quarta-feira, 13 de junho de 2012

M - 422 MIÚDOS ESPECIAIS


PEDRO, O FUGITIVO

Apesar de reformado tento manter-me vivo... Vou a todas (ou quase…)!
 Na Universidade da Vida cursei “cidadania” e participo activamente nas “coisas” da minha terra. Já estive na direcção de variadas instituições.
Na Liga dos Combatentes, nos Bombeiros, no Clube de Natação, na ADEPA (defesa de património), no Armazém das Artes (fundação cultural), na AMA (associação de amigos do Mosteiro de Alcobaça), na Fundação Maria Oliveira (apoio a idosos) e no CEERIA (educação especial).
A história (com)vida de hoje tem como protagonista um jovem desta última instituição, fundada em 1976.
À data da sua fundação, o CEERIA procurou fundamentalmente ser uma resposta no âmbito da Educação Especial, acolhendo crianças e jovens que, dadas as suas características, possuíam necessidades especiais de educação, que não poderiam ser supridas no ensino regular. 
O Pedro, o jovem da fotografia com camisola de riscas, “assentou praça” na instituição com apenas 2 anos de idade. Hoje tem 20. Desde miúdo que, sempre que podia, se escapava da sala onde devia estar. Conquistou sem dificuldades de maior a alcunha de “o fugitivo”.
 Num jantar de Natal, que teve lugar há uns 2 ou 3 anos , foi meu parceiro de mesa. A certa altura peguei numa esferográfica e comecei a desenhar-lhe num pulso um relógio. O Pedro delirou com a brincadeira e fui acrescentando pormenores até parecer um relógio a sério.
Terminei o meu mandato e passei a visitar a instituição com menos regularidade.
Reencontrei-me como Pedro há dois dias atrás. A instituição fez uma arruada, para promover uma “semana aberta” de actividades e eu aproximei-me para cumprimentar os amigos e tirar umas fotografias.
Logo que me viu o Pedro sorriu e apontou para o pulso, onde eu tinha desenhado o “tal” relógio ,que tanto o divertiu numa ceia de Natal. Já não o via desde então.
Fiquei sem palavras e quando eles passaram tive que limpar com a mão uma lágrima “fugidia”…
Estes miúdos são mesmos especiais. Marcam-nos para a vida inteira…
Nunca mais vou esquecer este momento do meu amigo Pedro. "O Fugitivo".
JERO






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quinta-feira, 7 de junho de 2012

M - 421 HONRA À MEMÓRIA DE DONA NATÁLIA,DA BIBLIOTECA DE ALCOBAÇA


IN MEMORIAM MARIA NATÁLIA RAMOS
Durante anos e anos a “Dona Natália” foi o rosto mais conhecido da Biblioteca Municipal de Alcobaça. Quem queria fazer uma tese, um trabalho jornalístico, saber alguma coisa “antiga” sobre Alcobaça ia à Biblioteca e diziam-lhe:  Pergunte à Dona Natália, fale com a Dona Natália. Se a Dona Natália não souber…
E a Dona Natália aparecia e dava a sua ajuda. Consulte o livro tal, a página tal. Ou, em caso de dificuldade, ia ela própria buscar o “tal” livro. Foi assim durante anos e anos.
Há cerca de dois anos a Dona Natália deixou de estar presente na Biblioteca. Estava doente, estava com “baixa”.
E o tempo passou…
Quando se procurava alguma coisa “antiga” sobre Alcobaça vinha logo “à baila” o nome da Dona Natália. Que…continuava “de baixa”.
No passado dia 31 de Maio soube-se da “má nova”. Vitima de doença prolongada tinha falecido. Foi um choque enorme saber da sua morte. Afinal era uma senhora jovem.
Começou a trabalhar na Biblioteca em 1 de Julho de 1980.Iria fazer 55 anos em Setembro.
Maria Natália Ramos nasceu no Bárrio em 8 de Setembro de 1957. Ficou sepultada no cemitério de Valado de Frades, a localidade onde viveu os últimos anos da sua vida.

Deixa muita saudade .

