. Portugal não conheceu uma revolução industrial à boa maneira inglesa, pautando-se por um arranque tímido e um crescimento difícil.

Migramos agora para o distrito de Leiria.
A dominância do mundo agrário é sufocante.
 A agricultura assume-se como a forma dominante de investimento, de criação de riqueza, de trabalho e as elites regionais continuam a encarar a propriedade como uma fonte de reconhecimento social.
O regime de exploração da terra insiste em privilegiar os contratos de aforamento/arrendamento em detrimento da exploração directa e a maioria destes contratos alicerça-se na longa duração.
 Nota-se ainda uma lentidão extrema na transição das pensões em géneros para moeda (o que demonstra a deficitária monetarização da economia), permanecendo os foros a ser pagos em cereais e vivos.
 Mas não são apenas estes os problemas que tocam a agricultura do distrito.
A deficiência da gestão agrícola materializa-se na promiscuidade e tradicionalismo cultural, na carência de adubação e mobilização do solo, na má regra de plantação e compasso, na dificuldade de aquisição de máquinas e alfaias modernas, em suma, uma agricultura diminuída nos métodos e técnicas, na questão complexa da posse e dimensão da propriedade e dos foros, na capacidade de inovação e na relutância em abraçar o modelo capitalista de exploração da terra.
A revolução liberal e as políticas económicas daí decorrentes não provocaram mudanças substantivas nas relações materiais de produção dos campos.
 É certo que se verificou um relativo desafogo com o desmantelamento gradual das estruturas senhoriais. No relatório da “Sociedade Agrícola do Distrito de Leiria (1856) ” afirma-se que, a partir de 1834, se deu um incremento significativo da cerealicultura no distrito, o que lhe faculta a exportação de aproximadamente um décimo da colheita.
 Este progresso é atribuído pelos lavradores avisados ao seguinte corpo de razões:
“1º Extinção dos dízimos;
 2º Venda dos bens nacionais e sua divizão;
 3º Remissão dos foros;
 4º Aumento da população;
 5º Liberdade e o socego que os povos tem governado com o acabamento da guerra civil”.
Mas aprofundemos a análise.
 A partir da segunda metade do século XIX são tomadas medidas de política agrária que afectam a coabitação de incultos com as áreas de produção.
 A lei de desamortização dos baldios (1869) acelera a destruição da propriedade comunitária, o que no distrito se traduz quer num fenómeno de concentração da propriedade, quer na democratização de acesso à propriedade plena da terra.
 Mas a perda dos baldios traduziu-se em grandes dificuldades para a lavoura campesina que dependia destes espaços para fertilizar as terras de cultivo, conduzindo a atrasos na emancipação global do pousio e opção por novos afolhamentos, levando a quebras acentuadas de produtividade do solo...
Mais ainda, estas terras marginais não eram aptas a culturas cerealíferas revelando um esgotamento precoce.
Articulada com a lei de desamortização temos a abolição do compáscuo decretada com o Código Seabra de 1867, o que limitou o pastoreio itinerante salvaguardando o superior interesse do proprietário como bem mandava a cartilha liberal, mas, em contrapartida, acentuou a fragilidade económica do mundo campesino.
A escassez de pastos naturais e de recursos forraginosos, a fragmentação acentuada da propriedade e a dedicação do solo para amanho travaram a empresa pecuária.
 O distrito não dispunha de criação de gado equino e bovino, o que colocava problemas no fluxo de cargas, na força de tracção disponível e tinha reflexos na dieta alimentar.
 Sem estrumes animais e vegetais o índice de produtividade das terras conhecia um declínio.
O parque florestal vai também conhecer importantes modificações com o termo do Antigo Regime e o advento da sociedade liberal a floresta sustentável dá paulatinamente lugar à floresta industrial.
Verifica-se o declínio das matas de folhosas (arroteamentos agrícolas, derrotes para construção e carvoaria) e altera-se o sistema de exploração (de alto fuste para talhadio).
 Cresce a área de pinhal com maior expressão no litoral e as madeiras de pinho servem de combustível à indústria têxtil, vidreira e cerâmica, exportando-se por via marítima ou através do comboio os excedentes produtivos.
 A indústria de resinagem conhece um importante incremento no distrito (no ocaso do século XIX sangraram-se 400.000 árvores nos concelhos de Alcobaça e Leiria).
No domínio da cerealicultura a novidade aporta com o prolífico arroz.
O arroz (cultivavam-se as variedades carolino e galego) impõe-se por meados do século XIX como uma cultura de matriz capitalista, desestruturando as tradicionais relações entre proprietário e rendeiro.
 A cultura do arroz (a par da amoreira) é considerada como uma bênção celestial pelo governador civil de Leiria (1854) face à crise do oídio nas vinhas.
