Mostrar mensagens com a etiqueta Subsídios para a história de Alcobaça. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Subsídios para a história de Alcobaça. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 9 de abril de 2010

M 228- PATRIMÓNIO CISTERCIENSE


Património cisterciense.

Os Moinhos do Mosteiro de Alcobaça



A difusão do engenho de água teve nos cistercienses parte interessada. Os “monges agrónomos” souberam, de facto, aproveitar o motor hidráulico e explorar os seus usos, aplicando-o nas suas granjas na moagem dos cereais, mas também para derreter a azeitona, na moenda de casca para curtumes, para fabricar a mostarda, em pisões e fulões, na serração de madeiras, nas ferrarias.

As unidades de moagem hidráulica afectas aos domínios senhoriais destacam-se pela localização, tipo de estrutura e pelo número de “engenhos correntes e moentes”. De preferência, tomam assentamento nos rios de caudal permanente, escolhendo, estrategicamente, as quedas de água para ampliar a força motriz. São servidas por um açude de pedra que não só aprovisiona a água como constitui uma guarda contra cheias. Os imóveis são de pedra crua, com ou sem reboco, e a cobertura de telha. Raramente dispõem de menos de três pedras.

Para moer diariamente o grão contava-se com a energia das águas e dos ventos. No território dos coutos, os engenhos tocados a água, (falamos dos moinhos de rodízio e azenhas), tomavam a parte de leão na nobre tarefa de reduzir o cereal a farinha. Os moinhos de vento assumiam uma posição secundária, cabendo-lhes, sobretudo, o papel de substitutos das pedras que o estio, ao fragilizar as correntes, inibia para a moenda.

Era no rio Alcoa, nomeadamente entre a nascente e as quedas de água da Fervença, que estavam instaladas as principais casas de moinhos do Mosteiro. A saber, o conjunto da granja de Chiqueda com seu lagar de azeite e moinho (mais tarde conhecido por moinho Constitucional), depois da ponte de pedra, a jusante dos olhos de água em Chiqueda de Cima; o moinho das Freiras de Cós, junto à ponte das Freiras em Chiqueda de Baixo; o moinho do Mosteiro ou da Cerca de Dentro; o moinho da Praça, junto à ponte da Praça; e, finalmente, o complexo da Fervença (Maiorga) com os seus três moinhos e lagar de azeite.

Em média, estes moinhos dispunham de três a quatro casais de mós (quando o número é par, vemos duas alveiras ou trigueiras e outras duas segundeiras para derreter o milho, o centeio e, por vezes, também a cevada), com a excepção notável do moinho da Praça que revolucionava oito pedras.

Com a extinção da Ordem e a venda dos bens em hasta pública verifica-se a transferência destas unidades de produção para as mãos de alguns notáveis locais. De entre os novos proprietários sobressai Bernardo Pereira de Sousa que adquire os conjuntos de Chiqueda e da Fervença, o que lhe concede uma posição dominante na moagem de cereais e produção de azeite.

Assiste-se a uma tendência para reformar as unidades de maior capacidade. Os investimentos canalizam-se quer para obras nos açudes e reforço dos engenhos de rodízio (de uma a duas pedras), quer para a substituição integral do aparelho motor, transformando o moinho de água numa azenha. A par deste fenómeno dá-se a democratização da moagem, multiplicando os engenhos no viso dos montes e no leito das ribeiras e concedendo por fim ao moleiro o estatuto de proprietário.

António Valério Maduro

terça-feira, 6 de abril de 2010

M226- PEDRO TAVARES DIXIT

As Tragédias Naturais e a Alcobaça Cisterciense de Hoje
    Cap. 2 – As Cheias em Alcobaça

    Mosteiro de Alcobaça

    Merece relevo focar a problemática da Água e do Meio Ambiente e como moldaram e condicionaram a “Aventura Cisterciense” em Alcobaça. Aventura ou Epopeia esta que se desenrolou em cima de um tabuleiro denominado “Planície Aluvionar”.

    "Planícies Aluvionares são zonas planas adjacentes aos cursos dos rios e sujeitas a inundação. Constituem uma das formações mais conspícuas e espalhadas no globo terrestre. Resultam de processos complexos de erosão e de depósito. Modificam-se ao longo dos tempos e evoluem, não para um qualquer modelo final, mas para a forma que têm no presente ou que tiveram em qualquer momento do passado" (Brown, A.G.).

    Rios e Planícies Aluvionares sempre foram fontes de riqueza para todas as gerações. Com actividades piscícolas e moinhos de água (azenhas) na Idade Média, depois como centros de comércio e também como fontes de energia mecânica para as primeiras indústrias. Tal movimento, à escala Europeia, resultou numa expansão apreciável de aglomerados populacionais nas Planícies Aluvionares, num aumento das pressões para reduzir os inconvenientes das cheias e na mudança de leitos dos rios.

    Extracto de arenito (grés) bem visível à entrada
    de Alcobaça, na estrada das Caldas

    A mestria do domínio da Água e da sua utilização útil teve o seu momento de glória na Europa no auge das Instituições Monásticas, onde a sofisticação alcançada nos deixa um património de surpreendente tecnologia e saber (Tavares, J.P.).

    As Cheias são fenómenos estatísticos, que se repetem a lapsos incertos de tempo, mas com probabilidades de frequência e de volume estimáveis. A sua ocorrência tem lugar sempre que a capacidade de escoamento e de infiltração das águas da chuva é excedida pela precipitação, que pode tomar a forma de autêntica tromba de água, de impacto marcante e concentrado em curto espaço de tempo (digamos, quinze minutos, talvez mais, o que é característico nos Climas Mediterrâneos).

    É interessante notar a semelhança entre as cheias do Rio Arno em Florença, Itália e a Alcobaça Cisterciense. Lá, como aqui, as cheias sempre foram um problema premente e persistente. Mas em Florença, cidade mais aberta, foram objecto de registo ao longo dos últimos 800 anos. Há mapas de cheias de 1333, 1740, 1844 e 1966. Embora estas cheias tenham sido causa de elevados danos patrimoniais e de muita perdas de vida, tais factos não foram impeditivos de Florença se ter tornado numa das cidades mais ricas da Europa.

    Mosteiro de Alcobaça, alçados Norte e Poente

    No fundo, há algo de comparável, nos trajectos da sua história patrimonial e de vida quase que milenária em meio hidro-geoaluvionar, entre a nossa Alcobaça e os seus Rios e a Florença e o Rio Arno. Ambas cidades históricas, ambas de riqueza patrimonial, ambas na sua planície aluvionar, ambas dela (planície aluvionar) beneficiando dos recursos de excepção e ambas dela padecendo o ónus da sua localização, sofrendo cheias, destruições e mortes, mas tudo contribuindo para a sua glória projectada no espaço e no tempo, para a sua teimosia em resistir à adversidade e para a sua determinação em renascer em riqueza acrescida sempre que fustigadas pelas catástrofes.

    Uma em cenário de florescimento renascentista, em meio de criação pluri-cultural, a outra em cenário de desenvolvimento Monástico-Cisterciense.

    Em Alcobaça, porém, nota-se o triplo efeito das cheias; inundação, depósitos estranhos e assentamento dos terrenos.

    A Água que sobe anormalmente, inundando e molhando, depressa volta a descer e a regressar a leito contido. A bacia hidrográfica que se estrangula em Alcobaça não é como a dos grandes rios internacionais como o Tejo e o Douro ou como a do Mondego. Nestes, as bacias de captação são extensíssimas em área e zonas de precipitação, que acumulam e, quando a água sobe, assim pode permanecer durante dias. Em Alcobaça, porem, a subida de cheia catastrófica pode ser rapidíssima, já que os tempos de escoamento são curtos. A sua probabilidade de ocorrência é bem menor do que nas lezírias do Tejo, já que depende de uma precipitação anormal e concentrada. O efeito surpresa é, porém, bem maior, apesar de a descida também ser

    Empedrado em estado novo, sem uso e enterrado.
    Rua D. Pedro V, frente à Junta de Freguesia de Alcobaça

    Mas, acompanhando a inundação, vem a enxurrada, que tudo arranca, arrasta e transporta. Criando rolhões e diques eventuais, que ao quebrarem o ímpeto das águas, as fazem depositar a sua carga. Carga de quatro tipos: de arrastamento, em suspensão, coloidal e também química. Volumes inimagináveis de terras, lamas, calhaus, detritos e lixo são então deixados nas zonas a montante. Como os rios têm forte desvio direccional em Alcobaça e é logo a juzante que se situa o estrangulamento da garganta da Fervença, será em Alcobaça que tenderão a fazer tais depósitos. Como terá sido bem sentido na referida cheia de 1772. Como se sente pelos depósitos surpreendentes, de várias dezenas de milhar de metros cúbicos, alguns retirados do Rossio quase duzentos anos depois, antecedendo a visita da Rainha Isabel II do Reino Unido, na década de cinquenta. Rossio onde sondagens recentes, mandadas executar pela Câmara Municipal para o Programa da “Requalificação Urbana” (Geocontrole, Gabinete de Geotecnia e Topografia, Ldª, 2002), revelaram profundidades de terras depositadas e tocadas pelo homem, que chegam a atingir doze metros! (Tal profundidade, também surpreendente, passa-se contudo em zona onde terá passado o Rio Baça na época do início construtivo da Abadia, em pleno Rossio actual de Alcobaça).