 Será sempre recordada quando alguém procurar o “tal” livro…sobre Alcobaça “antiga”!
Até sempre Dona Natália.
JERO

terça-feira, 5 de junho de 2012

M - 420 ENIGMA DE CISTER


SER MONGE É SER LIVRE *
De uma multidão de homens sós, reúna-se um grupo, destinando-o a uma missão única.
O grupo em breve encontrará o modelo para o cumprimento da missão.
Estabelecerá então uma norma, uma regra, para que em todos exista um caminho. Nesse caminho haverá o vislumbre do objectivo que deverá ser único.
O grupo eleito não poderá afastar-se do cumprimento da regra para em conjunto melhor executar a missão.
Conviverão então num espaço singular e aí trabalharão e meditarão.
Percebe-se agora que procuram Deus usando um ritual de silêncio e renúncia. Usam um exercício de meditação e praticam a humildade e a obediência ao chefe, ao Pai que elegeram.
Sentem profundamente a importância do tempo num espaço confinado que criaram para aí procurarem Deus.
Ao espaço fronteira entre eles e os outros, o mundo, chamaram Mosteiro e desejaram-no austero e à escala deles próprios.
No território confinado, a Regra delimitou-lhes o caminho interior, condicionou-lhes o movimento, desenvolveu-lhes a solidariedade comunitária.
Tudo feito em liberdade. Ser monge é ser livre. Convivem agora com a Pedra iluminada e reaprendem que a luz é simultaneamente Deus e tentação.
Desde o deserto, onde pensam ter andado quando viviam sós, que a luz é uma fábrica de miragens e ilusões. O nosso Mosteiro, dirão uns aos outros, quebrando o silêncio, é Novo para nós próprios. O nosso Mosteiro, é um “espaço” entre o visível e o invisível , é um caminho a ser percorrido por cada um de nós e todos os de Cister no percurso para o claustro da Jerusalém Celeste.
Rui Rasquilho
*Texto do Prefácio do livro de Amílcar Coelho “ ENIGMA DE CISTER- O espaço entre o visível e o invisível” a ser lançado durante o “Congresso Internacional MOSTEIROS CISTERCIENSES.”

sábado, 2 de junho de 2012

M - 419 UMA DROGA DE VIDA...


Drogas legais, basta dizer que 
não são para consumo humano 

Todos os pais e jovens devem divulgar isto. Não deixem os vossos amigos, filhos e vizinhos sem saber o que se esconde numa simples ida à discoteca, ou numa viagem. As drogas assassinas venda legal?

Tem sido comum tropeçar em noticias que divulgam casos de pessoas, principalmente jovens, que se atiram ou caem de locais fatais, por causas desconhecidas. Muitos talvez considerados suicídio ou acidente...

Decidi questionar-me sobre este problema, que parece que passa despercebido de todos...
 Será que as pessoas já repararam que existe uma nova tendência para o consumo de drogas novas, estranhas e sintéticas, das quais se desconhecem a maioria dos efeitos adversos? E será que são detectáveis pelas autoridades, nas analises de perícia, para drogas comuns?
 Será que a maioria dos pais está a par, das lojas legais de venda dessas drogas, que estão a ser lançadas em Portugal? 

"Substitutos de ecstasy e LSD, ervas e cogumelos vendem-se em lojas de Lisboa e Aveiro "A tua loja de drogas legais". "A trip é tão forte que dá para ver elefantes brancos ou coisas cor-de-rosa... perde-se totalmente o controlo e há tendência para cair.
Há quem diga que as chamadas "legal highs" são comercializadas porque aproveitam buracos na lei. José Pádua, director clínico do Instituto da Droga e da Toxicodependência vai mais longe: "Muitas destas substâncias são legais, porque na lei não está previsto o seu uso humanoNão vamos proibir sabonete só porque alguém se lembrou de o consumir", explica. "
 fonte
Para além deste problema legal, que é facilmente contornado pelos fabricantes e vendedores destas drogas, que chegam a usar herbicida e outros químicos igualmente tóxicas, para as fabricar, ainda existe o problema de serem vendidas apenas com a indicação de que não são para consumo humano... o que os iliba de qualquer responsabilidade e de avisar os compradores dos perigos que correm.
Por exemplo a Pure Bloom  provoca a sensação de que as pessoas conseguem voar...
A LSD que faz parte da composição de muitas drogas com outro nome, o usuário torna-se incapaz de avaliar situações de perigo, julga-se com capacidade de força irreal, podendo envolver-se em acidentes em geral; por exemplo em uma alucinação, pretender voar e cair de uma janela, ou ignorando os perigos do mar e avançando pelas suas águas!

Ecstasy ou MDMA também conhecida como a "droga do amor", apesar de não ter efeito afrodisíaco como se apregoa. Tem também efeito alucinogéno, o que é duplamente perigoso. O usuário acredita que pode voar ou andar sobre as águas.