 Verifica-se, então, um notável incremento orizícola nos campos de Leiria, de Alfeizerão e Cela (Alcobaça).
Mas as sezões palúdicas (malária) que atingem os trabalhadores e povoados limítrofes dos arrozais não autorizam a manutenção da cultura. Os arrozais por falta de condições técnicas e de salubridade são proibidos no distrito em 1871.
A propriedade explorada sobre administração directa privilegia o olival e a vinha.
A cultura extensiva do olival é predominante na província da Estremadura (aliás, era nesta província que o olival tinha maior expressão, seguindo-se-lhe as Beiras e o Alentejo).
 No distrito de Leiria a mancha de olival ocupa a Serra de Aire e Candeeiros (o que faz dos concelhos de Alcobaça e Porto de Mós, os maiores produtores).
O olival representa uma das principais fontes de abastança do distrito. Não é por acaso que o Governador Civil D. António de Sousa Macedo declara em 1854 que “um bom anno de azeite produz isto tudo, augmenta os bacelos, acrescenta os lagares, multiplica as charruas, alarga as sementeiras, desenvolve a indústria, emprega a mão-de-obra, dá salário aos trabalhadores".
 Mas este fácies cultural altera-se radicalmente na economia de guerra da primeira confrontação mundial.
A necessidade de combustíveis conduz ao derrote exaustivo de grandes áreas de olival, mas a conjuntura de guerra não é a única responsável pela delapidação deste património.
Também a senilidade das explorações (falta de renovo e de culturas de consociação) conduziam a uma quebra irreversível da produtividade, a que acresce a carência e aumento de custo da mão-de-obra em virtude da emigração.
A vinha vai assumir-se ao termo do século XIX como um sector de inovação e motor da lavoura.
 Mas recuemos um pouco no tempo.
 Ao longo do período da Regeneração a vinha é atingida por sucessivas doenças responsáveis directa e indirectamente por uma verdadeira revolução neste sector.
 O oídio começa a fazer estragos no distrito a partir de 1852 com quebras abruptas na produção.
 Ultrapassada esta crise na década de 60 a cultura vinhateira dispara e os vinhos do distrito passam a abastecer a França que se deparava, a partir de 1863, com a praga da filoxera a devastar a totalidade das vinhas.
 Em 1867 o Douro vinhateiro é atingido, mas o distrito de Leiria só conhece o primeiro foco de infecção em 1882.
 O repovoamento da vinha europeia sobre os bravos americanos faz-se de forma quase imediata no distrito, enquanto no Douro insistiu-se no sulfureto e na replantação de castas europeias.
A filoxera implicou uma verdadeira revolução que se pode sintetizar nos seguintes aspectos: substituição total da vinha de pé-franco pelas americanas; implantação da vinha em solos de várzea; novas regras de compasso, alinhamento e mobilização; exclusão das culturas de consociação; primado da enxertia; importação de castas francesas; adopção de novas alfaias vinhateiras; adubações e tratamentos.
 Os resultados materializaram-se em ganhos de produtividade de cerca de 1/3.
Por seu turno, o fabrico do vinho conhece uma profunda revolução química e mecânica.
 A vinha pós-filoxera ganha grande incremento e o vinho abastece o Brasil e as colónias africanas.
Os mercados europeus nomeadamente o inglês e francês recusam os vinhos portugueses que por serem aguardentados exibem um teor alcoólico demasiado elevado.
Naturalmente, os investimentos de replantação, renovo da maquinaria vinária e o capital de conhecimentos para produzir vinho afastam os camponeses da produção de mercado.
Excluindo as explorações vinhateiras a tecnologia agrícola marca passo. Os lagares de azeite mantêm o arcaísmo tecnológico, com as prensas de vara e os moinhos ultrapassados, o período de entulhamento excessivo, problemas de salubridade, erros de produção (queima e salga do azeite, junção dos azeites das espremeduras...), o que leva à recusa do azeite português no mercado europeu.
A debulha mecânica do trigo divulga-se timidamente nas primeiras décadas do século XX, enquanto no Alentejo as debulhadoras já eram vulgares na década de 80 do século XIX.
 A própria tracção das alfaias continua a ser entregue ao gado bovino. No sul de Portugal, o cavalo já se encarregava desta tarefa a partir do último quartel do século XIX.
Na indústria salva-se o precioso pólo vidreiro da Marinha Grande e a resinagem graças à floresta de pinho.
 O distrito possui todavia unidades de fiação e tecidos (Castanheira de Pêra e Alcobaça), louças (Caldas da Rainha), curtumes, cerâmica, conservas de frutas...
 Nas indústrias extractivas temos em Alcobaça as minas do asfalto, na Batalha as de carvão, e no concelho de Leiria minas de carvão, de lenhite, de ferro, de gesso e de cimento.
Os trabalhos e os dias das populações do distrito de Leiria e a força da economia continua dependente da agricultura, imagem que não destoa do todo nacional.