    Fenómeno idêntico terá posto cobro à utilização monástica do Convento de Stª Clara, frente a Coimbra, em pleno leito de cheia excepcional do Rio Mondego. É impressionante observar a “meia dúzia” de metros de altura de depósitos aluvionares dentro das naves conventuais e o enterramento claustral, recentemente postos a seco através da construção de uma ensecadeira e de complexo sistema de bombagem.

    Por diversas vezes, no século XIX e no século XX, ida a sabedoria e a memória cisterciense, assistiu-se a amplos recondicionamentos e remoções de terras no Rossio e nas zonas circundantes do Mosteiro (em 1839, 1872, 1909, 1951 e 1956, conforme fontes diversas, em particular Villa Nova, Bernardo). É o “sobe-e-desce” de Alcobaça! O início do séc.XXI trouxe a última mexida, com a “Requalificação Urbana de Alcobaça.

    Rossio de Alcobaça despojado, anos 30 (Foto D. Alvão)

    De referir ainda o belo Açude na garganta da Fervença, obra iniciada no séc. XVI e aforada ao irmão de Damião de Góis para fabrico de papel e para rega dos Campos da Maiorga, séculos mais tarde adaptado para produção de energia eléctrica por transformação de energia hidráulica, fruto do engenho e ao serviço da malograda Fábrica Fiação e Tecidos de Alcobaça. Este histórico Açude, apesar de se constituir numa importante obra de regularização e de aproveitamento hidráulico, está hoje ao abandono. Por a comporta de “descarga de fundo” não mais ter funcionado (supomos que desde algures na década de noventa), o notável açude apresenta-se hoje quase que completamente cheio dos referidos resíduos e depósitos aluvionares, que ficam ali grandemente retidos. Situação que também começará a ser perigosa, já que, lenta mas inexoravelmente, vai enchendo o leito para montante e subindo as cotas do rio.

    A terceira consequência calamitosa das cheias, os “Assentamentos Diferenciais”, representa o abatimento de parte do edificado em relação a outra parte do mesmo edificado, geralmente causado por mau funcionamento das fundações ou por desigual comportamento dos terrenos de fundação.

    O “empapamento” prolongado das solos não devidamente compactados, pode ocasionar assentamentos substanciais das camadas de fundação e o consequente abatimento das construções que nelas fundam.

    Mosteiro de Alcobaça em perspectiva esquemática,
    com linhas de assentamento do edificado

    A compactação devida dos solos baseia-se em quatro factores principais: natureza dos materiais a compactar, sua granulometria, condições de humidade e meios e processos utilizados na execução. A eficiente conjugação destes factores é ciência recente do domínio da Mecânica dos Solos. É natural que, apesar de todo o empenho e sabedoria construtiva Cisterciense, a grandeza e a extensão das movimentações de terras se tenham revelado altamente penalizantes, quando anormalmente solicitadas. A partir do séc.XVI e do tempo dos Cardeais Príncipes e Comendatários de Alcobaça e de todo o fervor construtivo dos séculos seguintes, como refere D. Maur de Cocheril, a necessidade construtiva levou à deslocação e re-implantação do Rio Alcoa, de modo a permitir o lançamento de, pelo menos, mais dois Claustros: o Claustro do Cardeal e o mais jovem Claustro do Rachadouro (da Biblioteca).

    Deste modo, a grande cheia referida de 1772 apanhou esse processo e, ensopando completa e demoradamente de água todos esses terrenos mexidos numa amplitude ainda nunca alcançada, causou estragos de magnitude catastrófica em muitas das instalações monásticas, com especial incidência nos Claustros referidos, em extensões e expressões significativas, provocando quebras, torturas e desfasamentos de edifícios, além de ocasionar certamente depósitos aluvionares impressionantes, que houve que remover.

    Constata-se, após atenta observação dos paramentos, alçados, pavimentos, frisos, cimalhas e diversos outros pormenores Arquitectónicos, que houve lugar a Assentamentos brutais de grande parte das estruturas construídas, ou ainda em construção, nos Claustros referidos. Assentamentos esses ocasionados pela cedência dos terrenos de fundação, sobretudo em bandas orientadas pela direcção preferencial das Linhas Hidráulicas originais, elas próprias paralelas às bancadas rochosas erodidas presentes no subsolo. Esses assentamentos, bem detectados e orientados, provocaram tensões elevadas no conjunto edificado dos dois Claustros que, devido à sua grande inércia de conjunto, quebraram e assentaram segundo padrões que se podem interpretar, o que já foi alvo de trabalho editado (Tavares,J.P.).

    Certamente que esta catástrofe tripla, inundação, depósito de terras e ruína Arquitectónica em seguimento de assentamentos diferenciais, há-de ter tido consequências gravosas enormes e ocasionado obras e acções de recuperação de monta.

    Não é assim de estranhar que, nas zonas construtivas Medievais que hoje nos chegam, se notem mais os efeitos dos Terramotos e que nas zonas posteriores da Idade Moderna sejam mais marcantes os efeitos das Cheias a das calamidades correlacionadas.

    (Continua: total 3 Capítulos)
    Bibliografia apresentada com o 3º Capítulo
    J. Pedro Tavares

    domingo, 28 de fevereiro de 2010

    M202-TERMAS DA PIEDADE


    As Termas da Piedade

    Os cistercienses tomaram conhecimento do valor terapêutico das águas da Piedade (também conhecidas “por águas da Vestiaria, da Fervença, das almoinhas e ainda das várzeas da Maiorga”) mandando erguer uma casa com tinas para banhos.
    Mas o interesse pelas águas não terá esmorecido com a supressão das Ordens Religiosas em 1834.
    Na sessão camarária de 9 de Agosto de 1865 determinava-se “a construção de uma ponte de madeira sobre o rio da Abadia nas proximidades da Fervença para dar passagem para os Banhos da Piedade”.
    As potencialidades da nascente e a sua capacidade de atrair visitantes levam a edilidade a ultimar a sua exploração. Na acta camarária de 17 de Outubro de 1870 decide-se mandar analisar as águas, tratar da planta do edifício termal e abrir uma estrada de acesso às termas.
    As diligências para requalificar o espaço termal prosseguem nas décadas de 80 e 90. As águas passam a ser exploradas directamente pela Câmara e por particulares.
    O alvará de 22 de Dezembro de 1894 concede a António Filipe de Sousa Carvalho a licença de exploração por tempo ilimitado das águas minero-medicinais da Piedade, com todas as obrigações que a Lei de 30 de Setembro de 1892 consignava.
    As instalações termais vão ser vendidas em 28 de Novembro de 1918 pela viúva de Sousa Carvalho a Manuel Rodrigues Serrazina pela quantia de 11 contos.
    Já em 5 de Maio de 1922 Angélia Carvalho vende ao dito Manuel Serrazina a concessão de exploração das águas por 100$00.
    Bernardo Villa Nova no seu “Guia de Alcobaça” (1926) diz-nos que o balneário camarário é composto de tinas de mármore e o de Manuel Serrazina por tinas de mármore e de ferro esmaltado. O balneário da edilidade, segundo a Memória de 1923, compreendia rés-do-chão e 1º andar (as melhorias introduzidas ter-se-ão realizado a partir de 1912). O espaço do balneário propriamente dito estava confinado ao rés-do-chão. Este possuía quatro tinas de mármore para banhos de 1ª classe e outras quatro para banhos de 2ª classe. Ainda possuía uma dependência para assistir enfermos de baixa condição social. A sessão de 4 de Agosto de 1904 determinava, aliás, que as asiladas pudessem beneficiar de banhos gratuitos nestas instalações. Já o 1º andar destinava-se a hospedaria de banhistas. A captação das águas era feita através de uma galeria, sendo as águas aquecidas numa caldeira e daí canalizadas para as respectivas tinas. As águas dos banhos eram, através de uma vala, encaminhadas para o Alcoa. O caudal era abundante permitindo fornecer água para duzentos banhos sem quebra de débito na galeria.
    A estância termal abria em meados de Junho e encerrava nos finais de Outubro.
    No ano de 1905, a abertura da época termal contou com a presença das autoridades civis e administrativas, sendo “abrilhantado pela Real Fanfarra de Alcobaça”, disponibilizando-se carreiras de Rippent para os utilizadores das termas.
    A comunidade de banhistas chegava a organizar festas. Uma notícia no “Semana Alcobacense” de 5 de Setembro de 1920 refere que o largo do edifício termal foi ornamentado, que houve “iluminação à venesiana, jantar ao ar livre, descantes...”.
    As águas eram recomendadas para um largo espectro de enfermidades de natureza gastro-intestinal, hepática, dermatológica, reumática, inflamações da mais diversa proveniência...
    A água termal podia ser adquirida em garrafas e garrafões, nomeadamente na farmácia Campeão e na secretaria da Câmara Municipal.