Clavicepis purpurea São drogas sintéticas, e provocam distorções sérias no funcionamento cerebral; o usuário sente-se um "super-homem", incapaz de avaliar situações de perigo; ilusões, alucinações e desorientação têmporo-espacial são comuns.- Sensação paranóide de poder voar 

As noticias vão somando casos e ninguém faz referência ao facto de poder existir uma relação com estas drogas.
"As substâncias são comercializadas com embalagens em que está escrito que contêm produtos não aptos para consumo humano. Desta forma evitam a vigilância sanitária e as autoridades que verificam produtos de consumo", diz Gallegos.

Muitas das novas drogas são vendidas em smart shops, lojas que comercializam assessórios que podem ser ligados ao consumo de drogas (cachimbos especiais, papéis de cigarro, "moedores"), cogumelos alucinógenos (que são liberados em vários países) e produtos em geral apresentados como não aptos ao consumo humano.

Gallegos conta que a mefedrona – um estimulante com efeitos semelhantes à cocaína e ao ecstasy – apresentava na embalagem a indicação de que era um fertilizante, não indicado para ser ingerido por seres humanos."

sexta-feira, 1 de junho de 2012

M - 418 ALCOBAÇA VAI RECEBER CONGRESSO INTERNACIONAL DE CISTER


EM MEADOS DO PRÓXIMO MÊS DE JUNHO ALCOBAÇA VAI SER CAPITAL DE CISTER

. Abade Cisterciense na Conferência Inaugural do Congresso Internacional Mosteiros cistercienses

 Os maiores nomes sobre estudos cistercienses nas Universidades Portuguesas e Espanholas, nos Mosteiros do país vizinho e de diversas Academias estarão em Alcobaça entre 14 e 17 de Junho próximo.
Na sessão inaugural de quinta-feira, 14, que terá lugar no Mosteiro de Alcobaça , a partir das 17h30  decorrerá a Conferência de Abertura por Dom Juan Javier Martín Hernández, O.C.S.O., Abade de San Isidro de Dueñas, que abordará um  tema importante uma vez que versa o futuro da Ordem de Cister.
Seguir-se-á pelas 19h00  o concerto de canto e piano por Elena Gragera e Antón Cardó, cujo reportório se fará “an torno al Cister”.
Às 20h00  proceder-se-á à inauguração da Exposição bibliográfica e da Exposição de pintura do Irmão Luís Alvarez, O.C.S.O., na Galeria de Exposições da Ala Sul do Mosteiro de Alcobaça.
Mais de 80 comunicações, seleccionadas pela Comissão Científica, distribuídas por temas que vão desde a arte à arquitectura até à espiritualidade passando pelo história da Ordem, animarão durante 2 dias plenos a Escola Secundária Inês de Castro.
No Domingo, 17, de manhã, haverá uma visita guiada aos Coutos , que incluirá a Quinta de Valventos e ao Mosteiro de Cós, terminando na Pederneira.
É de extrema relevância para Alcobaça a reunião na cidade de especialistas neste tema, que ultrapassarão uma centena.
A Câmara Municipal de Alcobaça é o principal patrocinador deste Congresso, conjuntamente com a Empresa de Leiria JORLIS, que financiará a impressão das Actas, importantíssimo elemento para estudos futuros.
A iniciativa desta reunião científica deve-se à AMA-Associação de Amigos do Mosteiro de Alcobaça, à Associação Portuguesa de Cister e ao ICOMOS-Portugal.
Também a ADEPA, a ACSIA-Associação Comercial de  Serviços e Industrial de Alcobaça, o IGESPAR-Mosteiro de Alcobaça e a Escola Secundária D.Inês de Castro-Alcobaça colaboram na organização.
Da Comissão de Honra fazem arte personalidades como o Abade Presidente da R. E., D. Isidoro Anguita, OCSO, o Abade de Poblet , D. Josep Alegre, OCist, o Abade de Oseira, D. Juan Javier Martin Hernandez, OCSO, o Bispo D. Carlos Azevedo, o Presidente da Câmara de Alcobaça , Paulo Inácio, o Presidente da Câmara da Nazaré , Jorge Barroso, o P. Damián Yánez Neira, OCSO, o Director do Mosteiro de Alcobaça , Jorge Pereira de Sampaio, Maria Augusta Trindade Ferreira, antiga Directora do Mosteiro de Alcobaça e o Escultor José Aurélio.
Em meados do próximo mês de Junho Alcobaça vai mesmo ser Capital de Cister.
José Eduardo Oliveira
(Comissão Executiva)