António Valério Maduro

M 294 - O QUE MARCA CADA GERAÇÃO ?

GERAÇÕES

Ao arrumar recentemente “uns papéis”, que poderão vir a ser um dia parte de um” livro de família” ,encontrei um texto de que já não de lembrava. Apesar de ter sido escrito há uns 4 ou 5 anos pareceu-me actual pelo que resolvi partilhá-lo com a minha mais “recente” família: a do meu blog.
Aqui vai portanto um arrazoado sobre “Gerações”.
A definição que vem nos dicionários refere-nos – entre várias coisas – que GERAÇÃO é descendência, linhagem ,estirpe, ascendência, grau de filiação e conjunto de indivíduos da mesma época.
O que marca cada geração?
Sem dúvida que factos, memórias e afectos à mistura com graus diferentes de cultura, de vivência familiar, de profissões, de horizontes e, porque não reconhecê-lo, de desafogo – ou falta dele – em termos económicos.
No que respeita a factos - internacionais, nacionais ou locais – eles podem marcar obviamente mais do que uma geração, embora possam ter sido na altura – em função das idades – mais ou menos importantes. Podem ter chegado fortes ou ...esfumados no tempo!
Cito um caso pessoal não muito distante no tempo.
Em Março de 2004 esteve num colóquio em Alcobaça o antigo atleta Carlos Lopes (então com 57 anos) que em 1984 foi Campeão Olímpico da Maratona em Los Angeles.
Foi o primeiro atleta português a ganhar uma Medalha de Ouro nuns Jogos Olímpicos .Toda a minha geração ( contava então 44 anos) e com certeza que a anterior e a seguinte retiveram na memória este facto marcante e único nas suas vidas.
Pois em Março de 2004 na Escola Secundária D.Inês, num auditório cheio de jovens dos 15 aos 18 anos o antigo atleta Carlos Lopes, dizia muito pouco ou mesmo nada para aquela geração.
É que já tinham passado 20 anos e os ecos da sua proeza... tinham-se esfumado no tempo!
Com as memórias passa-se o mesmo.
Em 1961 eu estava a cumprir Serviço Militar em Lisboa e ... o Presidente Kennedy foi assassinado em Dallas. Foi um facto longínquo mas que a televisão e os jornais transportaram até mim e ... que mais não esqueci.
Porque foi marcante e... com 21 anos... eu tive a sensação que aquele facto ia mudar o Mundo.
Em 1945 tinha acabado a 2ª. Grande Guerra Mundial – um facto marcante para milhões de pessoas -. Eu tinha 5 anos e... os ecos desse acontecimento tão importante... chegaram-me “esfumados”, embora mais tarde os livros , o cinema e... os acontecimentos da “Guerra Fria “ que se seguiu... me tivessem marcado.
Porque entretanto o tempo passou por mim- o meu grau de cultura aumentou ,a minha situação económica melhorou – e tive oportunidade de cimentar as minhas memórias! Envelhecer também tem algumas vantagens!
E porque participei na Guerra do Ultramar que, como é conhecimento geral ,decorreu entre 1961 e 1974, e afectou milhões de Portugueses também sou mais sensível a outro tipo de factos que a outras pessoas dizem menos.
E isto tudo para dizer que há muito tipo de factos que, dependendo das circunstâncias, nos marcam em “graus” diferentes.
Daí a dificuldade do tema mas também... o seu fascínio.
Os exemplos atrás citados dizem respeito a factos nacionais e internacionais.
Faltam os locais que, na história de uma Família, são obviamente importantes.
E nestes acontecimentos locais funcionam muito os laços do parentesco – os afectos – que nos marcam nas coisas boas e nas más.