    António Valério Maduro

    domingo, 31 de janeiro de 2010

    M173-FORNOS DE CAL DE PATAIAS


    O Conjunto de Fornos de Cal de Pataias

    A indústria artesanal da cal nos antigos Coutos de Alcobaça concentrava-se na beirada da Serra dos Candeeiros. É neste espaço que, no século XVIII, encontramos a maioria das referências aos fornos do Mosteiro.

    Por meados do século XIX, a falta de matos utilizados como combustível na cozedura da pedra, levou ao encerramento dos fornos de cal parda ou magra da charneca serrana, propiciando a transferência desta actividade para Pataias.

    A colonização do espaço, incentivado pela plantação de vastas áreas de olival nas faldas desta Serra, ao longo do século XVIII, conduziu a arroteias extensivas da mata primitiva. Também a vaga de tomadias populares verificadas nas terras da encosta, durante o século XIX e a primeira metade do século XX, estacando tanchoeiras entre as penas e fragas, contribuíram para a supressão do coberto vegetal de carvalhos, carrascos e medronheiros... De facto, a acção combinada da pastorícia e do corte de matos para a arte agrícola e combustível condenaram a sobrevivência deste ofício neste espaço geográfico.

    Segundo os registos de contribuição industrial de 1881, Pataias era o único centro de produção de cal do Concelho, com treze fornos em funcionamento. Esta localidade possui veios de pedra de excelente qualidade, matos em abundância nas terras de pinhal, factores que não só justificam a instalação da indústria, como explicam o seu desenvolvimento ao longo das primeiras três décadas do século XX. A passagem do caminho-de-ferro em Pataias, no ano de 1888, e a posterior construção do apeadeiro contribuíram para a expansão desta actividade. Era este transporte que assegurava o abastecimento de cal à Siderurgia Nacional, indispensável na produção do aço.

    Em 1933 estão arrolados 33 fornos em actividade. O número de fornos em laboração veio gradualmente diminuir. Em 1942 encontramos 25 fornos, oito anos volvidos apenas 17 mantêm este ofício tradicional. Já no ano de 1982 só 5 fornos ainda trabalham, chegando o seu ocaso no ano de 1995, quando o senhor António Grilo coze a última fornada. As famílias que ao longo de mais de um século tomaram nas suas mãos este ofício sazonal foram forçadas, paulatinamente, a largar este mester.

    Muitas são as explicações para o abandono desta arte milenar. Em primeiro lugar, o carácter artesanal deste ofício que pouco ou nada se modernizou. Por outro lado, a falta de mão-de-obra motivada pela instalação das indústrias cimenteiras, vidreiras e cerâmicas na região, que permitiram um pleno emprego e estimularam a deslocação de activos da agricultura para a indústria. A dureza das condições de trabalho (18 horas seguidas a alimentar o forno com 6 magras horas de descanso num canto do barracão) não constituía aliciante para os mais novos. As exigências de jornas mais elevadas vieram a tornar-se verdadeiramente incompatíveis com a capacidade produtiva e a rentabilidade das fornadas. Por outro lado, as empresas que adquiriam grandes proporções de cal, passaram a instalar fornos eléctricos destinados à sua produção.

    Com o encerramento dos fornos, a regular limpeza dos pinhais deixou de ser feita, pelo que o culminar desta actividade teve um impacto negativo nas culturas florestais e sua exploração pela mais fácil propagação de fogos.

    A tecnologia de produção da cal não terá conhecido grandes modificações do período romano aos nossos dias.

    Estes fornos de estrutura barriloíde arvoravam as suas paredes com tijolos ligados por um barro areento. O seu topo aberto apresenta-se ligeiramente estrangulado em relação à base afundada no terreno. A altura destes fornos situa-se entre os 4,5 m e os 6m, a largura da base entre os 3,70 m e os 4,60 m e o topo entre 3,15m e 4,10 m. Para resistir à pressão da cozedura os fornos apresentam-se parcialmente aterrados. Com esta mesma finalidade a parede é travada por cima do portal com três troncos de pinheiro.

    A laboração destes fornos é de tipo descontínuo ou intermitente, necessitando de um abastecimento regular de mato à caldeira até finalizar a cozedura, ao contrário do que sucede nos fornos de laboração contínua ou permanente em que as camadas de lenha ou carvão alternam com as camadas de pedra. Como combustível utilizava-se preferencialmente o mato, daí denominarem estes fornos de fornos “de cal a mato”. Para uma fornada eram necessários entre 80 a 100 carradas de mato. Com a adaptação aos carros de bois de eixos de ferro e rodados de camioneta, por volta dos anos 50, reduziram-se os fretes a 50 ou 60 carradas. Os carros podiam agora vir mais carregados sem o risco de se atolarem nas areias do pinhal. Com a substituição da tracção animal pela tracção mecânica, apenas 10 fretes de camioneta eram suficientes.

    A partir da década de 40 recorre-se, igualmente, ao “motano” (molhos de braça de pinho). Graças ao “motano” os fornos começaram a laborar durante o Inverno. Cada fornada consumia entre 150 a 200 talhas de “motano”, equivalendo 1 talha a 60 molhos. A temperatura em que se processava a cozedura da pedra é denominada de rubro cerejo, situando-se entre os 800º e os 1000º.

    O “empedre” do forno consumia aproximadamente 150 carradas de pedra, extraída pelos cabouqueiros. Os fornos, por uma questão de economia, localizam-se nas imediações das áreas de extracção. Cada fornada levava em média três semanas. Uma para enfornar (levantar o “empedre”), outra para cozer a pedra e outra para a retirar.

    Principiava-se pelo “empedre”, assentando as “armadeiras” sobre o peal que rodeava a caldeira. Quando o “empedre” atingia a altura do portal as pedras começavam a ser descarregadas pela abertura superior. Sobre as “armadeiras” (pedras que chegavam a atingir 1 m de comprimento) destinadas a estruturar a abóbada, depositavam-se as “carregadouras” (pedra miúda). O “capelo”, final do “empedre”, excedia em cerca de 1,50 m o topo do forno.

    No final da cozedura, o “capelo” do “empedre” baixava cerca de meio-metro em relação ao topo do forno. Como nos refere o mestre Joaquim Ribeiro bastava olhar para a pedra para saber se ela estava convenientemente cozida. Era então chegada a altura de desenfornar a pedra, tarefa árdua dada a temperatura que o forno mantinha. Em média cada fornada rendia entre 50 a 55 toneladas de cal. Sabemos que antes da utilização do “motano” como combustível e do recurso ao transporte mecanizado das paveias de mato e da pedra das caboucas, os fornos não coziam mais do que três a quatro fornadas por ano, passando, posteriormente, a poder realizar mais de dez fornadas.

    A cal era comercializada à boca do forno. Caso os compradores tardassem a pedra consumia-se, pois não existia nenhum espaço destinado ao armazenamento. Só a partir da década de 50 é que se edificam armazéns para guardar a cal, acondicionando-se esta em tulhas de tijolo, com uma capacidade de cerca três toneladas. Inicialmente em galeras, nos seirões e cangalhas dos burros e, mais tarde, nas camionetas escoava-se a cal em pedra e em pó.

    Nas feiras e nos mercados a vendedeira da cal marcava sempre presença. No tempo da Páscoa o costume de caiar a habitação e alguns cómodos (adega, casa das tulhas e pias, cisterna...) antes da visita do pároco, levava a um aumento da procura e logo à subida do preço deste produto. Este uso não tinha apenas um objectivo estético, cabendo à cal assegurar a impermeabilização dos imóveis, assim como os resguardar dos calores estivais. Ao matar a cal na pia acrescentava-se um fio de azeite, o que impedia não só que a cal sujasse os fatos domingueiros, como ajudava a conservar melhor as paredes.