quinta-feira, 31 de maio de 2012

M - 417 ETAPAS DA VIDA


NÃO HÁ RECEITAS PARA AVIAR NA FARMÁCIA...
Nos tempos que correm já ninguém é demasiado velho para praticar um desporto radical, subir ao palco ou estudar e tirar um curso…
Desde que passei dos 70 tenho tido a preocupação – vá lá saber-se porquê – de “sinalizar” os maiores de 80, um “patamar” que me interessa especialmente nesta fase do “campeonato”. Porque a vida é feita de etapas…num caminho cuja distância desconhecemos, sendo certo que se o “pisarmos” com o passo certo poderemos realizarmo-nos e permanecer no clube da “gente feliz sem idade”.
A população portuguesa no capítulo de “idosos” já em 2010 tinha atingido os 2 milhões, com a relevante percentagem de 20% de reformados ainda a trabalhar !
E a viajar e a praticar desporto. E a estudar em Universidades seniores e a fazer teatro.
 E a ser apresentador de “Galas”e a escrever para jornais.
E – no cume de todas estas actividades de “provas de vida – a ser avós, junto dos filhos continuadores do seu viver. Longe ou perto, porque com o correr do tempo, os caminhos da vida obrigam muitos vezes a percorrer distâncias, para encurtar os “espaços” onde os nossos familiares se fixaram.
Mas ser idoso não é fácil porque há o preconceito de que o corpo e a cara mostram a nossa idade. Mas o envelhecimento activo pode contrariar o bilhete de identidade, que não marca (felizmente) a nossa idade mental. Todos sabemos no entanto que tudo acabará um dia.
 Em passado recente tomei nota de uma definição a que não se consegue ficar indiferente: “a partir dos 75 ou dos 80 há um relógio biológico que nos faz começar a ver a vida pelo retrovisor”.
Que fazer?
 Não há “receitas” para aviar na farmácia…
Tenho dias em que não penso na idade       que tenho. Prefiro andar em vez de ficar no “maple” da sala de estar.
E vir para a rua “curtir” a minha terra, os meus vizinhos, os meus amigos. Deitar fora as más recordações e guardar só as boas.
Afinal ainda me falta fazer tanta coisa…
JERO



segunda-feira, 28 de maio de 2012

M - 416 DOIS TEMPOS


A MEMÓRIA

Entrei pela primeira vez no Mosteiro de Alcobaça na Primavera de 1945. Confesso que nessa altura não apreciei devidamente a beleza gótica da Igreja, até porque ia adormecido ao colo da minha mãe.

Creio que acordei na Sala dos Reis quando a água benta me correu pela cara e talvez tenha chorado perante o trio impassível de Afonso Henriques, Alexandre III e São Bernardo.
 Que não me ligaram nenhuma.
Depois os meus pais, os padrinhos e um, penso eu, pequeno grupo de amigos, não me lembro de nenhum, voltamos para o patim barroco da Igreja de onde me disseram havia uma agradável vista sobre um lindíssimo jardim cheio de relva, bucho, árvores e empedrados, azuis e brancos, tudo maravilhosamente colocado.
Carros havia muito poucos.
 Mas o “oldsmobile” cor de vinho (um” must”) do meu avô lá estava esperando por nós.
 Contaram-me mais tarde que o senhor Campeão, da Pharmácia, me veio beijar a testa antes de entrarmos para o carro.
Contaram-me também que houve um almoço lá em casa onde a grande iguaria, eu diria uma delas, foi uma canja de galinha com pequenos ovos da dita, e uma pata para dar mais gosto. Que regalou o meu avô Leonardo.
A guerra de 39-45 não terminara e havia ainda racionamento, mas, lá em casa, no quintal, ali onde o Baça entra no Alcoa, viviam coelhos, galinhas e patos para além de crescer farta horta.
 E haver um forno para coser pão.
A última vez que entrei no Mosteiro tinha 99 anos e ia dentro de uma urna de cinzas em ouro, coroada por uma esmeralda, levada pelo meu bisneto Martim, de 15 anos.
Como imaginam também, por evidentes razões, não pude apreciar o monumento, mas sei por onde andei, antes de serem lançadas da Torre Norte, a do relógio mecânico, que sempre me fascinara desde que havia sido Director do Mosteiro no início do sec. XXI.

Nesse tempo, foram apenas três anos, olhei várias vezes o edifício para o ver e insisti para que outros o vissem.
 Mas a verdade é que tudo é breve e efémero e que a única coisa a fazer é preservar a memória tão pura quanto formos capazes de  guardar para a transmitir, para que outros a interpretem a seu saber. 
Por nisso não estraguem, aprendam e trabalhem com cuidado.

Rui Rasquilho