As boas recordações da 4ª. Feira de cinzas em Chiqueda, das festas (Senhora dos Enfermos), dos casamentos e ... as tragédias das mortes prematuras resultantes de acidentes, de doenças súbitas!
O orgulho pelos nossos familiares que se distinguiram em feitos desportivos, que conseguiram cursos superiores, que na sua simplicidade, que na sua humildade foram grandes em dignidade e ... passaram à posteridade.
De tudo de bom e...de mau ... que é feita a vida!...
E depois... a importância das profissões!
Os moleiros, os serralheiros – os “artistas do ferro” – das primeira e segunda gerações, os comerciantes bem sucedidos, os empresários, os arquitectos, os políticos, os médicos, os bancários das terceira e quarta gerações!
E os bombistas, os revolucionários, os românticos, os “saudáveis malucos”, os pândegos!
E depois ... a gente anónima!
E... finalmente ... as mães de família, as donas de casa... a gente boa.
O orgulho de ser duma família .Pertencer a um Clã ....
GERAÇÃO é descendência, linhagem ,estirpe, ascendência, grau de filiação e conjunto de indivíduos da mesma época...
Por tudo isto ...é muito importante registar …”para memória futura” … os factos e as memórias que marcaram cada geração de cada Família.
Digo eu...
JERO











segunda-feira, 6 de setembro de 2010

M 293 - PERDEMOS A ÁUREA


PERDEMOS A ÁUREA DA MATA

Caros Amigos
Acabei de saber pela Vanda Marques que perdemos hoje a nossa querida amiga Áurea da Mata. A Áurea tinha sido operada dia 3. Trocámos e-mails e mensagens antes do dia 3.Estava confiante e desejosa que chegasse essa "meta" para a ultrapassar. Ainda ontem lhe mandei um SMS brincalhão a perguntar-lhe como estava. Infelizmente já o não deve ter lido.
É um choque brutal para todos nós perder uma pessoa como a Áurea da Mata.À sua maneira era única. Generosa, autêntica. Uma grande mulher . Deixa um lugar vago …nas suas tertúlias…na sua poesia…junto dos seus amigos. E como vão os seus familiares ultrapassar tão grande perda!?
Escrevo a quente…Como gostaria a Áurea que a recordássemos? Julgo que com um sorriso…não é fácil mas vou tentar….Não mais esquecerei a sessão privada que fez, em Alcobaça, para os meus netos Pedro e Mariana representando, como só como ela o sabia fazer, a Zebra Camila.
Foi uma noite inesquecível que...nada pode pagar.
Obrigada Áurea.
JERO

(Na foto,à esquerda, com o seu parceiro Pedro,na sua Tertulia de Poesia, no Armazém das Artes,em Alcobaça).

Em sua semória e com todo o respeito pelos seus familiares reproduzo seguidamente os últimos mails que trocámos.


Quem havia de dizer que seriam os últimos…
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Jero
Não mereço tanto, do que tenho recebi dos meus amigos...
é verdade que começou mesmo a contagem decrescente. quinta, bem cedinho , lá vou eu.
Que Deus proteja também, quem vai ficar a pensar muito em mim e a quem faço tanta falta!!!!!!
bjo e obrigado
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Date: Mon, 30 Aug 2010 23:59:48 +0100
From: jotajero@sapo.pt
To: aureamata100@hotmail.com
Subject: Re: Dia 3 De Setembro....
Boa noite Amiga
Se é como eu, e julgo que sim, começou a contagem decrescente para o grande dia.
Que chegue depressa o dia 3 de Setembro.
Para todos que lhe querem bem a possam visitar, abraçar e ver sorrir.
E que possa começar uma nova contagem...na sua vida. Com fé, esperança e saúde.
Todos precisamos de si.
Até breve.
JERO


Citando aurea mata :
Olá amigos!!!
Dia 3 vai ser o dia
Em que vou ser operada
Tanta vez pedi mais cedo
Mas era opção errada


Segundo o que há 15 dias
O médico me disse como era
Primeiro há um tratamento
E só depois se opera


Muitas vezes os doentes
Sofrem por antecipação
Mas eles também não tem tempo
P’ra tanta explicação


É no dia dos 6 anos
Da minha querida neta
Mas calhou e tem de ser
Embora lhe custe!!!P’la certa!!!!