    A cal gorda de Pataias era procurada para o fabrico de argamassas, estuques, cal de caiar e para uma ampla utilização nas terras de cultura.

    António Valério Maduro

    quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

    M165-ONTEM CHALET RINO HOJE CASA DAS FREIRAS

    PEDRAS COM HISTÓRIA





    O Chalet Rino, construído em 1891, é hoje conhecido pelo população alcobacense mais jovem como a “Casa das Freiras”.

    Na década de 1970 os herdeiros de Maria Cristina Rino doaram o palacete à Congregação Religiosa de S. José de Cluny, que vendeu então o seu recheio, que era um dos mais ricos de Alcobaça.

    Foi adaptado a Centro de bem-estar infantil, utilização que actualmente ainda se mantém. Os meus filhos, hoje à beira dos 40 anos, andaram por lá antes de ingressarem na escola.

    Íamos jurar que a grande maioria dos alcobacenses passa todos os dias por este bonito Palacete sem se dar conta que, junto a um pequeno parque de estacionamento existe um pequeno tanque, com uma bica virada para a “Casa das Freiras” e um telheiro, “de costas” para a Rua dos Combatentes com uma lápide com seguintes dizeres:

    «POR AMOR D D’ (“dedique”) UMA AVE MARIA PELOS PR’ SR’ (“proprietários senhores”) DESTA CASA DONA CAPITOLINA FERREIRA D’ARAUJO GUIMARÃES E JOSÉ PEREIRA DA SILVA RINO».

    Falta na parte central lápide algo, que poderia ter sido um azulejo com uma imagem(!?).

    José Pereira da Silva Rino [1]foi no seu tempo (Sec. XIX) um grande lavrador e proprietário de vastas terras, que se estendiam pelos concelhos de Alcobaça e Batalha. Foi também dono do Convento de Cós, mais tarde adquirido pelo Estado. Era casado com D. Capitolina Ferreira de Araújo Guimarães, filha do fundador da Fábrica de Fiação e Tecidos de Alcobaça, de quem teve um única filha, Maria Cristina Rino. Esta casou duas vezes, a primeira em Paris, na Notre Dame,a quando do exílio do seu pai, com António Eça de Queiroz, filho de Eça de Queiroz e posteriormente com o Dr. Pereira de Matos, que como historiador se dedicou ao estudo da nossa região.

    José Pereira da Silva Rino foi monárquico convicto. No seu Chalet estiveram alojados, quando duma visita à vila de Alcobaça os ministros progressistas Eduardo Vilaça e Sebastião Telles. Tal sucedeu em 9 de Julho de 1905, tendo sido recebidos com grande carinho em Alcobaça.

    Chefe político local de grande prestígio, acompanhou José Maria Alpoim, quando da Dissidência e depois da Proclamação da República. Após a Revolução de 1910, continuou a defender com a mesma convicção a Monarquia, o que levou a exilar-se voluntariamente, em França e na Bélgica ,no período compreendido entre 1911 e 1914.

    Junto a um pequeno parque de estacionamento, “de costas” para a Rua dos Combatentes uma” pedra com história”.

    Na próxima vez que passe pela “Casa das Freiras” dê uma olhadela.

    JERO


    [1] Elementos retirados do livro UM SÉCULO DE HISTÓRIA DE ALCOBAÇA 1810-1910, de MARIA ZULMIRA FURTADO MARQUES


    domingo, 10 de janeiro de 2010

    INAUGURAÇÃO DA PRAÇA DE TOUROS DE ALCOBAÇA


    Uma fotografia com história - 10 de Agosto de 1888,
    exposta nas paredas- museu da Taberna do Capador em Alcobaça.

    M159- ALCOBAÇA TERRA DE PAIXÃO



    ALCOBAÇA de meados do século XIX até aos anos 60 do século XX
    Saídos os monges de Alcobaça, foi o seu espólio partilhado pelas famílias mais influentes.
    As quintas em redor da Vila e a cerca do Mosteiro passam para as suas mãos tendo esta sido destruída no decorrer dessa apropriação.
    Hoje quase não existe vestígios visíveis, embora se possa inferir o seu traçado pelos limites de propriedade e também através de construções mas recentes, feitas sobre alicerces anteriores.
    A Vila como estrutura ou forma de existência social, surge com a extinção do Mosteiro como instituição. A sua expansão inicia-se no final do século XIX e até 1957 a um ritmo lento mas regular, segundo as linhas de desenvolvimento intimamente ligadas aos principais acessos da vila e às margens dos rios Alcoa e Baça.
    Na final do século XIX, o baldio da Roda, espaço de terra triangular entre a Quinta da Gafa e a Quinta da Cova da Onça, começa a ser urbanizada com pequenas moradias unifamiliares para operários.
    Em 1890, “do portão da Gafa para cima “.
    Em Setembro de 1891, lia-se no jornal de Alcobaça: “ as edificações urbanas do Bairro da Roda vão seguindo regularmente”.
    Durante apenas quatro anos nos surgiram três dos principais edifícios que houve nesta zona: a Praça de Touros (1888),o Hospital da Misericórdia ( 1890) e o palácio do conselheiro Ferreira da Cunha ( 1892).
    Destes resta-nos hoje o Hospital, tendo os outros sido demolidos nos últimos anos tal como a Capela da Senhora da Paz o havia sido em 1911.
    Pouco depois, em 1915, dá-se também a demolição da Igreja Nova, existente no Rossio, e que veio a ser substituída , por dois edifícios dos correios.
    A Quinta da Gafa, era ainda nos anos 30 o que fora no início do século. Adquirida em Março de 1932 pelo Município, que tem ai a sua sede desde 1948 teve a designação de Parque Municipal, embora continuasse a ser conhecida pela Gafa, nome que provem da presença ai de uma gafaria em tempos passados.
    O seu aproveitamento urbano começa no final da década de 40 com a transferência da Câmara Municipal, do edifício do Mosteiro para a casa do antigo proprietário. No entanto, essa ocupação só se afirma definitivamente a partir de 1962 com a construção de vários prédios de habitação e equipamento colectivo dos quais se destaca o mercado, o parque de campismo e o campo de Futebol.
    A Quinta do Lameirão, entre a Levada ( braço do Alcoa desviado pelos frades) e a Quinta da Cova da Onça era um belo jardim formado por alamedas de chorões e acácias e lugares onde a população lavava a roupa no principio do século, transformou-se hoje num aglomerado urbano que não respeitou os valores históricos como é o caso do lavadouro publico da Levadinha.
    A Quinta da Cova da Onça, a Quinta da Conceição, Quinta do Telheiro do lado nascente , a Quinta do Cidral, a Quinta de Nossa Senhora de Lourdes pelo lado poente, são uma vasta área de antigas granjas que ainda hoje mantém grande parte das características agrícolas do tempo dos frades e que confere o enquadramento rural do Mosteiro como centro de um vasto domino – os Coutos – sobre o qual se exercia o seu senhorio territorial, político e espiritual.
    A Quinta da Fonte Nova, era ainda há poucos, uma agradável zona verde da vila, à sombra de cujas arvores os alcobacenses passavam, com o pretexto se ir buscar água à Fonte Nova, nas noites quentes de verão. O chalé desta Quinta, Chalé da Encarnação, existe ainda.
    ALCOBAÇA de meados do século XIX até aos anos 60 do século XX
    Saídos os monges de Alcobaça, foi o seu espólio partilhado pelas famílias mais influentes.
    As quintas em redor da Vila e a cerca do Mosteiro passam para as suas mãos tendo esta sido destruída no decorrer dessa apropriação.
    Hoje quase não existe vestígios visíveis, embora se possa inferir o seu traçado pelos limites de propriedade e também através de construções mas recentes, feitas sobre alicerces anteriores.
    A Vila como estrutura ou forma de existência social, surge com a extinção do Mosteiro como instituição. A sua expansão inicia-se no final do século XIX e até 1957 a um ritmo lento mas regular, segundo as linhas de desenvolvimento intimamente ligadas aos principais acessos da vila e às margens dos rios Alcoa e Baça.
    Na final do século XIX, o baldio da Roda, espaço de terra triangular entre a Quinta da Gafa e a Quinta da Cova da Onça, começa a ser urbanizada com pequenas moradias unifamiliares para operários.
    Em 1890, “do portão da Gafa para cima “.
    Em Setembro de 1891, lia-se no jornal de Alcobaça: “ as edificações urbanas do Bairro da Roda vão seguindo regularmente”.
    Durante apenas quatro anos nos surgiram três dos principais edifícios que houve nesta zona: a Praça de Touros (1888),o Hospital da Misericórdia ( 1890) e o palácio do conselheiro Ferreira da Cunha ( 1892).
    Destes resta-nos hoje o Hospital, tendo os outros sido demolidos nos últimos anos tal como a Capela da Senhora da Paz o havia sido em 1911.
    Pouco depois, em 1915, dá-se também a demolição da Igreja Nova, existente no Rossio, e que veio a ser substituída , por dois edifícios dos correios.
    A Quinta da Gafa, era ainda nos anos 30 o que fora no início do século. Adquirida em Março de 1932 pelo Município, que tem ai a sua sede desde 1948 teve a designação de Parque Municipal, embora continuasse a ser conhecida pela Gafa, nome que provem da presença ai de uma gafaria em tempos passados.
    O seu aproveitamento urbano começa no final da década de 40 com a transferência da Câmara Municipal, do edifício do Mosteiro para a casa do antigo proprietário. No entanto, essa ocupação só se afirma definitivamente a partir de 1962 com a construção de vários prédios de habitação e equipamento colectivo dos quais se destaca o mercado, o parque de campismo e o campo de Futebol.
    A Quinta do Lameirão, entre a Levada ( braço do Alcoa desviado pelos frades) e a Quinta da Cova da Onça era um belo jardim formado por alamedas de chorões e acácias e lugares onde a população lavava a roupa no principio do século, transformou-se hoje num aglomerado urbano que não respeitou os valores históricos como é o caso do lavadouro publico da Levadinha.
    A Quinta da Cova da Onça, a Quinta da Conceição, Quinta do Telheiro do lado nascente , a Quinta do Cidral, a Quinta de Nossa Senhora de Lourdes pelo lado poente, são uma vasta área de antigas granjas que ainda hoje mantém grande parte das características agrícolas do tempo dos frades e que confere o enquadramento rural do Mosteiro como centro de um vasto domino – os Coutos – sobre o qual se exercia o seu senhorio territorial, político e espiritual.
    A Quinta da Fonte Nova, era ainda há poucos, uma agradável zona verde da vila, à sombra de cujas arvores os alcobacenses passavam, com o pretexto se ir buscar água à Fonte Nova, nas noites quentes de verão. O chalé desta Quinta, Chalé da Encarnação, existe ainda.

    quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

    M157-ESPAÇOS MONÁSTICOS


    Espaços Monásticos
    O Rei D.Manuel que governaria durante vinte seis anos, entre 1495 e 1521, teve dois filhos Abades Comendatários do Mosteiro de Alcobaça. No ano anterior, o último do reinado de D.João II, assinara-se o Tratado de Tordesilhas.
    O primeiro dos Comendatários foi D.Afonso que ainda criança assumiu o Bispado de Évora e foi Arcebispo de Lisboa e o segundo, o Cardeal D.Henrique, que viria a ser Rei após a morte de seu sobrinho D.Sebastião nos campos marroquinos de Alcácer-Quibir.
    Entre 1519 e 1530, data em que pode assegurar o Abaciato, o jovem comendatário Afonso é ajudado na administração dos Coutos por duas personalidades: D.Francisco da Fonseca, Bispo de Titopole e Vasco de Pina, alcaide-mor da Vila de Alcobaça.
    Após 1530 e até à sua morte prematura em 1540 D.Afonso assume a administração de Alcobaça, que contava à época com 42 monges.
    No seu Abaciato e por determinação do Rei, João de Castilho inicia uma primeira campanha de obras no Mosteiro com vista a datar a casa com novas instalações.
    Castilho a partir de 1519 encarregar-se-á de construir uma nova Sacristia(Manuelina), uma Livraria que instalará na Nave Poente do antigo Dormitório onde a nascente se farão celas de noviciaria.
    Haverá um novo andar sobre o antigo Dormitório com celas.
    O velho cadeiral com 80 cadeiras será substituído por um novo com 150 cadeiras, peça magnífica feita de carvalho de Flandres trabalhada por João Alemão.A obra foi incendiada durante as Invasões Francesas no início do sec. XIX. Segundo a historiadora Iria Gonçalves, havia no Mosteiro no início do sec. XVI 33 monges, 5 noviços e 7 conversos, o que confirma a observação anterior.
    D.João III sobe ao trono em 1521 e reinará por 36 anos.
    Em 1540 o Cardeal D.Henrique prepara-se para ser Comendatário de Alcobaça, cargo que assumirá em 1542.
    Se pensarmos bem este período é notável para Portugal.
    Foi então que globalizamos, a partir da Europa, a América , a África, a Ásia. Os Continentes ligaram-se por via dos Portugueses e das origens do Rei Venturoso que soube seguir o que recebeu em herança de dois personagens incontornáveis :o Infante D.Henrique e o Rei D.João II. No ano de 1532, o mesmo da visitação a Alcobaça de Frei Edme de Saulieu, ainda não estavam disponíveis a enfermaria nova, o forno novo, o madeiramento do piso alto do claustro, as oficinas e a massaria, o que parece lógico uma vez que o leito do Alcoa só será desviado para o seu caminho actual em 1566, um ano antes do pedido de criação da Congregação Independente de Alcobaça, que seria realidade em 1569. O Comendatário D.Henrique, que entretanto fora Regente do Reino (1563-68) viria a ser o Geral da Congregação em 1574. Nesta altura há 110 monges no Mosteiro e o refeitório ostenta a porta actual como o lavabo fronteiro havia recebido o terraço.
    A partir de 1542 haverá no plano arquitectónico a reforma de Miguel Arruda e no plano moral a de Frei António Lisboa. As necessárias (latrinas) terão assentos novos e 1566, no ano do já referido desvio do leito do Alcoa, e terminam as obras do claustro do Palácio onde após a morte de D.Henrique se instalou a portaria da hospedaria.
    D.Sebastião já reinava quando D.Henrique promove a construção de um novo altar-mor. Encomenda em Leiria a António Ferreira um retábulo. Manda fazer uma nova custódia e colunas que avançarão a Capela, estávamos em 1570.
    Ao longo dos séculos o quotidiano do Mosteiro obrigou ao repensar dos espaços, à sua reforma e ampliação. À medida que mudavam os discursos alteravam-se as funções .À medida que as funções se perdiam os espaços reconvertiam-se.
    Este é um exercício de muitos outros que um grupo de trabalho multidisciplinar conta apresentar dentro de três anos.

    Rui Rasquilho


    Vale a pena estar atento a este "Grupo de Trabalho".Que vai dar que falar.Digo eu, que não sou de intrigas.JERO

    segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

    M131-O MOSAICO ROMANO DE CÓS



    O Mosaico de Cós

    Abril de 1902, o sr. Joaquim Neto Pires inicia a plantação de uma vinha em Pedrógão, na freguesia de Cós. Escondido sob a terra , que se esperava viesse a dar bom vinho, aparece aos poucos um piso de mosaico romano.
    Manuel Vieira Natividade foi alertado pelo Pároco do Valado dos Frades. Imagino-o a desejar resgatá-lo aos séculos e a transportá-lo para o seu sonho impossível, o Museu de Alcobaça arquitectado ao longo das suas descobertas arqueológicas no final do Sec. XIX no Carvalhal.
    Neto Pires fez o seu preço mas o negócio não se fez e, de urgência, vem a mando de Leite de Vasconcelos, Director do Museu Etnológico Português, um técnico para ver o mosaico.
    Cinco dias após haver sido prevenido por Natividade Leite de Vasconcelos vem a Alcobaça para analisar o sítio arqueológico.
    A solução que propõe desde logo seria a da classificação e subsequente expropriação do terreno e conservar o mosaico no seu local de origem devidamente protegido.
    O tempo burocrático tornava-se um risco para o mosaico, por isso, com os protestos de Manuel Vieira Natividade 144 caixas serão embarcadas na Estação do Valado par Belém onde chegam a 6 de Janeiro de 1903, em dois “wagons” de mercadorias. A linha do Oeste romanizava-se daí que ainda hoje não esteja electrificada.
    Brincadeira à parte diga-se que no período de quase um ano entre o achado e a transferência, o mosaico, que esteve meses perante o público na Sala dos Reis do Mosteiro, foi tratado e desenhado de acordo com os bons princípios técnicos disponíveis há cem anos.
    O mosaico apresenta motivos florais geométricos e outros axadrezados “envolvendo” um centro com uma cabeça envolvida por uma roseta.
    O Município de Alcobaça entendeu, quando da exposição na Sala dos Reis, mandar fazer uma réplica do mosaico que irá ficar próximo do local original como elemento pedagógico.
    Muito proximamente e da qual se encarregou Carlos Beloto
    O reproduzido é apenas uma parte do grande mosaico pois no próprio Museu terão “desaparecido” várias caixas da carga original que um dia por certo se encontrarão.

    Rui Rasquilho



    quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

    M126-GENTE ILUSTRE DE ALCOBAÇA NO FINAL DA DÉCADA DE SESSENTA


    MEMÓRIAS…60 e tal anos na vida de «O ALCOA»


    Nas «MEMÓRIAS…» dos anos de 1966 e 1967 alguns temas têm particular realce (em nossa opinião) neste período da vida do nosso jornal (e de Alcobaça).
    Igreja local
    Em 23 de Setembro de 1967(Ano XXI-nºs. 1054-55) anunciava-se um Novo Vigário de Alcobaça.
    O Revmº. Padre Horácio da Silva Correia deixa Alcobaça por ter sido nomeado Assistente Diocesano para o Professorado Primário e Professor da Escola de Magistério Primário de Lisboa.
    Para Vigário de Alcobaça foi nomeado o Revmº. Padre Hélder Veríssimo Franco.
    «…O novo Pároco de Alcobaça…nasceu em Geraldes, freguesia de Atouguia da Baleia, Peniche …e chega a Alcobaça depois de um período de 4 anos como professor de Religião e Moral da Escola Técnica de Torres Vedras.
    Nas boas vindas da direcção do Jornal eram-lhe dedicadas as seguintes palavras: «…E os braços com que estreitamos, com muita amizade e reconhecimento, o nosso querido Padre Horácio da Silva Correia, são os mesmos que se abrem para o novo Pároco que chega».
    Foi notícia de 1ª.Página no nosso Jornal nº. 1057, de 14 de Outubro de 1967, a primeira missa em Alcobaça do Revm. Padre Hélder Veríssimo Franco, com grande assistência tanto de paroquianos de Alcobaça como de uma numerosa comitiva que se deslocou expressamente de Torres Vedras. O novo Vigário saudou especialmente o Bispo D. António de Campos «um alcobacense e ilustre figura da Igreja», o seu antecessor e entidades presentes, dedicando a parte final da sua homilia aos seus novos paroquianos,«…desde os socialmente mais representativos aos mais humildes, as crianças e estudantes, pois todos constituem a Paróquia e serão dignos da sua atenção e desvelo».

    GENTE ILUSTRE DE ALCOBAÇA NO FINAL DA DÉCADA DE SESSENTA


    Figuras em Destaque na sociedade civil
    # No jornal nº. 1005, de 15 de Outubro de 1966 era relatado em título de1ª.Página Manuel Clérigo- O Bairrismo dum Benemérito que deixou a S.Martinho do Porto uma enorme fortuna.
    Assinada pelo Marquês de Rio Maior era depois referido no texto que «… parece um conto de fadas, mas é realidade. São Martinho do Porto vai ter uma Escola Técnica, um Asilo de Velhos, uma Creche e uma Igreja nova».
    Sucintamente era transmitido aos leitores que Manuel Francisco Clérigo, natural de São Martinho do Porto, tinha falecido em Lisboa 18 de Setembro de 1966 e que…aberto o seu testamento se tinha constatado que, exceptuando alguns legados a parentes, tinha deixado a sua grande fortuna «…para a melhoria das condições de vida das pessoas mais necessitadas da freguesia onde nasceu.» A Fundação (a que seria dado o seu nome) terá por sede São Martinho do Porto e por fim ministrar instrução e assistência.
    …Além disso, sempre que a situação financeira da Instituição o permitir, edificar-se-ão casas de habitação, que serão dadas às famílias mais pobres da freguesia.
    Recordava o articulista outro grande benfeitor dos San-Martinhenses, o Comendador José Bento da Silva, fundador, por decisão testamentária, do grande Colégio que na vila tem o seu nome ,e cuja memória já tinha sido honrada pelos seus conterrâneos com um busto em bronze, limplantado no amplo adro que dá acesso ao referido Colégio.
    E terminava o Marquês de Rio Maior o seu longo artigo«…Deus terá premiado a caridade do varão justo que, na sua opulência, não se esqueceu dos seus irmãos necessitados e procurou dar-lhes agasalho material no Asilo e na Creche, ilustrar-lhes o espírito, prepará-los para ganhar a vida na Escola Técnica e alcançar-lhes conforto espiritual na Capela».

    #-O Tenente Miliciano Médico Dr.Aníbal Gedeão era notícia no jornal nº. 1021, de 22 de Janeiro de 1967 por mais um louvor do Regimento de Infantaria 5 (Caldas da Rainha). O Comandante da Unidade destacava a sua competência profissional …há mais de 10 anos consecutivos…não só no que respeita à sua actuação como clínico mas também como militar.
    Era-lha ainda creditado o mérito de não atender… influências e solicitações de instruendos do C.S.M..no sentido de se esquivarem ao cumprimento integral das obrigações do serviço militar.
    Como «Nota Final» era referido que o Dr.Anibal Gedeão recebia o 5º. Louvor consecutivo de sucessivos comandos do R.I. 5 .

    segunda-feira, 30 de novembro de 2009

    GENTE ILUSTRE DE ALCOBAÇA NO FINAL NA DÉCADA DE SESSENTA




    #-Na 1ª.Página do jornal nº. 1038, de 23 de Maio de 1967 a notícia central
    referia que «ALCOBAÇA RECEBEU COM CORAÇÃO O Prof. Engº Joaquim Vieira Natividade»
    E o motivo não era menos pois no domingo anterior o ilustre alcobacense Professor Engenheiro Joaquim Vieira Natividade» tinha sido galardoado com o título de Doutor «Honoris Causa» pela Universidade de Toulouse.
    «….Espontaneamente tinham os seus conterrâneos resolvido manifestar-lhe o seu regozijo pela distinção recebida, para o que prepararam e levaram a efeito uma manifestação. Muito antes da hora marcada para a sua chegada, já muitas janelas se encontravam lindamente ornamentadas, estralejavam foguetes e ouviam-se os acordes de marchas tocadas por uma charanga constituída por elementos que assim se quiseram associar a essa manifestação.[1]
    Também se viam representações e os estandartes dos Bombeiros Voluntários de Alcobaça, dos Bombeiros da Companhia da Fiação e Tecidos de Alcobaça, da própria Companhia, da Filarmónica Vestiarense, da Liga dos Combatentes da Grande Guerra e do Círculo Alcobacense de Arte e Cultura.
    Surpreendeu a ausência do estandarte da Câmara Municipal.


    [1] Como aconteceu com «meia-Alcobaça» também estivemos presentes e poderemos completar a notícia com a informação que a charanga referida era a «Banda do Mestre Arnesto», que tinha chegada ao Rossio minutos antes do laureado Professor, vindo directamente da Festa da Nossa Senhora dos Enfermos. Como era da tradição a maioria dos seus «músicos» vinha já bastante «alegre» devido às libações de um dia inteiro de «marchas».

    O Mestre Arnesto(o conhecido e estimado «Ernesto da Crista» esteve à beira de causar um incidente protocolar pois ao pretender abraçar o Engº. Joaquim Vieira Natividade tropeçou e quase derrubou o homenageado do dia.

    JERO

    domingo, 29 de novembro de 2009

    M124-SONHANDO COM CAPITÉIS E FOLHAS DE ACANTO



    FOI QUASE ASSIM…
    Lourenço muniu-se do escopro soprou-lhe para lhe retirar a poeira que lhe ficara presa após o haver limpo às calças grossas iguais às dos outros mestres de canteiro que afagavam por todo o estaleiro as pedra trazidas da serra.
    O sol estava quase a pino, num céu sem nuvens, os aguadeiros tinham acabado de passar dirigindo-se agora tocando ao de leve uma sineta , escura pelo uso, para o estaleiro dos carpinteiros que ultimavam a roda de um guindaste, manejando habilmente formões e puas.
    Lourenço batia levemente com o martelo no cinzel desenhando sobre o molde folhas de acanto no capitel da última coluna soltando pequenas lascas de pedra rude mas macia que lhe chegara esta manhã pela estrada de Chiqueda no carro de bois de mestre Teodósio.
    Canteiros e carpinteiros manobravam as duas oficinas mais importantes da obra, em espaços muito próximos do Baça, o rio que vinha de Valbom para ir mais além juntar-se ao Alcoa mais caudaloso e útil para o futuro do Mosteiro.
    O carpinteiro Rodrigo abandonou o trabalho por algum tempo para ir ao encontro do mestre ferreiro que lhe preparava um novo trado essencial para melhor unir os andaimes, nem sempre bem firmes com os laços das cordas, quando as sucessivas idas e vindas do monta carga os fazia oscilar.
    Ao fim do dia os monges que fiscalizavam a obra regressavam a Chiqueda onde estavam as instalações provisórias do Mosteiro, pernoitando no Castelo apenas o monge escultor que preferia ter autonomia para poder criar novas ideias que passaria à pedra respeitando naturalmente as indicações da carta de caridade apesar do Mosteiro se insinuar de grandes dimensões.
    S.Bernardo morrera há mais de vinte anos mas as suas rigorosas decisões ainda influenciavam a arquitectura.
    À hora da ceia Lourenço recolheu-se à sua barraca na Quinta da Gafa e dormiu a sono solto até ao nascer do sol, sonhando com capitéis e folhas de acanto.
    Rui Rasquilho

    Nota:Desenho de Jorge Delmar publicado em “ALCOBAÇA em Banda Desenhada”, edição da CMA, Pelouro Ambiente, com direcção de ADEPA
    (Janeiro de 2002)

    segunda-feira, 16 de novembro de 2009

    M113--UM HISTORIADOR MADURO, DE ALCOBAÇA


    Quem é António Valério Maduro?