Só peço a Deus que corra bem, para não ficar muito tempo no hospital e poder ficar junto de quem muito precisa de mim.
A Sofia vai dia13 para Barcelona e eu desejava muito que a Carla e a Bruna já me tivessem por perto...
Vamos ACREDITAR! ACREDITAR.....
Grande beijinho e obrigado a todos pela vossa força, que tem sido muito importante para mim.
Áurea
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CONTADORA DE HISTÓRIAS
– “Foi mesmo assim!
A tão esperada visita da nossa amiga Áurea da Mata, foi pura magia: misteriosa, rápida, mas muito intensa e divertida!
 Uma perfeita poetisa e contadora de histórias com uma caixinha, mágica também!
 Ninguém estava à espera que de repente entrasse uma zebra no nosso Jardim de Infância da Tremoceira, mas entrou!
Era a Zebra Camila, que contou a sua história de quando o vento, bandido, lhe roubou 7 riscas do seu vestido! Chorou 7 lágrimas por as ter perdido, mas teve 7 amigos que a ajudaram, partilhando com ela algo de seu!
 Os pequenos gostaram muito da história, das rimas que ela tinha dentro, das perguntas e respostas e da canção que a Áurea cantava a fazer de conta que era a Zebra Camila.
Depois saiu da sala e logo de seguida já não era a Áurea que entrava, mas um ratinho (bastante grande...) que contava a história “A que sabe a lua?”.
 Nesta história a amizade e o companheirismo de diversos animais , dos maiores aos mais pequenos, é o que vai ser mesmo necessário para poderem saborear um pedacinho da lua, que afinal sabia àquilo a que cada um deles mais gostava. E dentro desta surpresa, uma outra surpresa que a Áurea nos trouxe: luas que se podiam comer e que souberam a coisas belas como estrelas, abraços, sorrisos, beijinhos...!
 Foi uma surpresa integrada na Semana da Leitura do Plano Nacional de Leitura e no Mês da Poesia do Município de Porto de Mós.
Obrigado Áurea da Mata! A tua visita foi muito especial para todos nós!” Retirado do blog “Pequenos Jornalistas” escrito pela educadora Graça onde a talentosa turquelense e nossa grande amiga foi contar 2 histórias, gostamos tanto do êxito que estamos a partilhar com todos vós...
In O PEQUENO MONTE CAMINHA SÓ! (postado em 8 de Abril 2010)
Blogue de opinião politica local (e não só) dedicado à Freguesia de Turquel



ATÉ SEMPRE...ÁUREA.



Última hora:
O funeral da nossa Amiga realizar-se-á amanhã, dia 7 (3ª.feira), pelas 17H00,para o Cemitério de Turquel.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

M 292 -MEMÓRIA DE MESTRE JOÃO SANTOS

UMA AGUARELA DE MESTRE ...



Em recente visita a casa de um amigo descobrimos uma lindísssima aguarela de Mestre João Santos, que “apanha” o Rio Alcoa na zona que passava junto da “Alimentícia”, que é hoje o espaço da Biblioteca Municipal.
A “descoberta” dessa aguarela ,que não conhecíamos ,“levou-nos” à pesquisa de alguns elementos bibliográficos sobre o Mestre João Santos, que nos deixou em passado recente.
Curiosamente foi o seu Professor da escola primária Elias Cravo que o recomendou para a fábrica de cerâmica “Raúl da Bernarda” onde ingressou como pintor-aprendiz em 1949.Contava então 13 anos.
A partir de aí João Santos percorre diversos “caminhos” sem sair da área da cerâmica. Passa pela fábrica de Armindo Almeida Ribeiro, muda de estado”(casa-se com 19 anos) e entra na “Vestal” onde permanece 22 anos!
Transita mais tarde para a fábrica de António Campos Libório, seguindo-se no seu currículo a Aljubal, “ onde pintou peças ao sabor da louça italiana”.
É uma fase da “nossa” faiança regional onde se produz mais louça de “sabor italiano” em Alcobaça que em Itália.
O ano de 1976 traz para o João Santos e para os seus grandes mudanças. Aposta na aptidão de seus filhos para a pintura e modelagem e abre então o seu próprio atelier.
Em 1979, fez uma exposição em Leiria. Em 1982, foi premiado pelo Banco Pinto & Sotto Mayor na “Ceramex”.Esse prémio de design foi-lhe atribuído para uma saca saloia de retalhos, feita em cerâmica.Esta peça tornou-se um autêntico ex-libris do Mestre João Santos.
Também na FIL, na “Ceramex” de 1991, o jornal “A Capital” falava do êxito de vendas obtido por João Santos.
Com a abertura do centro comercial Gafa, abriu também o seu primeiro salão de exposições.
Em 1992, mudou-se para a Rua Miguel Bombarda (ao lado da redacção de “O Alcoa”).
É uma fase em que se dedica a tempo inteiro ao artesanato, moldando e pintando as suas peças.
Faz também retratos a óleo e a carvão.E aguarelas.
João Fernando dos Santos que faleceu com 70 anos de idade, em 30 de Junho de 2006, deixou um legado de que Alcobaça se deve orgulhar.
Registamos aqui o nosso apreço pelo Mestre João Santos.


(alguns dos dados bibliográficos deste texto são retirados de um trabalho do Dr. Jorge Pereira de Sampaio, publicado em “O ALCOA” em 1 de Abril de 1993).
JERO