    António Eduardo Veyrier Valério Maduro, nasceu a 28/02/1959, na freguesia de Alcobaça, concelho de Alcobaça, distrito de Leiria.

    · Professor do Quadro de Nomeação Definitiva da Escola Secundária nº1 de Alcobaça (actual D. Inês de Castro) a 01/09/1989.
    · Professor do Quadro de Nomeação Definitiva da Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo a 07/07/2009.
    · Goza, no ano lectivo de 1999/2000, de Licença Sabática para realização de um estudo sobre “A Produção do Azeite nas Terras de Alcobaça: Economia, Tecnologia e Relações Sociais (séculos XVII-XX)”. A investigação teve a orientação do Professor Doutor Manuel Laranjeira Rodrigues de Areia.
    · Conclui, a 5 de Junho de 2007, o Doutoramento em Letras, na área de História, especialidade de História Contemporânea, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em que foi Aprovado com Distinção e Louvor por unanimidade.


    Algumas actividades de formação, orientação de visitas culturais, comunicações e projectos de investigação

    · Participa, na década de 70, no grupo de investigação etnográfica do Dr. Eduíno Borges Garcia.
    · Lecciona os módulos de Introdução ao Património Etnográfico e Introdução à Cultura Portuguesa, em parceria com o Dr. César Cunha do Coito e o Antropólogo Pedro Castro Henriques, no Curso de Formação de Técnicos Animadores em Património Cultural (1988), curso promovido pelo GEOTA (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente).
    · Participa nos anos de 1989/1990 na equipa de investigação liderada pelo Dr. César Coito no “Estudo Etnográfico da Comunidade de Vilas Ruivas – Beira Baixa”, projecto financiado pelo INAMB (Instituto Nacional do Ambiente).
    · Formador no Instituto S. Bernardo (1983/1984; 1986/1988).
    · Formador da Escola Profissional de Agricultura de Cister (1991/1999).
    · Orienta o circuito cultural na antiga área dos Coutos de Alcobaça (Escola Secundária de D. Inês de Castro, 14/10/1994).
    · Apresenta uma comunicação no Colóquio “O Livro na Perspectiva dos Escritores Alcobacenses” (Câmara Municipal de Alcobaça, 23/04/1997).
    · Orienta, em 22/03/1998, o “Roteiro da Água na Serra dos Candeeiros”, integrado no ciclo de “Visitação dos Campos”, viagens culturais organizadas no âmbito da exposição “O Voo do Arado” (Museu Nacional de Etnologia/ADEPA).
    · Orienta uma visita cultural sob o tema “Roteiro da Água na Serra dos Candeeiros” no Seminário “Alcobaça que Museus” (organização “Rebate”, 23-24/07/1999).
    · Orienta em 22/11/1999 uma visita às antigas Granjas dos Coutos de Alcobaça no âmbito das Comemorações do Iº Centenário do Nascimento do Professor Doutor Joaquim Vieira Natividade. · Conferência sob o título “Povoamento e Olivicultura na Área Serrana dos Coutos de Alcobaça”, no âmbito das Jornadas Europeias de Património/2000 (Mosteiro de Alcobaça/ IPPAR, 25/09/2000).
    · Orienta uma visita aos Fornos de cal de Pataias, no âmbito das IVª Jornadas Culturais do CEPAE (Centro de Património da Estremadura, 29/04/2001).
    · Apresenta uma comunicação no Congresso Sete Séculos Sete Marcos, sob o título “A Produção de Azeite nos Coutos de Alcobaça (século XVIII)”, (Câmara Municipal de Porto de Mós/Faculdade de Letras de Coimbra, 17/06/2005).
    · Apresenta uma comunicação no IV Congresso Histórico de Guimarães – Do Absolutismo ao Liberalismo, sob o título “A paisagem agrária na região de Alcobaça: continuidade e ruptura do quadro produtivo ao longo do século XIX” (Guimarães, 28/10/2006).
    · Apresenta uma comunicação no Colóquio “7 razões para votar”, sob o título “O agrosistema cisterciense nos séculos XVIII-XIX” (Câmara Municipal de Alcobaça, 30/06/2007).
    · Orienta, em 8 de Julho de 2007, uma visita guiada “Monges, Oliveiras e Azeite”, integrada na Comemoração do 30º aniversário da ADEPA.
    · Inserido no programa “Um dia no Mosteiro de Alcobaça”, profere uma Conferência: “A Vida Económica e Social no Domínio Alcobacense no Século XVIII” (Curso Médico de Coimbra 1954/60 e Município de Alcobaça, 07/06/08)).
    .· Conferência sob o título “A Alimentação no Mosteiro de Alcobaça, no século XVIII”, no âmbito do projecto dos Departamentos de Ciências Sociais e Humanas e Ciências da Terra e da Vida “O pão nosso de cada dia”. (Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo, 12/02/2009).
    · Conferência sob o título: “A Região de Leiria nos Séculos XVIII-XIX”, (Instituto Educativo do Juncal, 25/03/2009).
    · Apresenta uma comunicação no IV Congresso Internacional sobre Cister em Portugal e na Galiza, sob o título “As transformações na cultura da vinha e no fabrico do vinho nas terras de Alcobaça nos séculos XVIII-XIX” (Braga e Oseira, 1-3/10/2009).
    · Colabora no projecto de investigação: “Vida Privada dos Presidentes da I República”, conduzindo a investigação sobre António José de Almeida.



    Participação nos periódicos

    · Pórtico da Benedita
    · Correio do Litoral
    · O Alcoa
    · Voz de Alcobaça
    · Tinta Fresca
    · Região de Leiria

    (tratamento jornalístico do seu curriculum por JERO)






























    domingo, 1 de novembro de 2009

    M89-IGREJA DE NOSSA SENHORA DA PAZ


    A Igreja de Nossa Senhora da Paz foi mandada construir pelo Fidalgo de Alcobaça, Silva da Fonseca para comemorar as pazes feitas entre os do Mosteiro e os povos de Alcobaça, por causa do domínio das eiras da Roda.
    Templo de arquitectura popular, de pequeno alpendre com colunelas, mandado construir em 1693 e demolido em 1911.
    In "Por Terras dos Antigo Coutos de Alcobaça", de Maria Zulmira Albuquerque Furtado Marques (pg.48 doCapítulo"Outras Igrejas de Alcobaça).
    Reprodução fotográfica de aguarela de César Taveira.
    JERO

    M87-254 ANOS DEPOIS DE 1755


    Memória dos efeitos do Terramoto em Alcobaça
    Voltamos ao tema ,mais uma vez, em 1 de Novembro de 2009.

    Quem é que não é sensível a esta grande catástrofe do dia 1 de Novembro de 1755!?
    Grandes jornais nacionais fizeram “cadernos” notáveis sobre os 250 anos do terramoto de 1755.
    Confesso que impressionado pela sua leitura, nomeadamente pelos trabalhos do “Expresso” de 22 de Outubro e da “Visão” de 27 de Outubro de 2005, resolvi à minha dimensão, pesquisar alguma coisa sobre os efeitos que o terramoto teria causado ao tempo em Alcobaça.
    É dessa pesquisa documental e de algumas conversas com alcobacenses ilustres que apurei o que o leitor pode ler seguidamente.
    Estragos profundos no castelo e em casas”[1]
    “Um violento terramoto sacudiu Alcobaça e a sua periferia destruindo a Sacristia e o Refeitório do Mosteiro e derrubando as estátuas de D.João III, D.Henrique e D.João IV em falta na Sala dos reis, do Mosteiro. As nascentes do Rio Alcoa haviam secado completamente, só voltando a brotar a água aos 6-11-1775” [2]
    “O castelo de Alcobaça serviu durante muito tempo de forte prisão até que foi arruinado pelo terramoto de 1755”[3]
    De uma conversa com o Dr. Rui Rasquilho, especialmente em relação aos danos que o terramoto de 1755 teria causado no Mosteiro de Alcobaça, referiu-me algumas precisões em relação aos dados que entretanto eu já tinha pesquisado.
    A abóbada da sacristia que caiu não foi a da parte de fora, pelo que os danos resultantes do terramoto nesta área do Mosteiro não foram tão catastróficos como é geralmente admitido. No entanto a Porta das Sacristia que chegou aos nossos dias não é da época.
    O Colégio de Nossa Senhora da Conceição , que se situava por de trás do que é hoje a Ala Sul, foi gravemente afectado pelo sismo
    .
    [4]
    Também as abóbadas da Hospedaria , na Ala Norte, abriram grandes fendas.
    Caiu dos seu pedestal a estátua de D.Afonso Henriques, a mesma que veio a ser atingido por um raio em 1957.
    Está por fazer uma investigação mais detalhada sobre este tema que eventualmente se poderia centrar nos arquivos nacionais que referirão através das relações de obras, outros danos nomeadamente em zonas do Mosteiro onde mais tarde esteve instalado o “Lar Residencial”.
    O Engº. José Pedro Duarte Tavares no seu trabalho “Hidráulica –Linhas Gerais do Sistema Hidráulico Cisterciense em Alcobaça”, publicado no “Roteiro Cultural da Região de Alcobaça-A Oeste da Serra dos Candeeiros”[5] refere que no “Conjunto Edificado Monumental do Mosteiro de Alcobaça os efeitos da grande cheia de 11 de Novembro de 1772 causaram maiores prejuízos que o Terramoto do dia de Todos os Santos de 1755”.
    Ainda em relação à Sacristia Manuelina escreveu Dom Maur Cocheril no seu livro “Alcobaça Abadia Cisterciense de Alcobaça” “que foi destruída pelo terramoto de 1755.Dela nada mais restam que o átrio da abóbada manuelina , verosimilmente análoga à da sacristia desaparecida , a porta de entrada e, do lado exterior, os contrafortes”.[6]
    O mesmo autor sustenta na mesma obra [7] que “as estátuas dos reis de Portugal … da sala dos Reis…assentes em mísulas… a meia altura das paredes… no terceiro quartel do século XVIII …constava de vinte e três estátuas. Actualmente (Edição de 1981) consta (a colecção)só de dezanove estátuas e acaba na de D.José I. As que faltam foram partidas”.
    E deixámos propositadamente para o final o registo do Vigário José de Almeida Brandão, que na sua obra “Memória Paroquial” refere os grandes estragos em Alcobaça com a minúcia que se segue:
    “… no rossio, fronteiro ao Mosteiro, a maior parte das casas ruiu e, nas oito ruas , nos becos e cantos sem saída que então havia em Alcobaça ,as que o megacismo não derribou, ficaram abaladas e desaprumadas, e rendida quase toda a cantaria das janelas.O Real Mosteiro…igualmente padeceu ruína…com muito mais avolumada perda com respeito ao primor, valentia e custo das suas arruinadas partes. As abóbadas da sua grande e sumptuosa Igreja se abalaram e raxinaram com medonhas aberturas; o mesmo sucedeu ao seu grande refeitório… As abóbadas da sua sacristia se abateram e caíram por terra com considerável perda…Todas as mais abóbadas dos seus principais dormitórios e da noviciaria e enfermaria se arruinaram… Todas as mais partes de que se constitue o grande corpo do dito Mosteiro experimentaram gravíssima ruína caindo muitas paredes, e a capa de cantaria, que ornava a parte exterior da sua Igreja para a parte sul; e da mesma sorte alguns dos fortes arcos que fortificavam a capela-mor na sua circunferência pela parte exterior, e assim mesmo muitas colunatas do regular sobre claustro, que ornavam e firmavam seus primorosos arcos. O mesmo sucedeu ao claustro da Real Hospedaria e esta nas sua paredes e abóbadas recebeu tal ruína que a faz inabitável…Por efeito do formidável abalo de terra, o abundante manancial da Chaqueda, que abastecia o Mosteiro e a povoação criada à sua sombra,estancou, ficando sem água os frades e os outros moradores de Alcobaça.
    Por isso, logo a 5 daquele fatal mês de Novembro a Comunidade acompanhada de infinito povo foi em procissão ao mesmo sítio onde a água nascia…e ali fez uma breve prática o Revº.Pe. Fr. Luís de S.Bento, Dom Abade que então era do Colégio da Conceição de Alcobaça… e todos tiveram a consolação de ver a fonte restituída ao seu curso natural prodigalizando com dantes a sua copiosa corrente”.
    Por aqui nos ficamos com a sensação… que haverá ainda muito mais para pesquisar.
    Mas quem dá o que tem…
    JERO


    [1] “VISÃO”Edição Especial – 27 de Outubro de 2005
    [2]“Espaços ADEPA 1”,a pgs. 33” Alcobaça na panorâmica dos Sismos do continente português “.Texto de Domingos José Soares Rebelo.
    [3] “Breve História de Alcobaça”a pgs.20, de Bernardo Villa Nova e Silvino Villa Nova.
    [4] Imagem de “Alcobaciana”-Colectânea Histórica, Arqueológica, Etnográfica e Artística da Região de Alcobaça, por Aires Augusto Nascimento.
    [5] Edição da C.M.Alcobaça com direcção e organização da ADEPA
    [6] Pgs. 53 de “ Alcobaça Abadia Cisterciense de Alcobaça” .
    [7] Pgs..97 de“Alcobaça Abadia Cisterciense de Alcobaça”

    quarta-feira, 28 de outubro de 2009

    M79- EM 1811 O MOSTEIRO ESTEVE OCUPADO POR DESERTORES

    M78-MOSTEIRO DE ALCOBAÇA SAQUEADO E INCENDIADO


    ACONTECEU DURANTE A GUERRA PENINSULAR

    Respigámos de um artigo do historiador alcobacense Rui Rasquilho

    William Tomkinson,(1) oficial britânico da Guerra Peninsular, diz que o Mosteiro de Alcobaça foi saqueado e incendiado.
    O fogo durou 22 dias diz o militar, que se presume tenha testemunhado o crime.
    O Mosteiro a arder. Qual Mosteiro? A Igreja? As Alas Norte e Sul?
    Na Igreja poderia ter ardido o Coro Manuelino e talvez cortinas, porque todos os altares chegaram aos nossos dias, incluindo o Altar-Mor e o Órgão, que constam de fotografias do Sec.XIX e do seu desmonte dos anos 30 do Sec.XX.
    A Ala Sul ardeu, mas quando? Nas obras de restauro do Sec. XX verificou-se haver cinzas e restos de madeira calcinada e…um botão de uma farda inglesa. Talvez, insisto, talvez o fogo tivesse lavrado aqui.
    Como reagiram os alcobacenses perante o invasor e os que se defendiam?
    O que terão dito?
    Em 1811 o Mosteiro esteve ocupado por desertores, quando Massena acampou durante vários meses na região de Rio Maior-Santarém.

    ...
    Um dia virá a conhecer-se melhor a história de Alcobaça neste período sombrio da Guerra Peninsular, cujo selo mais relevante na memória do saque são os rombos nos túmulos de Pedro e Inês.
    O resto perdeu-se na memória das gerações.

    Rui Rasquilho

    (1) TOMKINSON, Lieut.-Col (William). The Diary of a Cavalry Officer in the Peninsular War and Waterloo Campaign 1809 - 1815 by the Late Lieut.-Col. Tomkinson 16th Light Dragoons. Edited by his son James Tomkinson. Second Edition. LONDON: Sonnenschein & Co. NEW YORK: Macmillan & Co. 1895.

    Diario de un testigo ocular durante la Guerra de la Independencia y luego en Waterloo, editado por su hijo. William Tomkinson (1790 - 1872) sobrevivió tres heridas de bala y una de bayoneta en su primera escaramuza en el pueblo de Grijo cerca de Oporto, recuperado sirvió en Ciudad Rodrigo, Badajoz, Salamanca, Burgos, Vitoria y San Sebastián.
    'His diary affords just the kind of material that the historian rejoices to posess, and usually finds most difficult to acquire.' (crítica de la la época)
    Palau 334 038. Foulché-Delbosc 260. García-Romeral 1652. Farinelli III p.100. Ayres III p354. Dic.Bib.GdI III p.275.